Morre Dick Cheney: o homem que moldou o mundo pós-11 de Setembro deixa um legado de poder, guerra e polémica, como trabalho.
O fim de uma era na política norte-americana
Numa terça-feira cinzenta de novembro, o mundo despediu-se de Dick Cheney, antigo vice-presidente dos Estados Unidos, que morreu aos 84 anos, vítima de pneumonia.
Figura incontornável da política norte-americana e um dos estrategas mais influentes da era moderna, Cheney deixa um legado marcado por poder, convicção e controvérsia.
De acordo com a CNN, a família confirmou o falecimento, referindo que o ex-governante lutava há anos contra problemas cardíacos, tendo inclusive sido submetido a um transplante de coração em 2012.
Do Wyoming à Casa Branca: a ascensão de um estratega implacável
Nascido no estado do Wyoming, Dick Cheney começou a sua carreira política como chefe de gabinete do presidente Gerald Ford, antes de ocupar o cargo de secretário da Defesa durante a administração de George H. W. Bush.
Contudo, foi ao lado de George W. Bush, entre 2001 e 2009, que Cheney consolidou o seu papel como figura central do poder americano.
Durante esses anos, foi amplamente reconhecido como “o cérebro” por detrás das invasões ao Afeganistão e ao Iraque, decisões que mudaram profundamente a geopolítica mundial.
“Naquele momento, sabíamos que era uma ação deliberada”
A 11 de setembro de 2001, Cheney encontrava-se isolado na Casa Branca quando o mundo mudou para sempre. Em entrevista concedida em 2002, recordou com frieza aquele dia:
“Naquele momento, sabíamos que era uma ação deliberada. Este era um ataque terrorista.”
Mais tarde, reconheceria o “sentido de responsabilidade esmagador” que o levou a impulsionar a chamada “guerra ao terror” — uma estratégia que, embora tenha reforçado a segurança americana, também ficou associada a abusos, detenções ilegais e à polémica sobre as armas de destruição maciça no Iraque.
Crítico feroz de Trump e apoiador de Kamala Harris
Nos últimos anos, Dick Cheney rompeu com o Partido Republicano tradicional, tornando-se um dos mais duros críticos de Donald Trump.
O ex-vice-presidente chegou mesmo a afirmar que o ex-presidente era “um cobarde” e “a maior ameaça de sempre à república”.
Surpreendentemente, apoiou Kamala Harris, atual vice-presidente democrata, num gesto que mostrou que as suas convicções estavam acima das lealdades partidárias.
Um legado de poder e polémica
Dick Cheney deixa-nos entre admiradores e críticos, entre quem o vê como um defensor intransigente da segurança americana e quem o acusa de ter desencadeado guerras com custos humanos incalculáveis.
A sua morte reabre o debate sobre o preço do poder e o peso das decisões políticas que moldam gerações.
No fim, o homem que definiu a resposta americana ao 11 de Setembro parte como símbolo de uma era — dura, complexa e profundamente humana.
