RTP: jornalistas da redação Multimédia acusam editora-executiva de intimidação e declaram falta de confiança, em momento tenso.
A redação Multimédia da RTP atravessa um momento de forte tensão interna. Segundo uma carta aberta a que o 24Horas teve acesso exclusivo, treze elementos da equipa contestam a atuação da editora-executiva Ana Sofia Freitas e dirigem críticas à direção de Informação.
O documento, enviado ao diretor de Informação, Vítor Gonçalves, descreve um clima de desgaste dentro da equipa. Em causa estão alegadas situações de intimidação, humilhação e pressão psicológica.
Carta aberta aponta críticas à editora-executiva
De acordo com o documento, os jornalistas acusam Ana Sofia Freitas de criar um “ambiente” marcado por tensão e desconforto na redação.
A contestação não se limita, porém, à editora-executiva. A direção de Informação também é visada, por alegadamente ter desvalorizado as queixas apresentadas pela equipa.
Segundo a carta, a posição formal surgiu depois de uma reunião considerada decisiva pelos jornalistas. Nesse encontro, Vítor Gonçalves e a diretora-adjunta, Maria de São José, terão entendido que os episódios relatados “estão longe” de poder ser classificados como bullying.
Essa leitura terá motivado a reação dos profissionais da redação Multimédia.
Jornalistas rejeitam ideia de simples problema de comunicação
Na missiva, os signatários afastam a ideia de que esteja em causa apenas uma falha de comunicação interna.
Pelo contrário, o documento fala em comportamentos reiterados e descreve alegadas “tentativas de intimidação”, uma “procura de humilhação” e uma “manifestação escusada de poder”.
Segundo os jornalistas, estes episódios têm impacto direto na motivação da equipa, na saúde psicológica dos profissionais e no funcionamento diário da redação.
Além disso, a carta refere que vários coordenadores terão sido alvo de provocações e de “amesquinhamento”. O ambiente descrito é, por isso, apresentado como persistente e difícil de ignorar.
Ausências e delegação de tarefas também são apontadas
A carta aberta inclui ainda críticas à forma como Ana Sofia Freitas desempenha as suas funções na redação.
De acordo com os signatários, a editora-executiva ausenta-se por períodos prolongados, sobretudo depois de intervenções da direção.
Ainda segundo o documento, quando está presente, Ana Sofia Freitas terá recusado, em alguns momentos, coordenar o trabalho diário. Essa responsabilidade terá sido delegada em elementos mais novos da equipa.
A redação contesta também uma ideia atribuída a Vítor Gonçalves. Segundo a carta, o diretor terá defendido que a editora-executiva não tem de se envolver no trabalho diário.
Os jornalistas discordam dessa leitura. Para a equipa, essa postura aumenta a sobrecarga dos profissionais, num contexto já marcado por recursos reduzidos.
Treze elementos declaram falta de confiança
O documento termina com uma posição clara da redação Multimédia. Os treze subscritores declaram a sua “falta de confiança” na editora-executiva Ana Sofia Freitas.
Até ao momento, segundo o texto divulgado, não é referida qualquer resposta de Ana Sofia Freitas às acusações feitas pela equipa.
Também não consta uma posição adicional de Vítor Gonçalves, além da interpretação que lhe é atribuída pelos jornalistas na carta aberta.
Assim, a redação Multimédia da RTP fica no centro de uma crise interna exposta por escrito. Entre acusações graves, desgaste profissional e ausência de confiança, o caso coloca pressão sobre a direção de Informação e sobre a gestão da equipa.
