Pedro Chagas Freitas revisita fotografia antiga e reflete sobre vaidade e beleza

Pedro Chagas Freitas revisita fotografia antiga e reflete sobre vaidade e beleza, nas suas redes sociais.

Pedro Chagas Freitas recuperou uma fotografia de uma fase mais jovem da sua vida e partilhou a reação do filho, Benjamim, ao registo.

A observação da criança levou o escritor a publicar uma reflexão sobre a forma como a idade transforma a vaidade. No texto, abordou ainda a família, o crescimento pessoal e uma ideia de beleza que não se limita à aparência.

Benjamim reconheceu o pai, mas reparou na vaidade

A publicação começou com uma breve conversa entre pai e filho. Benjamim identificou Pedro Chagas Freitas na imagem, embora tenha notado uma diferença na forma como o escritor se apresentava.

“— Benjamim, sabes quem é este?
— Parece o meu pai.
— Achas que é ele?
— Sim, mas parece vaidoso.”

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Pedro Chagas Freitas concordou com a leitura do filho. Contudo, explicou que a passagem dos anos não elimina necessariamente a vaidade, mas altera o lugar que esta ocupa.

“Era. Nesta imagem, era. Acho que somos todos, em algum ponto da vida, um bando de vaidosos. A idade desconstrói a vaidade: reformula-a. Traz-nos uma vaidade nova, um up-grade da vaidade, com dias dentro: uma vaidade com erro, junto à veia, que não tem pretensão a ser perfeita, que só quer sobreviver. Uma vaidade que não se leva a sério.”

Escritor troca a aparência pelo orgulho naquilo que construiu

Na continuação da reflexão, o autor distinguiu a preocupação com a imagem exterior do orgulho que sente nas pessoas e nas escolhas que fazem parte da sua vida.

“O que antes era uma vaidade de fora para dentro passa a ser uma vaidade de dentro para fora. Tenho uma vaidade desmedida no meu filho, na minha mulher, na minha família, nas pessoas boas, nos leitores que me amam e que eu amo, nas minhas escolhas, nas coisas boas que todos os dias faço para ser uma pessoa melhor. Nisso, sou vaidoso: quero ter orgulho de mim.”

Pedro Chagas Freitas admitiu que deixou de atribuir grande importância a determinados sinais físicos ou à combinação perfeita da roupa. Atualmente, interessa-lhe mais a pessoa que consegue ser.

“Não me interessa muito se o cabelo está penteado, se estou a ficar careca ou não, se a pele está brilhante ou com acne, se as botas combinam com o blazer. Não sou desleixado, mas não ligo muito. Interessa-me a vaidade primordial: a vaidade no que sou, no que consigo ser.”

«Não sou ainda quem quero ser»

O escritor reconheceu que continua distante da versão de si próprio que procura alcançar. Ainda assim, valorizou o caminho já percorrido e a tentativa diária de se tornar uma pessoa melhor.

“Somos uma decisão. Não sou ainda quem quero ser. Estou a milhas de ser a pessoa que faço incansavelmente por ser, mas cada vez estou menos longe. Já não é pouco. Acho que uma boa pessoa é alguém que tenta ser uma boa pessoa. É o máximo que conseguimos.”

Ao voltar à conversa com Benjamim, Pedro Chagas Freitas assumiu que o homem retratado naquela fotografia valorizava mais a aparência. Entretanto, a vida e a chegada do filho mudaram a sua forma de olhar para si próprio.

“E sim, meu filho. O pai ali era um vaidosão. Mas depois cresceu. Aconteceu-me a vida, aconteceste-me tu, as lágrimas tiram-nos a pele sem mácula mas dão-nos a beleza maior da densidade.”

Pedro Chagas Freitas reflete sobre mudança e identidade

Na última parte da publicação, o autor considerou que a pessoa presente na fotografia continua a fazer parte de si, apesar das transformações acumuladas com o tempo.

“A pessoa nesta imagem não era eu e não deixava de ser eu. A beleza não vem de dentro nem de fora. A beleza não se vê, não se sente. A beleza acontece, muda de forma.”

O espelho deixou, assim, de ser o principal instrumento através do qual Pedro Chagas Freitas avalia a própria imagem. Para o escritor, aquilo que resiste ao envelhecimento tornou-se mais importante do que o reflexo.

“Pouco me importa o que vejo no espelho. Passo um dia sem olhar para ele, às vezes. Importa-me o que não passa com a idade, o que está depois, atrás, antes, ao lado, no interior, do espelho.”

A reflexão terminou com uma ideia de identidade em permanente mudança. Embora cada pessoa conserve elementos do passado, nunca permanece exatamente igual.

“O meu filho olhou para esta imagem e soube. Ele sabe quem eu sou, sabe que sou este, mas que já não sou este. Somos todos os dias pessoas que são aquelas que eram ontem, mas que já não são aquelas que eram ontem. Julgo que é isso a beleza.”

Veja a publicação AQUI.

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