Tânia Laranjo arrasa promoção do jogo e aponta o dedo a influenciadores e ao Estado

Tânia Laranjo arrasa promoção do jogo e aponta o dedo a influenciadores e ao Estado, através das redes sociais.

Tânia Laranjo deixou uma reflexão contundente sobre a crescente presença do jogo e das apostas no quotidiano, criticando a publicidade constante, o papel desempenhado por influenciadores digitais e aquilo que considera ser uma atitude complacente por parte do Estado.

Numa publicação feita esta sexta-feira, 7 de agosto, nas redes sociais, a jornalista começou por estabelecer um contraste entre outros tipos de dependência e a forma pública como o jogo é promovido.

“Há vícios que se escondem. O jogo faz exatamente o contrário: anuncia-se em horário nobre, invade as redes sociais e instala-se no telemóvel de qualquer pessoa, vinte e quatro horas por dia. Já não se vende apenas a possibilidade de ganhar. Vende-se a ilusão de que a próxima aposta muda uma vida. Não muda. Muda, isso sim, a vida de quem perde o controlo.”

Tânia Laranjo critica influenciadores que promovem plataformas

A jornalista mostrou-se particularmente crítica em relação à promoção de plataformas de jogo através das redes sociais, considerando que estas são apresentadas ao público com uma normalidade semelhante à publicidade feita a outros produtos ou serviços.

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“Entretanto, assistimos à normalização do inaceitável. Influenciadores promovem plataformas como se estivessem a recomendar um restaurante ou uma marca de roupa. O dinheiro fala mais alto do que a responsabilidade. E quem paga a fatura nunca são eles.”

Tânia Laranjo colocou ainda em causa o próprio conceito de “jogo responsável” num contexto em que os estímulos publicitários permanecem disponíveis de forma praticamente permanente.

“Fala-se muito em jogo responsável. Mas que responsabilidade existe quando a publicidade é incessante e a tentação está sempre a um clique? A indústria lucra, as plataformas multiplicam-se e o Estado parece satisfeito enquanto entram receitas.”

Para a jornalista, as consequências acabam por ultrapassar largamente quem aposta, atingindo também famílias e, sobretudo, pessoas mais novas expostas à ideia de que o enriquecimento pode depender da sorte.

“Pelo caminho ficam famílias endividadas, jovens convencidos de que enriquecer depende da sorte e pessoas que descobrem demasiado tarde que o verdadeiro prémio era nunca terem começado.”

A reflexão terminou com uma crítica mais abrangente à forma como o jogo passou a ser encarado socialmente e à responsabilidade daqueles que permitem a sua crescente normalização.

“O problema já não é o jogo. É a forma como a sociedade decidiu aceitá-lo como um negócio qualquer. E legitima-o com a complacência de quem manda.”

Veja a publicação AQUI.

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