A 4.ª etapa da Volta à França 2025 ficará marcada pela 100.ª vitória da carreira de Tadej Pogacar, numa demonstração de força, estratégia coletiva e finalização de excelência. A chegada em Rouen, após 174,2 km intensos, foi palco de um duelo tático entre os favoritos, mas com um desfecho dominado pelo campeão do mundo.
A etapa começou com os primeiros ataques de Jonas Abrahamsen e Lenny Martinez, rapidamente seguidos por Gachignard e Kasper Asgreen. Apesar do esforço, o grupo nunca teve mais de 2 minutos de vantagem — a Alpecin-Deceuninck controlou o ritmo do pelotão desde cedo, a proteger Van der Poel.
À medida que surgiam as primeiras dificuldades do percurso, Lenny Martinez destacou-se como o mais forte da fuga, sendo apanhado a 21 km da meta.
Foi então que a UAE Team Emirates subiu ao palco. A equipa de Pogacar começou a impor um ritmo elevado no Côte de Bonsecours, endurecendo ainda mais no plano e na subida seguinte. A seguir foi a vez da Visma-Lease a Bike subir a temperatura: primeiro com Victor Campenaerts, que fez explodir o pelotão, e depois com Tiesj Benoot, já na subida final, a preparar terreno para um possível ataque de Jonas Vingegaard.
No entanto, quem fez a diferença foi João Almeida, que mostrou estar em grande forma. O português acelerou ligeiramente o ritmo, criando o espaço ideal para o ataque demolidor de Tadej Pogacar.
O campeão do mundo lançou um ataque fortíssimo. Vingegaard parecia ceder, mas resistiu e seguiu com Pogacar. Os dois ficaram isolados… mas Van der Poel, num grupo a cerca de 10 segundos, conseguiu fechar o espaço — e trouxe com ele João Almeida, que voltaria a ser decisivo.
Nos metros finais, Almeida assumiu a frente, controlando tentativas de resposta e lançando o sprint para Pogacar. Van der Poel, o primeiro a sprintar, parecia ter vantagem, mas Pogacar, com uma aceleração fulminante na roda do neerlandês, cruzou a meta em primeiro, conquistando a sua 100.ª vitória como profissional. Vingegaard fechou em 3.º, logo atrás.
Remco Evenepoel perdeu 3 segundos, Mas e Roglic cederam 32, Carlos Rodriguez 39, e Gall, Lipowitz e Buitrago chegaram a 54 segundos do esloveno.
Na geral, Van der Poel mantém a camisola amarela (com o mesmo tempo de Pogacar), que passa a ser o novo líder da classificação da montanha. João Almeida sobe ao 8.º lugar, a 55 segundos.
Antevisão da Etapa 5: Contrarrelógio de 33 km em Caen promete mexer com a geral
A 5.ª etapa da Volta a França 2025 marca a estreia do contrarrelógio individual nesta edição — uma jornada de 33 km totalmente plana em Caen, com potencial para provocar diferenças significativas na classificação geral. Esta será uma oportunidade decisiva para os especialistas ganharem tempo… e para alguns líderes defenderem o que conquistaram até agora.
Com apenas 200 metros de desnível acumulado positivo, o percurso apresenta-se praticamente plano, sem subidas de relevo e com longas retas em estradas abertas. As únicas curvas dignas de nota situam-se junto à partida e à chegada — o que significa que o fator mais determinante será a potência constante, a aerodinâmica e a capacidade de manter cadência elevada ao longo dos 33 km.
Este perfil favorece claramente os contrarrelogistas puros, capazes de desenvolver alta velocidade sem pausas, num teste clássico de esforço individual.
Os grandes favoritos
Remco Evenepoel
Campeão mundial e olímpico de contrarrelógio, Remco ainda não brilhou neste Tour, mas o traçado de Caen parece feito à medida das suas características. Potente, explosivo e técnico, espera-se que ataque o cronómetro com ambição de recuperar o tempo perdido nas primeiras etapas. Vem motivado pela grande exibição no Dauphiné, onde bateu os seus dois principais rivais.
Jonas Vingegaard
Apesar da sua estrutura mais leve, o dinamarquês é um especialista cada vez mais completo no esforço individual. Com histórico de grandes prestações em CRIs no Tour, Vingegaard sabe que esta é uma chance estratégica para ganhar tempo a Pogacar e entrar com vantagem nas montanhas. Tem a pressão do lado dele, mas também o histórico necessário para responder.
Tadej Pogacar
O campeão do mundo em linha não teve o seu melhor dia no contrarrelógio do Dauphiné e parte para esta etapa com a motivação de dar uma resposta imediata aos rivais. Prefere perfis mais exigentes, com subidas, mas mesmo num traçado plano como este, é sempre candidato à vitória. Como líder da classificação da montanha, partirá com o fato da organização — um detalhe simbólico, mas que poderá implicar uma ligeira diferença aerodinâmica.
João Almeida
Em excelente forma, Almeida está motivadíssimo para dar um salto na geral. Especialista no esforço individual e um dos mais consistentes do pelotão neste tipo de prova, pode iniciar aqui uma caminhada sólida rumo ao pódio. A sua capacidade de gestão de ritmo e potência constante pode fazer a diferença num traçado com estas características.
Para além dos candidatos à geral, há um conjunto de nomes com perfil para surpreender neste contrarrelógio, como Mathieu van der Poel e Wout van Aert, potentes em terreno rápido; Edoardo Affini, um contrarrelogista puro; e ainda corredores como Primoz Roglic, Jorgenson, Vauquelin, Ivan Romeo, Skjelmose, Foss, Armirail, Cattaneo ou Schachmann, todos com capacidade para lutar por um lugar no top 10 da etapa.
Texto: Luís Santos

