Trabalhadores das revistas Lux denunciam incumprimentos e contestam transição para a DOTMEDIA, através de comunicado.
Um grupo de trabalhadores das revistas «Lux», «LuxWoman», «Lux Deco» e «Lux Moda e Beleza» denunciou a existência de créditos laborais por pagar na sequência da insolvência da Masemba, anterior detentora das publicações.
A tomada de posição foi divulgada esta quarta-feira, 2 de setembro, depois de a DOTMEDIA, Lda. ter anunciado a exploração dos títulos através de uma nova estrutura.
Manifesto responde ao anúncio da nova gerência
O comunicado da DOTMEDIA foi divulgado a 1 de setembro e apresentou ao mercado uma estrutura liderada por Carlos Santos, com direção de Carla Barreira e Maria João Jorge.
No dia seguinte, os trabalhadores reagiram através de um manifesto, acusando a operação de promover um alegado “branqueamento” das responsabilidades deixadas pela anterior empresa.
Segundo os profissionais, a Masemba foi declarada insolvente em julho de 2026. O processo terá deixado trabalhadores sem receber subsídios, indemnizações e outros créditos laborais. Os signatários afirmam que também existem fornecedores e parceiros comerciais com pagamentos em falta.
Trabalhadores foram informados em agosto
A 12 de agosto, o representante legal da Masemba informou formalmente os trabalhadores de que a empresa cessaria a atividade no final do mês.
A decisão foi comunicada quando a sociedade já se encontrava sob a gestão de um administrador de insolvência. Enquanto aguardavam pelas decisões do tribunal sobre os vínculos laborais, os profissionais foram surpreendidos pelo anúncio público da passagem das marcas para uma nova estrutura.
O grupo contesta a forma como a transição foi apresentada, por considerar que transmite a ideia de continuidade dos títulos sem esclarecer o que acontece às obrigações da anterior detentora.
Os trabalhadores receiam que as responsabilidades associadas à atividade das revistas fiquem separadas das marcas e dos direitos de exploração agora assumidos pela DOTMEDIA.
Grupo pede intervenção das autoridades
Perante a situação, os profissionais apelaram à intervenção dos tribunais, do administrador de insolvência e das entidades reguladoras do setor.
O grupo considera necessário “impedir que mecanismos legais de insolvência e transmissões de marcas sejam utilizados para contornar obrigações legais e branquear o incumprimento de direitos laborais”.
No manifesto, os trabalhadores defendem ainda que “a impunidade em processos desta natureza não pode continuar a ser normalizada no tecido empresarial e no panorama dos media em Portugal”.
As acusações agora tornadas públicas deverão ser analisadas no âmbito do processo de insolvência, cabendo às entidades competentes apurar as responsabilidades e os créditos reclamados.
Equipa reivindica papel na construção das revistas
Os trabalhadores garantem que mantiveram as publicações em funcionamento até ao último dia de atividade da Masemba, apesar das dificuldades financeiras e da incerteza em torno do futuro profissional.
No manifesto, recordam que os títulos não são “meros ativos comerciais, logótipos ou chancelas editoriais”, mas “o resultado de anos de dedicação, talento e esforço humano”.
O grupo afirma que a equipa responsável pela reputação e pelo valor das marcas ficou “deixada para trás, desprotegida e sem garantias quanto ao recebimento dos seus direitos legais”.
Apesar da transição anunciada, os profissionais garantem que continuarão a reivindicar o reconhecimento do trabalho desenvolvido e o pagamento dos valores em dívida.
“Não permitiremos, contudo, que a história desta transição ignore o sacrifício e os direitos legítimos daqueles que foram o verdadeiro motor destas revistas”, concluem.
