Sara Norte regressa a ambiente prisional e deixa mensagem às reclusas: “Um erro não pode definir o nosso futuro”, assinalou.
Sara Norte viveu uma manhã de forte carga emocional esta terça-feira, 16 de junho, no Estabelecimento Prisional de Tires.
A atriz e comentadora da SIC Caras regressou a um ambiente prisional a convite do Centro Protocolar da Justiça, no âmbito da Oficina de Capacitação e Empoderamento Feminino.
Perante várias mulheres que se encontram a cumprir pena, Sara partilhou a sua história, recordou a mãe, Carla Lupi, e defendeu o direito à reinserção.
Um regresso marcado por nervosismo
Antes de entrar em Tires, Sara Norte assumiu que o momento não foi simples.
Mesmo não tendo cumprido pena naquele estabelecimento prisional, a artista explicou que o regresso a um contexto semelhante mexeu com memórias difíceis.
“Hoje fui a Tires a convite do Centro Protocolar da Justiça. Não me considero um exemplo para ninguém, tenho as minhas guerras comigo mesma, mas talvez seja um exemplo daquilo que não devemos seguir“, começou por escrever nas redes sociais.
Depois, Sara admitiu o impacto emocional da visita.
“Para dizer a verdade estava muito nervosa porque apesar de não ter estado presa aqui, é voltar a uma época menos boa da minha vida“, confessou.
“Sei o que é estar presa”
Apesar do nervosismo, a atriz aceitou o convite por empatia e por conhecer, em primeira pessoa, o peso da privação de liberdade.
Sara Norte sublinhou que a vontade de estar próxima dos outros foi uma herança da mãe, Carla Lupi.
“Apesar dos meus inúmeros defeitos, tenho uma grande qualidade que foi herdada pela minha mãe: a de não querer viver numa redoma e de querer ter mundo. Se tenho a hipótese de tornar o dia de alguém especial e com esperança estou lá. E foi o que aconteceu hoje. Sei o que é estar presa e sei também o que é ter medo daquilo que nos espera na saída. Dos preconceitos e da estranheza no olhar dos outros“, relatou.
A partir dessa experiência, deixou uma mensagem clara sobre segundas oportunidades.
“Todos erramos. Todos. E todos temos direito a uma segunda, terceira ou mais oportunidades. Um erro não pode definir o nosso futuro ou não deveria“, defendeu.
A memória de Carla Lupi
Durante o encontro com as reclusas, Sara Norte recordou uma visita da mãe enquanto cumpria pena.
Carla Lupi, que morreu em 2012, deixou-lhe uma frase que a atriz ainda hoje guarda como orientação.
“Numa das visitas que tive da minha mãe, ela disse-me que não lhe interessava o que tinha feito, apesar claro de não concordar com a via fácil que eu tinha escolhido, mas que não era isso que definia o meu carácter nem valores. Por vezes temos que ver mais à frente e perceber o porquê das coisas e do caminho escolhido. Dá mais trabalho sim, mas deve ser feito“, explicou.
A recordação serviu também como mensagem às mulheres presentes: o passado não precisa de ser uma sentença definitiva.
“A prisão é uma passagem”
No final da manhã, Sara Norte mostrou-se grata pela partilha vivida em Tires.
A artista revelou que saiu do encontro com o coração cheio e deixou palavras de esperança a quem aguarda pela liberdade.
“Hoje foi uma manhã diferente e vim de coração cheio com as partilhas que fizemos. Estas mulheres e eu! A prisão é uma passagem mas a vida espera por vocês cá fora. Sempre aqui e até breve. Obrigada por este convite. Hoje foi uma manhã feliz!“, escreveu.
A frase resumiu o tom da visita: memória, vulnerabilidade e esperança num futuro possível.
Um percurso reconstruído
Sara Norte foi detida em Algeciras, Espanha, a 6 de fevereiro de 2012, e cumpriu uma pena de 16 meses de prisão por tráfico de droga.
Atualmente, além de integrar o painel do “Passadeira Vermelha”, da SIC Caras, abraçou um novo desafio como Diretora de Comunicação da empresa de espetáculos Legends Alive.
A profissional está também envolvida na preparação do festival “Lendas do Rock”, agendado para julho.
Anos depois da experiência que marcou a sua vida, Sara Norte regressou a um espaço prisional com outra missão: falar sem filtros, ouvir sem julgamento e lembrar que a vida não termina no erro.
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