Ruben Rua aponta falhas à televisão portuguesa e defende mudança urgente, numa entrevista recentemente concedida.
Longe do pequeno ecrã desde o fim de Em Família, Ruben Rua voltou a falar abertamente sobre o setor televisivo. A reflexão surgiu durante a sua participação no podcast Promenade Presents, numa conversa conduzida pelo realizador Justin Amorim.
Pressão das audiências condiciona decisões
A determinada altura, Ruben Rua foi questionado sobre o que mais o incomoda na televisão feita em Portugal. A resposta apontou diretamente para a obsessão com resultados imediatos.
“Eu acho que a televisão tem um problema de timing, ou seja, as pessoas trabalham para a audiência de hoje, que sai amanhã, e há uma pressão gigante com os números”, começou por explicar.
Segundo o apresentador, essa realidade trava a inovação, mesmo quando existe vontade de arriscar.
“Eu acho que muitos diretores, ainda que tenham às vezes vontade em inovar e trazer algo mais novo ou mais dinâmico ou mais out of the box, sentem-se receosos porque amanhã vão ver os números de hoje”, acrescentou.
Conteúdos repetidos e público envelhecido
De seguida, Ruben Rua traçou um retrato crítico da programação atual. Na sua perspetiva, a televisão acaba por apostar em fórmulas gastas para agradar a um público mais velho.
“Preferem às vezes trabalhar para um público mais envelhecido, com conteúdos que estão altamente viciados, do que se calhar pensarmos em fazer coisas de forma diferente”, afirmou.
Nesse contexto, deixou várias questões no ar sobre os formatos dominantes.
“Porque é que se calhar as manhãs têm que ser daquela maneira? Será que temos que ter três novelas? E se tivéssemos se calhar só uma?”, questionou.
Rádio como exemplo de reinvenção
Por fim, o ex-apresentador da TVI comparou a televisão com a rádio, apontando esta como um caso de sucesso na adaptação aos novos tempos.
“A rádio reinventou-se e está forte e está viva. E acho que a televisão ainda não percebeu como é que se pode transformar para perdurar”, defendeu.
Ruben Rua deixou ainda um alerta claro sobre o futuro.
“Temos duas opções, que é: ou arriscamos e transformamos, e podemos sobreviver, ou ficamos onde estamos, ganhamos hoje, mas amanhã já não vamos estar cá”, concluiu.
Atualmente afastado do ecrã, o apresentador soma no currículo formatos como VivaVida, Like Me e Somos Portugal. Uma experiência que sustenta a crítica deixada ao estado atual da televisão nacional.
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