Vírus Nipah coloca Índia em alerta máximo e OMS acompanha risco pandémico, dada a fatalidade do vírus.
Surto confirmado na região de Bengala Ocidental
A Índia encontra-se em estado de alerta máximo devido a um surto do vírus Nipah, identificado como uma possível ameaça pandémica. Até ao momento, foram confirmados cinco casos de infeção perto de Calcutá, a terceira cidade mais populosa do país.
O foco localiza-se no estado de Bengala Ocidental, levando as autoridades a ativar medidas de contenção imediatas. Segundo a agência Press Trust of India, três novos casos foram confirmados esta semana, juntando-se a dois já detetados anteriormente.
Profissionais de saúde entre os infetados
Entre os casos identificados encontram-se vários profissionais de saúde. Um médico e três enfermeiros do Hospital Multidisciplinar privado Narayana, em Barasat, cerca de 25 quilómetros de Calcutá, testaram positivo.
Narayan Swaroop Nigam, secretário principal do Departamento de Saúde e Família, confirmou que uma das enfermeiras se encontra em estado crítico e em coma. Acredita-se que a infeção ocorreu durante o tratamento a um doente com dificuldades respiratórias graves.
Rastreio alargado e quarentenas em curso
Entretanto, as autoridades iniciaram um rastreio de contactos em larga escala. Até agora, 180 pessoas foram testadas e 20 contactos de alto risco encontram-se em quarentena.
As duas enfermeiras infetadas desenvolveram sintomas iniciais entre a véspera de Ano Novo e 2 de janeiro. Os sinais incluíram febre alta e problemas respiratórios, segundo informações oficiais.
Características e transmissão do vírus Nipah
O vírus Nipah é uma zoonose transmitida de animais para humanos. Os morcegos frugívoros, comuns na Índia, são considerados os hospedeiros naturais. A transmissão pode ainda ocorrer através de porcos infetados ou por contacto direto entre pessoas.
Inicialmente, a infeção pode não apresentar sintomas. No entanto, evolui rapidamente para uma doença respiratória aguda. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dores musculares, vómitos e dor de garganta.
Nos casos mais graves, pode provocar inflamação cerebral. Nessas situações, o doente pode entrar em coma num período de 24 a 48 horas.
OMS acompanha risco de pandemia
Devido à elevada taxa de mortalidade, que pode atingir os 75%, e ao seu potencial epidémico, o vírus Nipah está sob vigilância da Organização Mundial da Saúde.
A OMS classificou o Nipah como um patógeno prioritário. O organismo internacional tem apelado a uma investigação urgente para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas, tanto para humanos como para animais.
Foto: NIAID
