Pedro Chagas Freitas analisa Nuno e Raquel no Big Brother: «Eu sinto o Nuno assustado», referiu, nas redes sociais.
Pedro Chagas Freitas acompanhou uma publicação sobre Nuno e Raquel, concorrentes do Big Brother Verão, com uma imagem onde se podia ler: «Para quem acredita que temos de lutar por quem amamos».
No texto, o escritor recusou a intenção de condenar qualquer um dos envolvidos. Ainda assim, considerou que aquilo que tem sido mostrado ultrapassa uma simples desilusão amorosa.
«Não escrevo para crucificar»
Antes de analisar os acontecimentos, Pedro Chagas Freitas começou por se incluir entre aqueles que também poderiam falhar dentro de um reality show.
«Não escrevo para crucificar. Quem sou eu? Vejo reality shows para pensar em quem sou, em quem seria eu ali. Às vezes, não chego a boas conclusões sobre mim.»
O autor defendeu que o confronto com as próprias fragilidades pode ser necessário para mudar comportamentos.
«Temos todos, de vez em quando, de chegar a conclusões pouco simpáticas sobre nós próprios para melhorarmos a bosta que, por vezes, todos somos, não é?»
Para Pedro Chagas Freitas, o Big Brother expõe emoções, inseguranças e comportamentos que, fora da televisão, podem surgir de forma menos evidente.
«Para mim, o Big Brother é um laboratório. Ali, os mecanismos da condição humana aparecem ampliados: o amor cresce, o medo cresce, a inveja cresce, a carência cresce.»
Porém, o escritor acredita que aquilo que mais se intensifica é precisamente o que cada pessoa tenta esconder.
«Eu julgo que o que cresce mais é o que passámos a vida a querer esconder de nós próprios.»
Pedro Chagas Freitas recusa a ideia de romance
Ao observar a relação entre os dois concorrentes, o autor afastou qualquer leitura baseada apenas numa história de amor que não resultou.
«O que vejo entre o Nuno e a Raquel não é um romance, não é uma desilusão amorosa.»
Na sua análise, Nuno já manifestou várias vezes a vontade de terminar a aproximação, enquanto Raquel continua a procurar respostas e a insistir numa mudança.
«É um homem que disse que não várias vezes; é uma mulher que continua a perguntar-lhe porque deixou de gostar dela, que alterna entre a ameaça e a fragilidade, entre a culpa e a sedução, entre a acusação e a vitimização.»
Pedro Chagas Freitas destacou sobretudo a postura do concorrente, que considera estar cada vez mais preocupado com as consequências de qualquer palavra.
«Há nele um tipo de olhar: o olhar de quem procura uma saída sem destruir quem está à sua frente, de quem começa a medir cada palavra para não provocar uma explosão emocional, de quem deixa de pensar na própria liberdade e passa a gerir com pinças a fragilidade do outro.»
«Lutei por quem amava»
A frase usada na imagem e repetida na publicação serviu de ponto de partida para uma crítica à forma como a insistência amorosa é muitas vezes romantizada.
«“Lutei por quem amava.”»
Livros, filmes, séries e canções ajudaram, segundo o escritor, a criar a ideia de que amar significa persistir até o outro ceder.
«Há séries, filmes, canções, livros, construídos sobre esta mentira. Não. O amor não é aquele que insiste até ao limite, não é aquele que vence pelo cansaço.»
Para Pedro Chagas Freitas, impedir ou dificultar a liberdade de escolha do outro não pode ser confundido com amor.
«A incapacidade de aceitar a liberdade do outro nunca será uma virtude, muito menos uma coisa bonita.»
O escritor considera, por isso, que é necessário alterar a forma como se fala sobre os relacionamentos.
«Temos de deixar de ensinar a conquistar e passar a ensinar a aceitar.»
Mais do que preparar as pessoas para vencer, entende ser necessário ensiná-las a lidar com a rejeição e com o fim.
«Estamos sempre a ouvir lições sobre como lutar por alguém e nunca ouvimos lições sobre como sobreviver quando esse alguém escolhe outro caminho.»
«É tão perigoso só ensinarmos a ganhar quando é tão mais urgente ensinarmos a perder, não é?»
«Compreender não significa normalizar»
Apesar das críticas ao comportamento observado, Pedro Chagas Freitas rejeitou uma leitura que transforme Raquel numa figura sem humanidade ou contexto.
«A Raquel não é um monstro. Eu não acredito em monstros; acredito em pessoas partidas, acredito numa história antes do comportamento.»
Ainda assim, compreender a origem de determinadas atitudes não significa aceitá-las.
«Compreender não significa normalizar.»
O escritor terminou com um alerta dirigido a qualquer relação em que alguém viva com medo da reação da outra pessoa.
«Não podemos normalizar algo assim. Nenhuma mulher ou nenhum homem tem o direito de fazer alguém viver assim.»
Por fim, Pedro Chagas Freitas revelou a sensação que lhe transmite o comportamento de Nuno dentro da casa.
«Eu sinto o Nuno assustado. Um homem assustado não é um homem fraco. Nenhuma pessoa assustada é uma pessoa fraca. Que nunca ninguém se esqueça disso.»
