Roberto Martínez revela o que nunca foi dito sobre Cristiano Ronaldo: “Nunca vi aquela fome antes”, assinalou.
Selecionador nacional abre o livro sobre a convivência com o capitão da Seleção
Roberto Martínez deu uma das entrevistas mais reveladoras sobre Cristiano Ronaldo ao canal Beast Mode On, de Adebayo Akinfenwa. O selecionador nacional descreveu, com detalhe e admiração, a forma como o capitão da Seleção Portuguesa encara cada dia de trabalho.
Desde o início da conversa, Martínez sublinhou um traço que considera absolutamente raro no futebol moderno: a incapacidade de Ronaldo em acomodar-se ao sucesso.
“O sucesso altera o compromisso dele para com o próximo feito. Quando vences algo, no próximo dia, há menos fome. O Cristiano é uma pessoa e um jogador que não deixa que aquilo que aconteceu ontem, seja o que for, afete aquilo que ele faz hoje”, afirmou.
“Não sei se é genético”: a mentalidade que intriga Martínez
Ao longo da entrevista, o técnico assumiu que ainda hoje tenta compreender de onde vem a exigência quase sobre-humana de Ronaldo.
“Eu não sei se é genético ou se é possível trabalhar isso, mas é a realidade. Ele tem esta necessidade incrível de aproveitar cada dia para ser o melhor que pode.”
Para Roberto Martínez, essa atitude está presente em todos os momentos: desde a recuperação física até ao treino mais técnico.
“Não interessa se marca um hat trick ou se desperdiça três oportunidades, a preparação dele, assim que soa o apito final, será sempre metódica e perfeita.”
Mudança de perspetiva sobre o fim de carreira
Durante a conversa, o selecionador explicou que Ronaldo o fez repensar tudo o que acreditava sobre o momento em que um jogador entende que é hora de parar.
“Sempre disse que o futebolista se retira quando o corpo diz ao cérebro: ‘ouve, estou acabado’. Com o Cristiano aprendi que não é assim. É o cérebro que diz ao corpo que é tempo de terminar.”
Martínez reforçou ainda que nunca testemunhou tanta vontade de continuar a ser o melhor todos os dias:
“Ele tem esta capacidade de querer ser o melhor, todos os dias. Nunca vi aquela fome antes.”
“Não há duas pessoas iguais”: o tratamento a Cristiano Ronaldo
O técnico quis esclarecer que não há qualquer privilégio indevido ao capitão, mas sim uma gestão que respeita as especificidades de cada atleta.
“Acima de tudo, temos de tratar cada jogador, individualmente, de maneira diferente. Não há duas pessoas iguais. Obviamente, temos o Cristiano Ronaldo, o jogador, que no balneário é alguém que quer preparar-se da melhor maneira possível.”
A fama global e a forma como afeta — ou não — o grupo
Roberto Martínez reconheceu ainda que lida diariamente com um fenómeno planetário, sublinhando que o impacto digital e mediático de Ronaldo ultrapassa o próprio desporto.
Mesmo assim, garante que essa dimensão não prejudica o ambiente da Seleção:
“O resto, temos de reconhecer como ruído e, se isso não afetar o grupo internamente, temos de aceitá-lo por aquilo que é. Não podes perder tempo a tentar mudar isso, porque é impossível de controlar.”
