Padre Ricardo Esteves apela à mudança, à autenticidade e ao reencontro interior

Padre Ricardo Esteves apela à mudança, à autenticidade e ao reencontro interior, através de publicações nas redes sociais.

O padre Ricardo Esteves reuniu, em três publicações nas redes sociais, reflexões sobre a coragem necessária para mudar de vida, o perigo de alguém se anular para preservar uma relação e o caminho de regresso à própria identidade.

Embora abordem momentos diferentes, os textos partilham a mesma ideia: não é possível construir uma vida nova mantendo intactos os padrões que causam sofrimento. Para o sacerdote, crescer exige ação, verdade e capacidade para abandonar aquilo que já não permite avançar.

Mudar implica abandonar antigos padrões

Na primeira publicação, Ricardo Esteves dirige-se a quem deseja viver algo diferente, mas continua preso aos mesmos hábitos, receios e crenças. O sacerdote considera que querer não é suficiente quando esse desejo não é acompanhado por decisões concretas.

O medo de errar, acrescenta, não deve impedir o primeiro passo. Na sua perspetiva, os erros também constroem maturidade e ajudam cada pessoa a preparar-se para novos caminhos.

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“Eu sei que tu queres viver algo que nunca viveste… viver algo que nunca te permitiste por razões diversas ou, então, simplesmente porque nunca saíste ou passaste do querer. Sabes, não dá para manifestar ou viver uma nova realidade repetindo os mesmos padrões, os mesmos hábitos, medos e crenças de sempre. É preciso que aprendas e tenhas a coragem de te despir do velho, do que já não te serve e não permite que cresças.”

“Não basta ficares pelo sentimento ou pensamento do querer… tens de fazer e agir diferente! Tens de confiar no caminho que escolhes, tens de dar o primeiro passo mesmo com medo, receio ou dúvida. E se erro? Se erras estás a crescer, a amadurecer, a ganhar bases e resistência para florescer noutros ‘terrenos’.”

A reflexão serviu também para apresentar o livro «Deixa Deus Entrar», no qual Ricardo Esteves aborda a fé como um ponto de apoio para enfrentar cicatrizes, dúvidas e inquietações.

“Sabes, se queres conquistar algo que nunca tiveste, ou viveres algo que nunca viveste, vais precisar tornar-te em alguém que nunca foste, vais precisar evoluir para alguém que nunca te tornaste. Neste meu livro: DEIXA DEUS ENTRAR… vais encontrar a fé e força necessária para olhares para as tuas cicatrizes e veres história mais do que a dor que as causou, vais sentir coragem para transformar e transbordar a tua vida para algo muito melhor com outro sentido e vais dar nome ao que hoje são as tuas dúvidas, inquietações, prisões e medos.”

“Garanto-te que vale a pena porque eu sei que vais ser feliz e todo este tempo que desejaste ser ou fazer vai passar a acontecer. Compra este livro e deixa Deus entrar na tua casa, no teu coração, na tua vida. Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

O risco de desaparecer para manter uma relação

A segunda publicação centra-se nas relações em que uma das pessoas começa a esconder aquilo que pensa e sente para evitar discussões. Ricardo Esteves alerta que essa aparente tranquilidade pode resultar apenas da perda progressiva de autenticidade.

O sacerdote reconhece que o silêncio pode reduzir os conflitos durante algum tempo. No entanto, defende que a paz construída através da anulação pessoal cobra um preço que nem sempre é imediatamente visível.

“Perderes-te a ti mesmo quase nunca parece uma perda pois não? Parece uma atitude altruísta, uma atitude de amor ou na maioria das vezes parece maturidade, parece evitar conflitos, perece fazer o relacionamento dar certo. É aí que, então sem perceberes, começas a esconder opiniões, engoles sentimentos e abandonas partes de quem realmente és para manter a paz.”

“E isso funciona… por um tempo! As discussões diminuem, a relação parece mais leve e tu acreditas que encontraste a resposta. Mas o preço é invisível. Cada vez que silencias a própria verdade, uma parte da tua essência fica para trás.”

Para Ricardo Esteves, a ausência de discussões não significa necessariamente que uma relação seja saudável. Pode apenas mostrar que alguém deixou de se expressar para não desagradar ao outro.

“Sabes, nem toda a relação sem conflitos é saudável… desde que nunca se perca o respeito. Às vezes, ela apenas mostra que alguém deixou de ser autêntico para agradar o outro.! Mas sabes, se isso acontece com frequência, talvez não estejas a proteger a relação… talvez estejas a abrir mão de ti mesma.”

A mensagem termina com um apelo para que ninguém permita que o medo de perder outra pessoa provoque o desaparecimento da própria identidade.

“Pessoas podem ir embora… faz parte da vida. Mas nunca permitas que na tentativa de manter alguém por perto, a pessoa que desapareça sejas tu. Não tenhas medo de perder pessoas, tem antes pavor de te perder a ti mesma na tentativa de manter os outros. Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

O regresso a quem se é

Na terceira reflexão, o padre aborda o momento em que alguém percebe ter passado demasiado tempo em ambientes, relações ou situações onde nunca se sentiu verdadeiramente inteiro.

Esse regresso à própria identidade, explica, não acontece de forma imediata. É um processo lento, feito de silêncio, lágrimas, cicatrizes e da aceitação de que algumas batalhas não podem ser travadas por outras pessoas.

“Vai chegar, se é que ainda não chegou o momento em que alma percebe que passou tempo demais a sobreviver em lugares que nunca lhe pertenceram. E é, então, aí que começa o caminho de volta. Não aquele voltar apressado de quem vive ansioso por resultados mas o retorno profundo de quem decidiu atravessar as próprias ruínas sem fugir da verdade.”

Ricardo Esteves recorda que esse afastamento interior pode acontecer quando alguém tenta demonstrar força permanentemente, permanece em ambientes que o esvaziam ou procura preencher com palavras aquilo que necessitava de escutar.

“Quantas vezes já não foste para longe de ti mesmo… a tentar ser forte o tempo inteiro, a sorrir em ambientes que te esvaziavam, a falar demais quando o que mais precisavas era o ouvir, e sem perceberes deixaste pedaços teus espalhadas por caminhos que nunca deveriam ter sido palmilhados. Por isso, o reencontro contigo mesmo é algo profundamente necessário.”

“A alma não volta a correr, ela retorna devagar, de forma lenta… Sabes, cada silêncio reorganiza, cada lágrima lava os excessos que há em ti, cada cicatriz amadurece a tua consciência, e cada queda ensina que ninguém se reconstrói permanecendo igual.”

“Há batalhas que são tuas”

O sacerdote sublinha que ninguém pode sentir, decidir ou reconstruir a vida de outra pessoa. Há processos que precisam de ser atravessados individualmente, ainda que possam contar com apoio exterior.

“O caminho de volta a ti mesmo é lento mas transformador. Ninguém pode sentir por ti, ninguém pode reorganizar o teu caos, há batalhas que são tuas, apenas tuas, contigo mesmo. Mas sabes, é também isso que torna tudo mais bonito.”

A verdadeira morada, conclui, não está nos lugares ou pessoas onde alguém procurou pertencer, mas no reencontro com a própria essência.

“Porque no fim, quem consegue voltar para si mesmo depois de se ter perdido no mundo, descobre que a verdadeira morada sempre esteve dentro de ti. Posso dizer-te que depois desse reencontro nunca mais ninguém se abandona com facilidade.”

Ricardo Esteves deixou, por fim, uma pergunta dirigida aos seguidores, convidando cada pessoa a reconhecer em que ponto desse regresso se encontra.

“E tu? Em que parte da tua vida de volta para ti mesmo estás hoje? Pensa nisto…!!! Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

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