Portugal eliminado do Mundial 2026: Ronaldo deixa futuro em aberto, Martínez sai e Proença critica resultado

Portugal eliminado do Mundial 2026: Ronaldo deixa futuro em aberto, Martínez sai e Proença critica resultado, nas redes sociais.

Fotografia: Portugal – Instagram

O golo de Mikel Merino, aos 90+1 minutos, não decidiu apenas um Portugal-Espanha. A derrota por 1-0, nos oitavos de final do Mundial 2026, encerrou a participação portuguesa e abriu várias frentes de discussão.

Cristiano Ronaldo confirmou que disputou o último Mundial da carreira, embora tenha deixado em aberto a continuidade na Seleção. Roberto Martínez anunciou o fim de um ciclo iniciado em janeiro de 2023. Pedro Proença assumiu que a prestação ficou aquém das expectativas e Ricardo Quaresma foi demolidor na análise.

Ao mesmo tempo, vários jogadores portugueses procuraram explicar o que falhou. Bruno Fernandes falou numa oportunidade perdida, Rúben Dias sentiu que havia condições para seguir em frente e Nélson Semedo pediu autocrítica.

- Publicidade -

Do lado espanhol, Rodri começou a noite de celebração com um pedido público de desculpas a Bernardo Silva. Pedro Porro, antigo jogador do Sporting, também deixou uma mensagem particular aos adeptos do clube de Alvalade.

Cristiano Ronaldo confirma último Mundial, mas não fecha a porta à Seleção

As lágrimas de Cristiano Ronaldo, no final da partida, percorreram o mundo. Aos 41 anos, o capitão português terminou o seu percurso em Campeonatos do Mundo, mas evitou transformar a noite numa despedida definitiva da Seleção Nacional.

Na zona mista, Cristiano Ronaldo explicou que precisa de tempo antes de tomar qualquer decisão.

“Estou triste por sair assim do Mundial, mas como eu disse ontem na conferência, dei tudo, dei o meu melhor e saio de consciência tranquila. Foi o meu último Mundial, sim, mas terei agora tempo para pensar e estar com a minha família. Não tomar decisões de cabeça quente.”

Mais tarde, reforçou a mesma ideia.

“Como me levantei hoje, de consciência tranquila. Dei o meu melhor. Ganhei três títulos por Portugal, antes de Cristiano Ronaldo Portugal não tinha ganho qualquer título. Estou contente. O maior título que a Seleção Nacional conquistou foi o de 2016, o Europeu, que para mim tem a mesma dimensão que um Mundial, sinceramente. Repito, saio de consciência tranquila, dei o meu melhor. Amanhã será um novo dia e a vida continua.”

E acrescentou:

“Eu não decido as coisas com a cabeça quente, nem quero mudar a atenção do que foi feito no Mundial por uma decisão pessoal.”

Noutra intervenção, o capitão português tinha já feito um balanço semelhante.

“Amanhã vou levantar-me como me levantei hoje: de consciência tranquila. Joguei 23 anos na Seleção e ganhei três títulos, antes de Cristiano Portugal não tinha vencido nada. O Europeu foi o mais importante. Para mim, 2016 tem a mesma dimensão de um Mundial, honestamente.”

Questionado diretamente sobre uma possível retirada, respondeu:

“Não decido nada de cabeça quente. Agora não é importante se eu vou continuar.”

Ronaldo fala em “alívio” e explica as lágrimas

A emoção foi evidente no relvado. Contudo, Cristiano Ronaldo garantiu que as lágrimas não representaram apenas tristeza.

Quando lhe perguntaram o que diria ao jovem que se estreou num Mundial, em 2006, respondeu:

“Dar sempre o máximo pelo teu país, pelas tuas cores porque aí, quando terminares, sairás mais tranquilo porque espremeste o corpo até não dar mais. E na Seleção Nacional em especial. Eu tenho um sentimento especial ao representar a Seleção Nacional, são 23 anos, com muito prazer, muito gosto, é sempre uma experiência inesquecível. Final? Foi alguma emoção, mas também alívio e consciência tranquila de que quem dá o seu melhor nada pode ser apontado.”

Sobre a partida, o avançado considerou que Portugal fez o suficiente para discutir o resultado até ao fim.

“Podia ter dado para qualquer um, a Espanha teve uma ponta de sorte ao marcar nos momentos finais, mas é o futebol. No geral, foi um jogo muito bem disputado.”

Depois, voltou ao balanço da noite:

“É sempre triste saíres de uma grande competição. É um Mundial. A equipa vinha a crescer. Fizemos um jogo bom, na minha ótica. Podia dar para qualquer um, mas isto é o futebol. Temos de nos levantar, continuar o nosso caminho. É frustrante sair assim, mas de consciência tranquila.”

Sobre a participação portuguesa na competição, admitiu que o resultado ficou abaixo da ambição inicial.

“Podíamos ter feito melhor, mas fomos eliminados por uma das equipas que chegará à final ou perto. Acho que foi um jogo muito bem disputado. Demos o nosso melhor e quando assim é não há nada a apontar.”

Cristiano Ronaldo elogia Roberto Martínez

Apesar da eliminação e do final do ciclo técnico, Cristiano Ronaldo deixou elogios fortes a Roberto Martínez.

“O que eu quero dizer ao míster é que eu adorei trabalhar com ele. Um grande treinador, um grande ser humano e aquilo que ele fez por Portugal é de louvar. Ganhou um título por Portugal. Muitas pessoas não dão valor, mas Portugal antigamente não tinha ganho nada, e ultimamente ganhou títulos e isso demonstra o bom que tens de ser para ganhar um título por Portugal. Quero dar-lhe um obrigado e que ele seja muito feliz.”

Numa primeira intervenção sobre o tema, o capitão também tinha afirmado:

“Adorei trabalhar com o mister Roberto. É um grande ser humano e um excelente treinador. Ganhou um título por Portugal e nunca me vou esquecer disso. Estou muito agradecido pelo que deu a Portugal. Jorge Jesus? Não é altura para falar de quem vem e não me cabe a mim fazê-lo. Quem tem a responsabilidade de escolher é que vai decidir.”

Perante uma nova pergunta sobre Jorge Jesus, Cristiano Ronaldo manteve a posição.

“Essas decisões não sou eu quem toma, quem toma é o nosso presidente. Neste momento não é o momento certo para falar de quem vem.”

Roberto Martínez anuncia saída: “É certo que é o meu último jogo”

A eliminação teve uma consequência imediata no comando técnico. Roberto Martínez confirmou que deixa a Seleção Nacional depois de três anos e meio no cargo.

O selecionador espanhol assumiu a decisão sem rodeios.

“É certo que é o meu último jogo na Seleção de Portugal… Mas tenho duas notas: primeiro agradecer ao povo português porque foi um período incrível, um orgulho que não posso descrever. A força, a energia dos adeptos, de todo o povo. Agradecer por isso. Levo comigo uma memória para toda a vida. Depois, agradecer o trabalho dos jogadores porque foi incrível. Muito talento. Mas foi o compromisso para sermos uma equipa. É muito fácil ter bons jogadores na Seleção porque são os melhores, mas o importante é formar uma equipa. São 45 jogos, os melhores números da história de Portugal. E esse é o compromisso dos jogadores. Memórias de ganhar a Liga das Nações, de bater recordes… Agradecer muito à Federação por todas as condições, à equipa técnica, que desde o primeiro dia mostrou um nível de profissionalismo incrível. Foi trabalhar muito para ajudar os nossos jogadores. Levo comigo memórias incríveis e o meu agradecimento ao povo português.”

Mais tarde, explicou por que motivo considera natural a mudança.

“Não conversámos, mas é o fim de ciclo. É legítimo que o senhor Pedro Proença possa escolher o seu selecionador. Agradecer ao presidente e à Federação todo o apoio e tudo o que fizeram para nos darem todas as condições. É o fim de um ciclo. Agradecer o apoio. Levo comigo as memórias e espero que o povo português possa ter memórias dos três anos e meio.”

Noutro momento, resumiu:

“É o fim do ciclo, é importante agora ter outra vez, é legítimo que o presidente possa escolher o seu selecionador, agradeço todo o apoio que me deram.”

“Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial”

Roberto Martínez garantiu que a decisão não estava fechada antes da competição. Porém, ligou a continuidade ao objetivo de conquistar o título mundial.

“Não, acho que não estava fechada. Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial e acho que, sem ganhar, não faz sentido continuar. A direção e o presidente têm agora a possibilidade de escolher o novo selecionador. O presidente sempre apoiou o meu trabalho, mas o meu contrato termina hoje. Não há muito mais a dizer.”

Ao fazer o balanço da passagem por Portugal, mostrou-se emocionado.

“Sim, é o meu último jogo na Seleção. É um orgulho. Acho que vocês conseguem olhar para o aspeto mais objetivo: os 45 jogos que fizemos juntos. Mas sinto-me recebido como mais um português, de uma forma muito querida. Foi um prazer, um orgulho e uma responsabilidade. É difícil encontrar o fim deste ciclo, mas no contexto faz todo o sentido.”

Martínez recusa falar em fracasso e defende o legado

O selecionador rejeitou a ideia de ter desperdiçado uma das gerações mais talentosas do futebol português.

“É bom que fale hoje porque no dia da Croácia não falou… Primeiro, dizer que não falhámos. Perdemos contra um favorito. Jogámos olhos nos olhos, fomos nós mesmos, mostrámos um talento individual incrível. Ganhar ou perder… Ganhámos a Liga das Nações, mas os penáltis são detalhes. Levo comigo o nível de consistência, o número de golos, de pontos… Isso é muito difícil ao nível de seleções. Os conceitos táticos, o número de jogadores que representou a Seleção… E depois, falhar e não tentar ganhar? Tentámos até ao último minuto, dar tudo o que temos. Os jogadores foram incríveis, exemplares. E é isso que te faz ser ganhador no futebol e na vida. Levo um legado incrível e espero que os adeptos portugueses possam relembrar que a equipa técnica e eu tentámos dar tudo, a vida, durante estes anos.”

Para Martínez, Portugal consolidou-se entre as seleções de topo.

“Não é só Portugal… Há poucas seleções que, de forma consistente, chegam às fases finais de um Mundial. Estamos a falar dos melhores jogadores do mundo, das melhores seleções. Essa consistência é difícil. Mas também é difícil ter a consistência de qualificar em todos os torneios. E é isso que Portugal está a fazer. A forma como joga, como cria jogadores. A formação de Portugal é um exemplo para todo o mundo, um país de 10 milhões de habitantes… Mas depois há detalhes. A bola ir à barra, entrar ou não entrar, um livre rápido, um substituto que entra e marca… E essa é a diferença. Portugal é uma seleção de nível máximo pela consistência que tem desde 2002 e pelo que faz a nível do futebol.”

Martínez agradece a Cristiano Ronaldo

O técnico espanhol deixou uma longa mensagem ao capitão português.

“Palavras de agradecimento porque foi um capitão exemplar. Chego a Portugal num momento de muita confusão, de muitas dúvidas com a posição do Cristiano. E para mim foi um exemplo. Não só a nível de golos, e a estatística diz tudo, mas de assistências. É o compromisso no dia-a-dia, a forma como vive o futebol. É um exemplo e algo que temos de celebrar. Estamos a falar de um ícone do futebol, não há muitos Cristianos. Agradecer-lhe para sempre o que tentou fazer neste Mundial. O sonho era ganhar e tentou, deu um exemplo incrível a nível futebolístico e humano no balneário. E toda a equipa leva para sempre. Um exemplo no futebol, um exemplo de desportista e de ser humano.”

A explicação para Gonçalo Ramos ter ficado no banco

Uma das decisões mais discutidas aconteceu no ataque. Gonçalo Ramos, que tinha sido decisivo frente à Croácia, não saiu do banco contra Espanha.

Roberto Martínez explicou a opção.

“É uma forma fácil de analisar as coisas. Fisicamente, o Cristiano estava totalmente apto a jogar 90 minutos. Abre espaços, adapta-se às situações. É muito importante ter alguém assim dentro da grande área. Talvez no prolongamento seria bom ter o Gonçalo Ramos, mas a estratégia não era essa hoje. Hoje precisávamos de ter a possibilidade de travar os jogadores ofensivos da Espanha e não fazia sentido tirarmos os nossos avançados. O Rafael Leão foi o melhor jogador contra a Croácia, a última vez que jogou 90 minutos foi há algum tempo, e precisava de ser protegido. Não tem a ver com a crítica. Não estou nada desapontado com o desempenho. Queríamos ter chegado até à final e estou extremamente orgulhoso. Jogámos contra um dos favoritos e criámos desconforto em alguns momentos, mas quando não marcamos corremos este risco. Já jogámos contra a França, Espanha, Alemanha, ganhámos a Liga das Nações. Vejo o percurso com orgulho. O resultado hoje não foi o que esperávamos, mas isso acontece em torneios como este.”

Nuno Mendes fez falta no ataque português

Martínez considerou ainda que a saída de Nuno Mendes retirou capacidade ofensiva à Seleção.

“Acredito que o travámos muito bem. Com o Nuno Mendes e depois com o Nélson Semedo, as ajudas do João Neves e de toda a equipa… O Lamine tem uma enorme dimensão no um para um, abre espaços. E acredito que defendemos muito bem. A saída do Nuno Mendes tirou-nos poder de ataque. Abria muito espaço. É um jogador único. Sem dúvida alguma, o melhor lateral-esquerdo do mundo neste momento. Não se substitui um jogador assim. Mas não tem a ver com o que nos faltou depois de ele ter saído. Foi uma pena não chegarmos ao prolongamento, acho que estávamos mais preparados para isso do que a Espanha. Mas, no geral, a saída do Nuno Mendes tirou-nos um pouco o que podíamos fazer no último terço ofensivo, mais do que o que fizemos frente ao Lamine.”

Na leitura global da derrota, o selecionador apontou aos pormenores.

“Em primeiro lugar, terminamos com tristeza. Não é o resultado que queríamos. O adversário é um dos favoritos, mas isso não parou o que queríamos fazer. Tivemos coragem defensivamente, agressividade, defendemos muito bem. Mas o que acontece nos ‘oitavos’ de um Mundial são detalhes importantes. A bola bater na barra e entrar ou não entrar, uma oportunidade ao minuto 90 que foi um livre rápido. Detalhes que fazem a diferença. Mas é um orgulho incrível. A equipa esteve muito bem organizada. Com bola tivemos bons momentos, na 2.ª parte podíamos ter tido mais chegada. Mas sinto um orgulho incrível porque mostra todo o trabalho feito pelos jogadores. Acho que tivemos um bocadinho de azar, a sorte não esteve do nosso lado.”

Pedro Proença assume resultado abaixo das expectativas

Horas depois da eliminação, Pedro Proença quebrou o silêncio através do Facebook. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol deixou uma mensagem crítica sobre o resultado alcançado.

Curiosamente, não fez qualquer referência nominal a Roberto Martínez.

Proença começou por recordar a ambição assumida antes da competição:

“Quando nos propusemos a sermos candidatos a vencer o Mundial, fizemo-lo por acreditar na qualidade dos nossos jogadores, e num Talento com pouco paralelo na nossa história. Vai Dar Portugal, mais do que um mote, era um sentimento que unia todos os portugueses.”

Depois, admitiu que Portugal ficou longe do objetivo.

“O resultado que obtivemos no Mundial-2026 fica aquém do esperado. A eliminação em fase tão precoce não é consentânea com a qualidade dos nossos jogadores, mesmo contra um adversário de enorme categoria.”

O presidente da FPF prosseguiu:

“O Futebol é cruel, mas ensina-nos uma verdade para a vida. Não somos os melhores quando vencemos, não somos os piores quando perdemos. Em cada jogo há uma aprendizagem. Não há sucesso sem processo, o processo existe e irá levar-nos ao êxito.”

Aos adeptos, deixou uma palavra de agradecimento.

“Em nome da Federação Portuguesa de Futebol, agradeço a todos os adeptos que apoiaram Portugal. Nos Estados Unidos, no Canadá, em Portugal, por todo o mundo. A onda verde e vermelha foi impressionante.”

O dirigente terminou já com os olhos colocados no próximo compromisso da Seleção.

“Em setembro começaremos o apuramento para a Liga das Nações. Continuaremos fortes, continuaremos a ser Portugal.”

E despediu-se com uma última frase:

“Obrigado a todos.”

Jorge Jesus apontado como sucessor de Roberto Martínez

Com Roberto Martínez de saída, o futuro do comando técnico tornou-se imediatamente um dos temas centrais.

De acordo com A BOLA, Jorge Jesus é o escolhido por Pedro Proença para iniciar um novo ciclo, com os olhos colocados no Euro 2028 e no Mundial 2030.

O treinador português, de 71 anos, encontra-se livre no mercado depois de ter deixado o Al Nassr no final da última temporada.

Segundo a mesma informação, Jorge Jesus deverá reunir-se com Pedro Proença depois do regresso da Seleção a Portugal, com vista à definição dos termos do contrato.

Cristiano Ronaldo, porém, recusou comentar a possibilidade.

“Essas decisões não sou eu quem toma, quem toma é o nosso presidente. Neste momento não é o momento certo para falar de quem vem.”

Ricardo Quaresma arrasa prestação de Portugal

Muito mais duro foi Ricardo Quaresma. O antigo internacional português criticou a participação de Portugal no Mundial e afirmou que nunca ficou convencido com o trabalho de Roberto Martínez.

Na LiveMode, começou por uma análise particularmente crítica.

“Para mim, correu mal do início até agora. Correu tudo mal. Não houve um jogo que pudesses dizer que jogámos bem ou que atacámos muito e tivemos azar. Ainda hoje, entregaste o jogo desde o início ao fim à Espanha. A Espanha a controlar o jogo todo, a fazer o que queria, a controlar o ritmo de jogo, quando queria acelerar acelerava, quando queria meter mais pausa no jogo metia mais pausa, e nós a andar ali sem vontade, sem alegria, muito lentos.”

Quaresma criticou também as opções táticas e as substituições.

“Depois, substituições que eu não entendo… Estou farto de dizer isto, mas o Martínez a mim nunca me encheu o olho. Gostem ou não gostem, não quero saber se ficam chateados ou não, mas temos de ter muito mais alegria nisto. Desde que o Martínez chegou, eu não vi a Seleção a fazer um grande jogo. A realidade é esta. Meteu 50 táticas, nenhuma deu certo. E está aí a prova: saímos com a Seleção que toda a gente dizia que era a melhor de todos os tempos… mas melhor de todos os tempos em quê? O que é que ganharam? Vamos para casa desiludidos e de cabeça baixa? O melhor é eu não comentar muito mais deste Mundial, se não vou começar a dizer coisas que mais tarde posso me vir a arrepender.”

Para o antigo jogador, a mudança no comando técnico é necessária.

“Ninguém tem de faltar o respeito ao treinador, mas tem de haver essa personalidade e esse caráter. Muitas vezes prejudiquei-me porque fazia aquilo que me vinha à cabeça e aquilo que o jogo me pedia, e claro que havia treinadores que não gostavam e tiravam-me. E está tudo certo, são as opções deles, eles é que mandam. Mas eu fazia o que o jogo estava a pedir. E estes jogadores têm moral suficiente para fazer aquilo que o jogo lhes pede porque ninguém vai tocar-lhes. Ninguém vai dizer nada se falharem, então por que não assumem mais? Têm medo de quê? A Seleção precisa de sentar, de ver o que está bem e está mal e de vir um treinador que entenda disto.”

Com Rúben Dias presente, Quaresma alargou as críticas aos jogadores.

“Renato Veiga faz um jogão a quê? A defender? Porque quando quer sair a jogar só faz é porcaria… O grande problema aqui é que obviamente há um treinador, mas depois tens de assumir dentro de campo e tens de ser o treinador. O treinador pode andar a semana toda a treinar para o lado esquerdo, mas o jogo vai pedir-te para o lado direito e vais fazer o quê? Olhar para o treinador à espera que ele diga ‘não, vai para o lado direito’? Estamos a falar de jogadores que estão num patamar muito elevado, são considerados os melhores do mundo. Eu não posso estar a olhar para o treinador à espera que ele me dê indicações a dizer para onde eu vou ou não vou. Há coisas aqui que eu não entendo. O nosso meio-campo… grandes jogadores, grande talento, mas neste Mundial foram muito fracos. Um meio-campo muito, muito fraco. Um ataque fraco, uma defesa perdida… Eu não posso culpar só o Martínez porque os jogadores também não deram aquilo que tinham de dar.”

Bruno Fernandes fala numa oportunidade perdida

Bruno Fernandes também não escondeu a desilusão. Ao contrário de Martínez, o médio considerou que o balanço do Mundial não pode ser positivo.

À LiveModeTV, explicou:

“Obviamente que é um momento de tristeza. Viemos para cá com um objetivo bem vincado daquilo que queríamos fazer, que era ganhar o Mundial, mas infelizmente não estivemos ao nosso melhor nível. Acho que na primeira parte fomos superiores, mas na segunda voltámos a cometer o mesmo erro de baixar muito as linhas e dar demasiado a bola ao adversário e quando assim é, mais cedo ou mais tarde, acabamos por sofrer golo. Obviamente que Espanha tem mérito, tem qualidade e grandes jogadores, mas acho que, pelo que fizemos na primeira parte, se assim continuássemos, teríamos saído daqui com outro resultado.”

Depois, foi ainda mais direto:

“Balanço não pode ser positivo, só o seria se chegássemos ao fim e não chegamos. Sei que Portugal nunca ganhou o Mundial e que pomos sempre as expectativas lá em cima, mas acho que posso dizer, com alguma certeza, que este grupo tinha qualidade para ganhar o Mundial. Infelizmente não vai ganhar, não foi possível, mas não há que desacreditar. Perdemos contra uma das seleções candidatas e há que olhar em frente de maneira diferente. Acho que temos de ser mais nós próprios, olhar para aquilo que nós temos dentro, tentar jogar mais ao nosso modo e ao nosso jeito e encontrar forma de fazer com que as equipas nos respeitem mais.”

“Nós fizemos o que nos pediram”

À Sport TV, Bruno Fernandes voltou a analisar as dificuldades sentidas.

“Na 1ª parte estivemos bem mas 2ª parte demos a bola e eles conseguiram criar-nos problemas conseguindo encontrar espaços nas costas.”

Questionado sobre o meio-campo, respondeu:

“Nós fizemos o que nos pediram e o que era preciso para a equipa funcionar mas não funcionou. Queremos sempre coisas diferentes, primeiro o melhor meio-campo era o Vitinha, o Bruno e João, depois já era o Bernando…já estou habituado a isso. Nós jogámos contra a Espanha, era 50-50 e só passava um. Não conseguimos ser superiores à Espanha ao contrário do que aconteceu na Liga das Nações, o futebol é assim.”

Já à RTP, o médio detalhou aquilo que, na sua opinião, Portugal fez mal após o intervalo.

“Obviamente é triste a maneira como saímos do torneio, tenho a certeza que tínhamos qualidade para mais. Obviamente saímos para uma grande seleção, perdemos com uma das candidatas a ganhar o Mundial, assim como nós o éramos. Acho que hoje pecámos por na segunda parte termos dado demasiado jogo à Espanha, não ser tão pressionantes como na primeira parte. Dar o jogo à Espanha é dar o que realmente querem: estar com bola, fazer a equipa adversária correr, criar espaços, e quando assim é as pernas começam a pesar, os espaços começam a ser um bocadinho maiores…”

Sobre o que deveria ter mudado, acrescentou:

“Devíamos ter continuado da maneira que estávamos, ser mais agressivos sem bola, tentar fazer com que Espanha não jogasse tanto, mas sobretudo tínhamos de ter jogado mais com bola. Tínhamos qualidade para mais, temos jogadores capazes disso. Mas não foi por falta de capacidade mas se calhar porque em momentos não fizemos aquilo que estamos habituados e sabemos fazer, e acabámos por nos perder um bocadinho no jogo.”

Bruno Fernandes não teve dúvidas quando foi questionado sobre a capacidade desta geração para ser campeã mundial.

“Obviamente. Agora não vale a pena falar disso porque estamos fora do Campeonato do Mundo, mas foi uma oportunidade perdida. Todas as oportunidades são perdidas porque quando chegamos a um Mundial toda a gente quer ganhar. Nós não somos diferentes, em todos os Mundiais em que Portugal participou não foi diferente, mas foi uma oportunidade perdida. Temos uma grande seleção com grandes qualidades, se calhar não conseguimos retirar o melhor de todos da melhor maneira e acabámos por sair numa fase muito precoce.”

Rúben Dias: “Eles marcaram e nós não”

Rúben Dias saiu do encontro com a sensação de que Portugal esteve perto de eliminar Espanha.

À RTP, começou por reconhecer que o desfecho poderia ter sido diferente.

“Podia. Senti que foi dos jogos mais equilibrados que já tivemos contra eles. É sempre um jogo difícil, nunca em nenhuma circunstância é um jogo fácil, eles são muito perigosos tal como nós também somos. Os detalhes do jogo acabam por decidir e também tivemos oportunidades que podiam ter sorrido para nós. Acabam por fazer golo numa altura crucial com o jogo quase a acabar.”

Sobre aquilo que falhou, resumiu:

“O que falhou… eles marcaram e nós não. Acho que foi dos jogos mais equilibrados que tivemos contra eles, sentimos que estávamos muito perto de ganhar. Óbvio que olhamos para o resultado final e não sorriu para nós, e é muito fácil tirar qualquer conclusão de que não estivemos bem, isto e aquilo, mas a verdade é que foi dos jogos em que estivemos mais perto de sentir que estávamos ali para ganhar. Pelo menos é o meu feeling.”

Quanto às lágrimas dos companheiros, Rúben Dias falou da dimensão do sonho perdido.

“Cada próximo jogo, cada Mundial, Europeu, é sempre uma oportunidade única para nós. Sinceramente nem vi o Cris em lágrimas, vi um ou outro colega, mas cada pessoa lida com a emoção de maneira diferente. É o sonho de todos nós e obviamente a frustração existe, a nossa ambição é a maior, é de chegar aqui e ganhar, e como tal é sempre duro não conseguir vencer.”

Rúben Dias reconhece diferença entre Portugal e Espanha

Na LiveModeTV, o defesa central fez uma análise mais profunda ao futebol das duas seleções.

“Numa competição destas raramente as coisas são perfeitas desde o início, e muitas vezes até é melhor assim. Senti que a equipa estava a crescer, depois dos jogos com a Colômbia e a Croácia. Acho que este foi dos jogos mais conseguidos que fizemos contra Espanha. Senti que o jogo foi equilibrado nas oportunidades, houve momentos em que podíamos ter feito golo e em que pensei que, mais cedo ou mais tarde, os íamos quebrar. Obviamente que no final fica um sentimento de frustração por sentir que existia este crescimento e que cada vez íamos conseguir estar melhores, por saber o que temos em campo e o que temos no banco. Acima de tudo, fica a frustração de sentir que tínhamos pernas para mais.”

Rúben Dias apontou depois uma diferença estrutural entre as equipas.

“É bastante sabido que na Seleção temos muito boas individualidades, mas não temos, na nossa essência, um conceito de jogo como tem, por exemplo, a Espanha, onde pensam todos da mesma maneira, sabem todos aquilo que têm de ir buscar.”

Por fim, pediu equilíbrio na análise.

“Quando falamos em jogar bem há muito mais do que apenas a virtuosidade e o confronto direto envolvido no ‘como é que não jogamos bem’. Temos de ir em busca do equilíbrio, que não é fácil. A loucura não nos traz nada de positivo, leva-nos a correr atrás da bola e traz-nos para sítios que não dominamos. Tem de haver objetividade, mas, no final de contas, temos de ir à procura de um equilíbrio que nos ajude a trazer o melhor de cada um. Acho genuinamente que este foi um dos melhores jogos que já fizemos contra Espanha a nível desse equilíbrio, e depois deixar esses momentos certos para tentar decidir o jogo, mas infelizmente não sorriu para nós.”

Diogo Costa trocava exibições pela vitória

Diogo Costa foi uma das figuras portuguesas ao longo do Mundial, mas recusou valorizar o desempenho individual depois da eliminação.

Sobre o golo de Mikel Merino, afirmou:

“Sempre acreditei que poderia ajudar mais uma vez, não consegui ajudar dessa vez. Faltou-nos também uma pontinha de sorte, tivemos uma bola na barra, a bola muito perto da baliza, é preciso sorte também… mas acho que a atitude foi muito boa, positiva, demos o nosso melhor em termos de atitude, exigência e trabalho mental. Acho que demos o nosso melhor mas tal como disse, faltou-nos uma pontinha de sorte.”

Quando confrontado com a valorização pessoal conseguida durante a prova, respondeu:

“Para mim o mais importante é ganhar coletivamente. Sei que preciso dos meus companheiros em campo para ganhar e trocava a exibição por uma vitória.”

Sobre trocar prémios e defesas pela qualificação, foi direto:

“Claro que sim, ganhar é sempre o mais importante. Estamos muito tristes.”

O guarda-redes também considerou que Portugal tinha qualidade para ser campeão mundial.

“Sim, claro que sim. Tínhamos qualidade para isso, por uma ou outra razão não conseguimos, mas fizemos sempre dar o nosso melhor fisicamente e mentalmente para todos juntos mostrarmos o que é o país. Como todos sabem, queríamos muito dedicar este Mundial a duas pessoas muito especiais para nós, não conseguimos e estamos também muito mais tristes por isso.”

Quanto às lágrimas no final da partida, explicou:

“Tal como disse, trabalhamos para ganhar sempre, queremos sempre ganhar, fazemos sempre tudo para ganhar e quando não é possível, dói. E dói muito pelo nosso país.”

Diogo Costa também fala sobre o futuro no FC Porto

À LiveMode TV, o guarda-redes voltou a colocar o coletivo acima do desempenho individual.

“Preferia ter trocado as minhas exibições por uma vitória hoje. Para mim o mais importante é sempre o coletivo, sei que preciso dos meus companheiros de equipa para ganhar. Hoje perdemos, perdemos como um todo. A exigência de cada um faltou a todos e não ganhámos. Quando se perde… perde-se. O mais importante é não sofrer e marcar mas, como disse, preferia ter trocado as exibições pela vitória.”

Questionado sobre uma eventual mudança de clube, respondeu:

“Eu vivo o presente. Sou muito feliz no FC Porto, é o clube do meu coração e não estou a pensar nisso. Estou muito triste por termos perdido.”

Nélson Semedo pede autocrítica

Nélson Semedo reconheceu que Portugal poderia ter feito mais ao longo do Mundial.

“Acho que obviamente temos de tentar melhorar, o que não fizemos bem especialmente, fazer uma autocrítica, uma análise deste Mundial, o que não fizemos bem e o que podíamos ter feito melhor. Temos uma grande seleção, temos todos muita qualidade e sabemos que se calhar podíamos fazer um pouco mais, mas num balanço geral acho que estivemos bem.”

Sobre a partida com Espanha, considerou que o equilíbrio foi evidente.

“Acho que fomos eliminados por uma grande equipa, uma equipa que é candidata. Jogámos taco a taco com eles, no final da partida acabámos por sofrer um golo. Tivemos as nossas oportunidades num jogo bastante equilibrado. Sabemos que temos uma grande equipa e que poderíamos se calhar ter feito melhor, mas acho que temos de acima de tudo é dar os parabéns aos meus companheiros pela entrega que tiveram e seguir, porque a vida segue.”

O lateral deixou ainda um agradecimento a Roberto Martínez.

“Agradecer este tempo que ele esteve na seleção, não só nós jogadores temos de agradecer mas também todo o povo português. Ganhámos uma Liga das Nações contra esta equipa que jogámos hoje, que é uma grande equipa, por isso acho que todos nos devíamos deixar alguma palavra de agradecimento. Obviamente nem sempre as coisas correm bem, mas acho que na maior parte das vezes correram bem e acho que ele merece uma palavra de agradecimento.”

Rodri pede desculpa a Bernardo Silva

Do lado espanhol, a noite começou com uma pequena polémica que terminou com um pedido público de desculpas.

Já perto do final da partida, Bernardo Silva falhou de cabeça uma oportunidade para empatar. Rodri celebrou o desperdício e o gesto irritou o português, que confrontou o antigo companheiro do Manchester City.

Na zona mista, Rodri reconheceu o erro.

“A primeira coisa que quero fazer é pedir desculpa, porque não tive um gesto correto com o meu colega. Saiu-me naturalmente celebrar o falhanço. Foi errado da minha parte. Pedi-lhe perdão e volto a pedi-lo aqui.”

Eleito o melhor em campo, o médio espanhol considerou que Mikel Merino merecia o prémio.

“Se entras com a atitude certa, tornas-te o jogador do jogo. Eu ter-lhe-ia dado o prémio a ele. O esforço de todos foi memorável.”

Pedro Porro deixa mensagem aos sportinguistas

Pedro Porro, antigo jogador do Sporting, também falou depois da vitória espanhola.

À Sport TV, deixou uma mensagem aos adeptos leoninos.

“Estou feliz por termos ganho e temos de começar a pensar no próximo jogo. Só posso enviar um abraço aos sportinguistas que devem estar zangados comigo.”

Sobre o encontro, destacou o equilíbrio.

“A diferença esteve nos detalhes. Fiquei muito feliz com a vitória pois permite-nos em frente. Fomos uma equipa do princípio ao fim do jogo. O anterior acabou por ser decidido nos penáltis e agora foi detalhes. Portugal tem grandes jogadores como o Vitinha e Bruno Fernandes mas, felizmente, conseguimos ganhar.”

Imprensa internacional destaca lágrimas de Cristiano Ronaldo

A imagem de Cristiano Ronaldo em lágrimas teve eco internacional.

Em Espanha, o Sport falou numa “crónica de um fracasso anunciado” de Cristiano Ronaldo e Portugal.

O jornal catalão escreveu ainda:

“O capitão de Portugal não pôde salvar os seus da derrota com a Espanha, sendo eliminado nos oitavos e indo a chorar de volta à Arábia Saudita.”

O Marca destacou Mikel Merino com a expressão “o bicho é Merino” e assinalou que “Cristiano Ronaldo se despede dos Mundiais entre lágrimas”.

O jornal madrileno escreveu:

“Espanha pôs fim em Dallas à história de Cristiano Ronaldo nos Mundiais. Após 27 encontros e 11 golos marcados, o jogador do Funchal jogou o seu último encontro num Mundial. Foi no majestosos AT&T Stadium dos Cowboys, com os quartos de final e o primeiro título mundial de Portugal como objetivo… mas Mikel Merino, com um golo nos descontos, mudou a história.”

Já o As falou num “duro epílogo mundialista de Cristiano”, considerando o choro do capitão português “uma potente imagem histórica”.

No Brasil, o Globo Esporte destacou “o choro de uma lenda”.

Por sua vez, a Gazzetta dello Sport escreveu que “a Espanha não respeitou a lenda, mas está a construir a sua”.

O jornal italiano deixou ainda críticas à gestão de Roberto Martínez:

“Os seus olhos enchem-se de lágrimas na despedida, mas não foi ele o protagonista desta despedida. O selecionador Martínez — que, como anunciado, renunciou ao cargo — não teve coragem para o substituir por Ramos, e aí o respeito transcende a lógica.”

Na Argentina, o Olé Clarín descreveu a despedida de Ronaldo como “sem golo e com lágrimas”. O jornal considerou ainda que o português não fez “um bom jogo”, mas mostrou “o seu carinho, mais uma vez, pela camisola nacional”.

Luís Montenegro diz que Portugal esteve “ao nível dos melhores”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, também reagiu à eliminação portuguesa.

Apesar da derrota, considerou que a Seleção mostrou capacidade para competir com as melhores equipas.

“O que registo com profundo sentimento de gratidão é que estes atletas demonstraram que estávamos ao nível dos melhores. Estivemos ao nível dos melhores, acabámos por não vencer este jogo, mas não significa que não tenhamos feito um percurso muito favorável e meritório.”

Montenegro foi ainda questionado sobre o papel que Cristiano Ronaldo poderá desempenhar no futuro.

“O Cristiano Ronaldo tem um grande papel a desempenhar para o futebol português, para o desporto português para Portugal. O Cristiano Ronaldo é hoje a maior referência de Portugal e da Portugalidade no Mundo. É um ativo que não podemos de maneira nenhuma desperdiçar na promoção da nossa capacidade e forma de estar no Mundo.”

Depois, acrescentou:

“Quer no âmbito desportivo e quer no geral, contamos que quando o Cristiano Ronaldo tiver essa disponibilidade, possa dar o seu contributo porque há uma coisa que é muito profunda. O sentimento de Portugal sente-se no Ronaldo, em tudo o que ele faz, no que se vê e no que não se vê. Sofre, sente e é um orgulho enorme de Portugal.”

Portugal anuncia apoio de 100 mil dólares às crianças da Venezuela

Também durante o período do Mundial, Luís Montenegro anunciou que Portugal iria associar-se à iniciativa humanitária ligada ao fundo FIFA Global Citizen Education.

A verba de 100 mil dólares destina-se ao apoio a menores afetados pelos sismos que atingiram o território venezuelano.

O primeiro-ministro comunicou a decisão nas redes sociais:

“O governo de Portugal associa-se à iniciativa da @fifa para o fundo @glblctzn e ao apelo da @shakira, de apoio às crianças venezuelanas e envia desde já uma contribuição de 100.000 dólares para este projeto de inclusão, recuperação e futuro do povo amigo da Venezuela.”

A decisão surgiu depois do apelo público de Shakira. A artista colombiana dirigiu a mensagem a vários responsáveis políticos mundiais, entre os quais Luís Montenegro, Emmanuel Macron e Mark Carney.

A campanha pretende reunir donativos para o fundo FIFA Global Citizen Education, numa parceria entre a FIFA e a Global Citizen.

Polémica antes do jogo com jornalista brasileiro também marcou os últimos dias

A campanha de Portugal ficou ainda marcada por um episódio ocorrido antes do encontro com Espanha.

Na conferência de imprensa de antevisão dos oitavos de final, Cristiano Ronaldo dirigiu-se ao jornalista brasileiro Marcelo Bechler e pediu-lhe diretamente que fizesse uma pergunta.

O momento aconteceu enquanto o capitão falava da longevidade da carreira e da necessidade de adaptação.

“Aquilo que tenho feito em toda minha carreira tem sido adaptar-me também às nuances da idade.”

O episódio viria a ser analisado no programa “Passadeira Vermelha”. Joana Latino criticou o comportamento do jogador.

“Senti vergonha, confesso, porque não gosto de ver uma pessoa a fazer o que Ronaldo fez a outras pessoas.”

Durante a mesma análise, a comentadora considerou que “às vezes falta humildade ao Ronaldo”.

Joana Latino separou a dimensão desportiva do debate sobre a influência do capitão na equipa.

“Ninguém questiona a validade do Cristiano Ronaldo como jogador, ninguém nega a história do Cristiano Ronaldo como jogador. Posso questionar, e questiono muitas vezes, se esta equipa não se desenvolveria melhor se não houvesse este peso monumental de um Cristiano Ronaldo em campo a condicionar muito do trabalho da equipa como coletivo.”

Sobre a forma como Ronaldo se dirigiu a Marcelo Bechler, questionou:

“Se ele está mais maduro, mais crescido, mais evoluído, tem outro sentido de dimensão das coisas, por que é que numa conferência de imprensa fica focado num só jornalista porque ele não pertence ao coro da unanimidade que o Cristiano desejava em torno da sua figura como futebolista?”

A comentadora terminou a intervenção com nova crítica.

“Acho que estar a dizer: ‘Tu não gostas de mim? Vá, faz lá a pergunta, eu sei que tu não gostas de mim’, acho infantil, imaturo, não é edificante para a equipa, não é edificante para o futebol.”

Um Mundial que termina com mais perguntas do que respostas

Portugal chegou ao Mundial 2026 assumindo publicamente a candidatura ao título. A caminhada, porém, terminou nos oitavos de final, diante de Espanha e com um golo sofrido nos últimos instantes.

A partir daí, o cenário mudou rapidamente. Cristiano Ronaldo confirmou a despedida dos Mundiais, mas ainda não decidiu o futuro na Seleção. Roberto Martínez terminou o seu percurso e Pedro Proença reconheceu que o resultado ficou abaixo do esperado.

Dentro do grupo, as análises também não foram todas iguais. Martínez falou em orgulho e azar. Bruno Fernandes reconheceu que Portugal não esteve ao melhor nível. Rúben Dias sentiu que a equipa estava a crescer. Nélson Semedo pediu autocrítica. Ricardo Quaresma apontou responsabilidades ao selecionador e aos jogadores.

O Mundial terminou para Portugal. O debate sobre o que aconteceu, esse, começou ainda antes de a equipa sair de Dallas.

- Publicidade -

Destaques

O país arde e nós fazemos scroll

O país arde e nós fazemos scroll, dia-a-dia, hora-a-hora,...

Monção entre a história da Ponte de Mouro e a elegância do Palácio da Brejoeira

Monção entre a história da Ponte de Mouro e...

Recanto de Moulães: uma casa de família, seis suítes e Monção à porta

Recanto de Moulães: uma casa de família, seis suítes...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados