Tânia Laranjo elogia jovens que superam expectativas: «Uma pequena vingança contra a estatística», afirmou.
Tânia Laranjo partilhou uma reflexão sobre os jovens que alcançam resultados de excelência e conseguem ultrapassar aquilo que, à partida, seria esperado. A jornalista da CMTV destacou os casos de alunos que entraram na universidade com média de 20 valores e de uma adolescente de 15 anos que será a mais nova estudante de Medicina.
Mais do que celebrar as classificações, Tânia Laranjo chamou a atenção para as diferenças que existem no ponto de partida e para o peso que o contexto familiar pode ter no percurso académico.
«Uma família estável ajuda»
«Gosto de histórias de sucesso. Gosto de miúdos que se superam. Gosto, sobretudo, de gente que passa a fronteira do esperável. Miúdos que entram na faculdade com 20. Uma adolescente de 15 anos que será a mais nova aluna de Medicina», começou por escrever.
A jornalista considerou existir «qualquer coisa de profundamente bonito em ver alguém obrigar o futuro a abrir uma exceção», antes de enumerar alguns dos fatores habitualmente associados ao sucesso: «Método. Organização. Disciplina. Rotina. Foco».
Tânia Laranjo acrescentou, porém, outro elemento à análise. «Nas histórias que fui lendo, acrescentaria outra coisa: uma família estável ajuda», observou.
Para a redatora principal da CMTV, nem todos os jovens crescem com as mesmas ferramentas ou recebem a mesma orientação dentro de casa.
«Há filhos de médicos, de engenheiros, de professores, de gente com livros em casa e uma espécie de GPS incorporado para a vida. Não li ainda nenhum grande caso de sucesso cujo currículo começasse por: “Filho de um bairro onde, para chegar à biblioteca, era preciso primeiro descobrir onde ficava a biblioteca”», escreveu.
Jornalista critica desigualdade no ponto de partida
Tânia Laranjo esclareceu que a reflexão não representava uma crítica aos jovens que alcançam bons resultados, mas às desigualdades que podem condicionar o percurso de cada um.
«E isto não é uma crítica aos miúdos. É precisamente o contrário. É uma crítica ao ponto de partida. Porque há miúdos a quem explicam desde cedo como se chega longe. E há outros a quem a vida explica, com uma clareza brutal, que não convém sequer tentar», afirmou.
É precisamente por reconhecer essas diferenças que a jornalista atribui um significado maior aos casos de jovens que conseguem contrariar as circunstâncias.
«Por isso, quando um deles chega, quando entra, quando tira 20, quando passa a fronteira do esperável, não vejo apenas um resultado. Vejo uma pequena vingança contra a estatística», declarou.
A terminar, Tânia Laranjo deixou um incentivo aos estudantes e defendeu que o país precisa de jovens ambiciosos, preparados e dispostos a contrariar o pessimismo.
«Estes são os nossos homens e mulheres de amanhã. E, caramba, que bom serem muito bons. Que estudem muito. Que sonhem alto. Que nos dêem trabalho. O país já tem gente suficiente a explicar porque é que não dá. Venham agora os miúdos que ainda não receberam a mensagem», concluiu.
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