Sara Avelar revela como a televisão a salvou: «Era quase o meu antidepressivo»

Sara Avelar revela como a televisão a salvou: «Era quase o meu antidepressivo», afirmou em entrevista.

Sara Avelar nunca teve dúvidas sobre o caminho profissional que queria seguir. Aos 45 anos, a comentadora da SIC mantém uma ligação profunda à comunicação, embora o percurso até à televisão tenha ficado marcado por hesitações, mudanças e momentos pessoais difíceis.

Numa entrevista concedida a Nuno Azinheira para a revista Nova Gente, a comunicadora recordou os primeiros passos na rádio, a experiência no jornalismo desportivo e a importância que a televisão acabou por assumir na sua vida.

Jornalismo foi a única escolha de Sara Avelar

Formada em Jornalismo pela Escola Superior de Jornalismo do Porto, Sara Avelar nunca considerou outras áreas para prosseguir os estudos. Comunicação Social e Jornalismo eram as duas únicas possibilidades que admitia.

Inicialmente, especializou-se em televisão, meio pelo qual se sentia particularmente atraída. Contudo, as oportunidades no Porto eram reduzidas e o início da carreira acabou por acontecer na rádio.

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Sara Avelar estagiou na Rádio Nova Era, onde permaneceu durante algum tempo. Nesse percurso, transitou do jornalismo para o entretenimento e trabalhou ao lado de nomes como Tino de Rans e Pedro Alves.

Lisboa parecia um «mundo fechado»

Apesar da vontade de trabalhar em televisão, a mudança para Lisboa parecia difícil de concretizar. A capital era vista como um espaço distante e de acesso limitado.

Sara Avelar reconheceu que, naquele momento, lhe faltou alguém que a incentivasse a arriscar.

“Nunca tive ninguém que me dissesse: Vai. Arrisca. Tenta a tua sorte.”

Em vez desse apoio, ouvia repetidamente que entrar no meio era “muito difícil” e que tudo dependia de “conhecimentos”. Perante esse cenário, acabou por guardar o sonho durante algum tempo.

Jornalismo desportivo era a grande paixão

Antes de chegar ao entretenimento, Sara Avelar queria seguir jornalismo desportivo. Durante dois anos, trabalhou no Estádio do Dragão, onde fazia reportagem de campo e entrevistava jogadores junto ao relvado.

A comunicadora recordou essa fase como uma das mais entusiasmantes do seu percurso. Contudo, a experiência terminou quando o clube iniciou um processo de redução de custos e a sua área foi afetada.

Hoje, Sara Avelar considera que esse encerramento poderá ter sido determinante para a conduzir até outro caminho profissional.

«A televisão salvou-me mesmo»

Embora o entretenimento não fosse o plano inicial, a vontade de trabalhar em televisão nunca desapareceu.

“Foi mais do que um sonho”, afirmou.

Sara Avelar explicou que sentia uma necessidade profunda de entrar naquele universo, conhecer pessoas e aprender a demonstrar emoções que habitualmente guardava.

“Eu tinha uma urgência em estar naquele mundo, conhecer novas pessoas, exteriorizar as minhas emoções, que era coisa que eu não fazia.”

Questionada sobre a importância da televisão numa fase particularmente difícil, a comentadora não hesitou.

“Sem dúvida. Aliás, digo isso muitas vezes. A televisão salvou-me mesmo.”

Entrada em estúdio fazia os problemas desaparecer

Sara Avelar revelou que o trabalho em televisão lhe permitia afastar temporariamente as dificuldades que enfrentava na vida pessoal e profissional.

“Quando entrava em estúdio, tudo desaparecia. Era como se carregasse num interruptor. Os problemas ficavam cá fora”, explicou.

A comunicadora descreveu o ambiente televisivo como uma “bolha”, onde encontrava apoio nas equipas, no contacto com o público e nas reações dos telespectadores.

Durante as horas de emissão, sentia que conseguia “respirar outra vez”. O efeito desse trabalho foi comparado a uma ajuda essencial para manter o equilíbrio.

“Era quase o meu antidepressivo”, confessou.

Regresso ao Porto trazia de volta a realidade

O alívio, contudo, não era permanente. Depois de terminar cada programa, Sara Avelar regressava ao Porto e reencontrava os problemas que tinha deixado momentaneamente do lado de fora do estúdio.

Ainda assim, aquelas horas davam-lhe força para continuar. A comentadora classificou esses momentos como “fundamentais numa fase muito complicada da minha vida”.

Atualmente, mantém uma rotina exigente entre Porto e Lisboa. Sara Avelar desloca-se à capital para gravar o «Passadeira Vermelha» e regressa ao Norte logo depois.

«Passadeira Vermelha» tornou-se num novo refúgio

A chegada ao programa da SIC Caras ficou marcada por um acolhimento que a comunicadora considera decisivo.

Sara Avelar encontrou uma “equipa maravilhosa” e criou “cumplicidades que para mim foram muito importantes”.

Apesar do cansaço provocado pelas deslocações, não abdica desta rotina. Programas como o «Passadeira Vermelha» e o «C» continuam a representar um espaço de segurança e realização.

Depois de um percurso iniciado na rádio, atravessado pelo jornalismo desportivo e condicionado pela distância entre Porto e Lisboa, Sara Avelar encontrou na televisão muito mais do que uma profissão.

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