
Pablo Hermoso de Mendoza triunfou no fecho de temporada no Campo Pequeno, esta sexta-feira.
A Praça de Touros do Campo Pequeno recebeu, esta sexta-feira, a sexta e última corrida do seu abono tauromáquico. Frente a touros da ganadaria António Charrua, actuaram Luís Rouxinol, Pablo Hermoso de Mendoza e João Moura Caetano, além dos Forcados Amadores de Arronches, Monforte e Académicos de Coimbra.
Texto: Rui Lavrador
Fotografia: Juan Andrés Hermoso de Mendoza
O tauródromo registou uma boa entrada de público, contudo sem esgotar. Um ambiente de festa e de quem se queria divertir e ver boas actuações, bons touros e boas pegas.
Luís Rouxinol abriu as actuações a um colaborante touro. O ginete desenvolveu uma actuação positiva, destacando-se pela brega e desenho das sortes. Dois ferros curtos de boa nota, pelo desenho e reunião, são o melhor destaque da sua lide.
Luís Marques, pelos Amadores de Arronches, concretizou a pega ao primeiro intento, sem dificuldade e de forma muito eficaz.
Volta para cavaleiro e forcado.
O segundo touro da corrida saiu com visíveis dificuldades de locomoção. Contudo, Pablo ignorou o toque dado a pedido do director de corrida. Cravou dois ferros compridos, o segundo já debaixo de muitos assobios do público. O director de corrida voltou a dar sinal para o touro ser recolhido, algo que desta vez aconteceu.
Assim, Pablo lidou aquele que seria o segundo touro do seu lote. O rejoneador navarro armou o alvoroço no público lisboeta. Uma brega de muitos quilates e sortes desenhadas de forma muito estética. As reuniões nem sempre resultaram cingidas, mas destacam-se o segundo e quarto ferros curtos como os melhores da sua actuação. Um touro com mobilidade, investida franca e bem apresentado.
João Falcão, pelos Amadores de Monforte, concretizou ao terceiro intento e quase que saiu da cara do touro.
Duas voltas para o rejoneador e uma para forcado e ganadeiro.
João Moura Caetano teve uma grande actuação, frente ao primeiro touro do seu lote. Começou por se dobrar muito em curto com o touro, cravou dois compridos e aumentou o nível da actuação na ferragem curta. Montando o Campo Pequeno, deu um recital de bem lidar, pecando apenas no momento de algumas reuniões.
Francisco Gonçalves, pelos Académicos de Coimbra, concretizou ao primeiro intento numa boa execução.
O quarto touro da corrida saiu com visíveis dificuldades de locomoção e sem equilíbrio algum. Público tributou forte assobiadela e o director de corrida mandou recolher o touro.
Assim, de forma a dar tempo de embolamento do segundo sobrero, actuou Pablo Hermoso de Mendoza.
Pablo lidou o primeiro sobrero, oferecido pela empresa e ganadeiro, com consentimento dos outros dois cavaleiros em cartel. Recordar que Pablo cravou dois ferros no primeiro touro, que estava lesionado, e segundo o Regulamento de Espectáculos Tauromáquico, não havia obrigatoriedade da empresa lhe ‘dar’ o sobrero para lidar.
Pablo Hermoso de Mendoza esteve em grande nível, com uma actuação de muita qualidade, destacando-se na exímia equitação, excelente brega, bom desenho das sortes e dois ferros com reuniões bem ajustadas. Uma actuação que deixou o público em êxtase.
Vítor Carreiras, pelos Amadores de Monforte, concretizou a pega ao segundo intento.
Duas voltas para Pablo (uma literalmente à arena) e uma para o forcado.
Luís Rouxinol teve uma segunda actuação de muito valor. O cavaleiro de Pegões enfrentou um touro inicialmente colaborante, mas que depois começou a ter querença em tábuas. A actuação evoluiu para patamar triunfal, na série de cravagens curtas, com o ginete a montar o Douro. Brega muito em curto, sortes bem desenhadas e reuniões cingidas. Terminou com um excelente par de bandarilhas e um palmito.
Pelos Amadores de Arronches, foi à cara Rodrigo Abreu concretizando ao quinto intento.
Agradecimento no centro da arena e volta à arena para o cavaleiro.
João Moura Caetano recebeu o touro à porta gaiola e dobrou-se com ele em curto, no centro da arena, num excelente início de lide. A lide ficou condicionada pela falta de força do touro e por este faltar ao momento das reuniões. Perante estes obstáculos, o cavaleiro acabou por ter uma actuação positiva, contudo sem romper. Sortes desenhadas de frente e praça a praça, dando vantagem ao touro, contudo a pecar nas reuniões. Desenhou ainda uma sorte em curto, de frente e com reunião a resultar mais ajustada.
João Tavares, pelos académicos de Coimbra, concretizou a pega ao primeiro intento.
Volta para cavaleiro, forcado e ganadeiro. Forcado com mais um agradecimento no centro da arena.
Esteve em disputa o troféu para melhor pega, com o júri a ser constituído pelos 3 cabos dos grupos actuantes. O prémio foi um livro, Forcado, da autoria de Francisco Romeiras e Joaquim Grave.
A melhor pega foi atribuída a João Tavares, pelos Académicos de Coimbra, ao sexto touro da corrida.
O curro de Charrua teve muito boa apresentação, pecando em alguns touros ao nível do comportamento e força.
Corrida dirigida pelo delegado técnico tauromáquico Fábio Costa, assessorado pelo médico veterinário Jorge Moreira da Silva. José Henriques foi o cornetim de serviço.

