Saúde Mental e Super-heróis: “Thunderbolts*” já foi visto por mais de 100 mil espectadores em Portugal

Saúde Mental e Super-heróis: “Thunderbolts*” já foi visto por mais de 100 mil espectadores em Portugal, e é o mais recente filme da Marvel Studios.

Vilões a cometer atos heróicos

As personagens no centro da trama são apelidadas de “Delinquentes. Anti-heróis aguerridos. Vilões”. Foram peças fundamentais em projetos anteriores, tanto em televisão como em cinema, do Universo Cinematográfico da Marvel. Mas não é apenas um filme de ação com personagens de fatos coloridos. 

Esta nova equipa de super-heróis tem cantos e segredos negros

Em THUNDERBOLTS* a Marvel Studios reúne uma equipa irreverente de anti-heróis – Yelena Belova, Bucky Barnes, Red Guardian, Ghost, Taskmaster e John Walker. Depois de se verem enredados numa armadilha mortal montada por Valentina Allegra de Fontaine, estes desiludidos desistentes têm de embarcar numa perigosa missão que os obrigará a confrontar os cantos mais negros dos seus passados. Será que este grupo de inadaptados se vai destruir ou encontrar a redenção e unir-se como algo mais antes que seja demasiado tarde?

Florence Pugh, Sebastian Stan, David Harbour, Wyatt Russell, Olga Kurylenko, Hannah John-Kamen e Julia Louis-Dreyfus regressam aos seus papéis no Universo Cinematográfico Marvel. O elenco também inclui os recém-chegados Lewis Pullman, Geraldine Viswanathan, Chris Bauer e Wendell Edward Pierce. Jake Schreier realiza THUNDERBOLTS* com produção de Kevin Feige. Louis D’Esposito, Brian Chapek e Jason Tamez são os produtores executivos.

Saúde Mental e Super-heróis: “Thunderbolts*” já foi visto por mais de 100 mil espectadores em Portugal

ALERTA DE SPOILER – A saúde mental dissecada num filme da Marvel 

As personagens principais mostram sinais de algum transtorno do foro psicológico, que só contribui para que o público se identifique com estes heróis, estas pessoas colocadas à margem da sociedade, e que terão de salvar o mundo.  

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Deixamos aqui um trecho de uma das partes mais impactantes do filme, que não tem tiros nem pontapés, mas tem uma personagem a dizer algo com que todos nos identificamos e parte-nos o coração como pensamentos depressivos atacam tanto como o maior vilão.  As palavras surgem da nova Viúva Negra, Yelena Belova, interpretada por Florence Pugh.

Yelena Belova: Pai, sinto-me tão sozinha. Já não tenho nada. Só sei estar sentada, a olhar para o telemóvel, a pensar em todas as coisas horríveis que fiz. Depois vou trabalhar, bebo, volto para casa — onde não está ninguém — e fico outra vez a pensar nas coisas horríveis que fiz. Sempre a mesma coisa, até dar em maluca!

Alexei Shostakov: Yelena, pára. Todos nós temos coisas de que nos arrependemos.

Yelena Belova: Mas eu tenho tantas! (desaba em lágrimas) A minha primeira missão no Quarto Vermelho… A Anya, ela era só uma criança, era tão pequenina…

Alexei Shostakov: Tu também eras. Eu sei… eu sei que foram tempos negros — muito, muito negros — mas… antes disso, tu eras uma menina tão especial. Sabias disso? Entravas numa sala e iluminavas tudo. Sentias uma alegria enorme.

Longe dos Vingadores clássicos

Longe da perfeição moral dos Vingadores clássicos, esta equipa alternativa propõe uma reflexão mais sombria sobre o que significa carregar traumas, viver com impulsos contraditórios e procurar redenção num mundo complexo. 

Cada personagem pode ser lida como a encarnação de uma faceta da psique em conflito.

Yelena Belova, por exemplo, carrega consigo o peso de uma infância manipulada e a constante procura de um lugar seguro. A sua ironia afiada e a aparente indiferença são escudos.

Bucky Barnes, o outrora Soldado do Inverno, é o retrato de alguém que vive entre duas memórias. A consciência do mal que cometeu não desaparece, mesmo que já não seja esse o homem que o pratica.

John Walker encarna o orgulho ferido e o desejo obsessivo de provar valor. Em vez de aceitar as suas falhas, projeta força de forma compulsiva.

Ghost (Ava Starr) vive num corpo que nunca está em repouso, numa existência constantemente desfasada do presente. A sua condição física extrema reflete uma mente que não encontra estabilidade.

Red Guardian, por sua vez, tenta mascarar a decadência com humor e nostalgia. Vive preso à ideia de uma glória passada, sem perceber que o mundo já mudou à sua volta. 

E todos eles, juntos, funcionam como um organismo instável, um reflexo coletivo de feridas não curadas. Porque às vezes não basta vencer o inimigo, é preciso sobreviver a si mesmo.

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