Salvador Sobral critica decisão da RTP sobre a Eurovisão: “Dar uma no cravo e outra na ferradura nunca fez tanto sentido”

Salvador Sobral critica decisão da RTP sobre a Eurovisão: “Dar uma no cravo e outra na ferradura nunca fez tanto sentido”, disse.

Salvador Sobral reage à permanência de Portugal na Eurovisão

Salvador Sobral, vencedor da Eurovisão 2017 com Amar Pelos Dois, recorreu ao Instagram esta sexta-feira, 5 de dezembro, para comentar a decisão da RTP de manter Portugal no concurso europeu, que contará com a participação de Israel. O músico deixou um longo e emotivo testemunho, onde contrapôs solidariedade humanitária e decisões políticas.

“Foi uma noite muito comovente e bonita”

O artista começou por recordar o concerto solidário a favor de Gaza, realizado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. “Ontem [dia 4] fui a Lisboa participar num concerto solidário por Gaza, no CCB. O objetivo era angariar fundos para ajudar refugiados palestinianos. Estava completamente esgotado, o povo quando é para ajudar junta-se”, partilhou.
Além disso, destacou o envolvimento da classe artística: “Estavam todos os colegas, a classe artística também quando é para ajudar está sempre lá. Foi bonito, houve muitos reencontros e foi um concerto muito comovente e bonito.”

RTP elogiada… e criticada

Sobral sublinhou que o concerto será transmitido pela televisão pública a 10 de dezembro, incentivando à solidariedade. Contudo, revelou que, enquanto atuava, decorria a reunião das televisões públicas europeias para decidir a presença de Israel no concurso.
“Foi tomada a decisão que vocês já sabem, Israel vai participar. Vários países […] decidiram não participar e ficar do lado bom da história, fazendo este statement”, lamentou.

E foi aqui que a crítica mais forte surgiu:
“A RTP decidiu, o canal do Estado, decidiu participar na ‘Eurovisão’, mesmo com a participação de Israel. Ora, aquela expressão ‘dar uma no cravo e outra na ferradura’ nunca teve tanto sentido como ontem à noite […]. É a única televisão nacional que transmite um concerto por Gaza, mas, ao mesmo tempo, tem mais uma vez medo de fazer a coisa certa.”

“Esta cobardia política deixa-me triste”

O músico reforçou que o problema, para si, é de coerência moral. “Esta cobardia política que temos é coerente com a cobardia das instituições públicas”, disse, assumindo tristeza perante a decisão.
Salvador Sobral acrescentou ainda que a escolha deveria ser simples: “É uma questão simplesmente humana e é óbvia a decisão que se tem de tomar.”

Sugestão para o futuro

Apesar das críticas, o cantor deixou claro que não é contra o Festival da Canção: “É uma montra para artistas, cantores e compositores.”
Mas apresentou uma alternativa: “Quem ganha o ‘Festival da Canção’ não vai à ‘Eurovisão’, é uma decisão muito fácil. […] Cabe aos artistas que participam ter essa clarividência.”

Países que já desistiram

Até ao momento, Espanha, Países Baixos, Irlanda e Eslovénia confirmaram que não participarão na Eurovisão 2026, que decorrerá em maio, em Viena.

As declarações de Salvador Sobral estão a gerar intenso debate nas redes sociais — e voltam a colocar a dimensão política da Eurovisão no centro das atenções.

Veja o vídeo AQUI.

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