Morreu Francisco Pinto Balsemão: “Portugal deve-lhe imenso”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.
O país despede-se de uma figura incontornável
Francisco Pinto Balsemão morreu esta terça-feira, 21 de outubro, aos 88 anos. A notícia foi confirmada através de um comunicado oficial, onde se refere que o fundador da SIC e do jornal Expresso morreu “de causas naturais”, rodeado pela família.
A morte de uma das personalidades mais marcantes da história recente de Portugal deixou o país em luto. Balsemão foi político, empresário, jornalista e fundador do PSD, tendo deixado um legado que atravessa gerações e que se confunde com o próprio percurso da democracia portuguesa.
Um legado que moldou Portugal
Homem de múltiplas facetas, Francisco Pinto Balsemão foi primeiro-ministro de Portugal entre 1981 e 1983, fundador do Partido Social Democrata e criador de dois dos maiores meios de comunicação social do país — o Expresso e a SIC.
O seu trabalho foi decisivo para a consolidação da liberdade de imprensa e da democracia em Portugal.
Em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro Luís Montenegro lamentou profundamente a morte do antigo governante e empresário, afirmando que recebeu a notícia com “muita consternação”.
O chefe do Governo destacou o papel de Balsemão “como fundador do Partido Social Democrata” e revelou que o Executivo pondera decretar luto nacional em sua homenagem.
“Portugal deve-lhe imenso”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa
Pouco depois da confirmação da morte, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, interveio em direto na emissão especial da SIC Notícias para deixar um testemunho comovente.
“Eu tive a ocasião de falar já com o doutor Francisco Pedro Balsemão e transmitir à família toda reunida o luto nacional, o pesar nacional, o choque nacional pela notícia da morte do doutor Francisco Pinto Balsemão. Portugal deve-lhe imenso! Foi das figuras mais marcantes dos últimos 70 anos”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, visivelmente emocionado.
O chefe de Estado sublinhou ainda o impacto determinante de Balsemão na construção da liberdade política e mediática do país, frisando que “sem ele, Portugal não seria o mesmo”.
O país em luto e as homenagens que se multiplicam
Desde que a notícia foi divulgada, multiplicam-se as mensagens de pesar nas redes sociais e nos meios de comunicação. Figuras públicas, jornalistas, políticos e antigos colegas da SIC e do Expresso deixaram tributos sentidos.
Entre as muitas mensagens, destacou-se a da apresentadora Catarina Furtado, que escreveu nas redes sociais: “Obrigada por tudo. Pessoalmente e profissionalmente.”
O nome da comunicadora chegou a ser referido no livro “Memórias”, publicado por Balsemão em 2021, onde o empresário e político fez um balanço da sua vida pessoal e profissional.
Uma vida dedicada à liberdade e à comunicação
Nascido em Lisboa, em 1937, Francisco Pinto Balsemão foi jornalista, advogado, empresário e político. Fundou o grupo Impresa, responsável pela criação da SIC, a primeira televisão privada portuguesa, e pelo crescimento do semanário Expresso como referência do jornalismo nacional.
Ao longo da sua vida, defendeu de forma intransigente a liberdade de imprensa, a ética e o rigor jornalístico, valores que considerava essenciais à democracia.
Com a sua partida, Portugal perde uma das vozes mais influentes e visionárias do seu tempo, mas o seu legado — na política, na comunicação e na defesa da liberdade — continuará a marcar a história do país.
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