Pep Guardiola aceitou entrar no documentário de Mourinho, mas impôs uma condição: «Teria de ser o José a contactá-lo»

Pep Guardiola aceitou entrar no documentário de Mourinho, mas impôs uma condição: «Teria de ser o José a contactá-lo», segundo foi revelado.

Pep Guardiola poderia ter sido uma das grandes vozes do documentário dedicado a José Mourinho que chegou esta terça-feira, 11 de agosto, à Netflix. O treinador espanhol foi contactado pela produção e mostrou-se disponível para participar, mas colocou uma condição que acabou por inviabilizar a entrevista: queria que fosse o próprio Mourinho a pedir-lhe pessoalmente que entrasse no projeto.

A revelação foi feita por Joe Pearlman, responsável pelo documentário, que explicou que a equipa chegou efetivamente até Guardiola.

«Sim, contactámos o Pep, que concordou fazer uma entrevista, mas sob a condição de que o José o contactasse pessoalmente. Conseguem imaginar como é que isso correu», contou, em declarações citadas pelo The Sun.

A resposta de José Mourinho não deixou margem para dúvidas.

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«Mas é que nem pensar», revelou Pearlman no podcast Football Ramble, considerando que o episódio «diz tudo sobre as duas personagens».

Guardiola está ausente, mas a rivalidade atravessa o documentário

A ausência do treinador espanhol torna-se particularmente evidente porque a relação entre ambos ocupa espaço significativo nos três episódios da produção.

Ao contrário de Guardiola, participaram vários protagonistas que marcaram diferentes etapas da carreira de Mourinho, entre os quais Iker Casillas, Sir Alex Ferguson, Luís Figo, John Terry e Javier Zanetti.

O documentário recupera momentos da vida e da carreira daquele que ficou conhecido mundialmente como Special One e rapidamente ganhou destaque na Netflix. Poucas horas depois da estreia, a produção já ocupava o terceiro lugar no ranking mundial da plataforma, segundo os dados divulgados.

A história entre Mourinho e Guardiola, porém, começou muito antes de os dois se encontrarem como adversários nos bancos.

Nos anos 90, o português integrou as equipas técnicas de Bobby Robson e Louis van Gaal no Barcelona, numa altura em que Pep Guardiola era jogador do clube catalão. A relação mudou de dimensão quando ambos se tornaram treinadores principais.

Real Madrid e Barcelona levaram rivalidade ao limite

Foi sobretudo entre 2010 e 2013 que a rivalidade ganhou contornos que ultrapassaram os relvados.

José Mourinho comandava o Real Madrid e Guardiola estava à frente do Barcelona, numa época em que os dois clubes disputavam títulos numa sucessão de jogos marcados por enorme tensão.

Os confrontos entre ambos passaram a representar também duas formas distintas de entender o futebol, a liderança e a própria exposição mediática.

Conferências de imprensa, declarações públicas e episódios dentro e fora do campo alimentaram uma rivalidade que permanece como uma das mais recordadas do futebol europeu recente.

É precisamente por esse passado que a presença de Guardiola no documentário teria um peso especial. O espanhol estava disposto a falar, mas deixou a iniciativa final do lado do antigo rival. Mourinho não a tomou.

A frase sobre períodos sabáticos que muitos associaram a Guardiola

Apesar de Pep Guardiola não aparecer a dar o seu testemunho, há uma declaração de Mourinho na série que rapidamente foi interpretada por vários adeptos como uma possível indireta ao treinador espanhol.

Ao falar sobre a necessidade que alguns técnicos sentem de interromper temporariamente a carreira, Mourinho mostra-se totalmente contrário à ideia.

«Alguns treinadores precisam de um período sabático, algo que eu detesto. Detesto essa palavra. Para mim, um período sabático significa fraqueza. Não me falem de períodos sabáticos», afirma.

O português garante que não sente necessidade de parar e projeta ainda muitos anos ligado ao futebol.

«Vou descansar quando morrer. Nem consigo imaginar quando vou parar de estar envolvido com o futebol. Digo mais dez anos, mas talvez mais de dez. É divertido. Quero ganhar mais títulos.»

A associação a Guardiola surge pelo percurso do catalão. Em 2012, depois de deixar o Barcelona, o treinador decidiu afastar-se durante uma temporada e regressou posteriormente para assumir o Bayern de Munique.

Mourinho não identifica Guardiola quando fala dos períodos sabáticos, mas o histórico entre os dois foi suficiente para que a declaração despertasse interpretações entre os seguidores do futebol.

No fim, a história da entrevista que nunca aconteceu acaba por acrescentar mais um episódio à relação entre duas das personalidades que mais marcaram o futebol das últimas décadas: Guardiola aceitou falar sobre Mourinho, desde que Mourinho lhe ligasse. E Mourinho nem sequer considerou essa hipótese.

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