Simone de Oliveira: “Mesmo que nos violassem, não os iríamos denunciar”, referiu em entrevista a Júlia Pinheiro.

Simone de Oliveira viajou até Angola para animar as tropas portuguesas na Guerra Colonial, no final dos anos 60, e fez um acordo com as três colegas que a acompanharam que, mesmo em caso de violação, não iriam fazer denúncias.
Na altura, Simone tinha 23 anos e foi cantar para os militares portugueses que não viam as famílias há muito tempo.
Ciente de que poderiam ser atacadas sexualmente por algum deles, as artistas chegaram a um acordo secreto para que, mesmo em caso de violação, não os iriam denunciar, pois o mais provável é que fossem castigados com a morte.
“Nós tínhamos feito um pacto pelas quatro mulheres: acontecesse o que acontecesse, se alguém se tivesse metido connosco, e não temos isto para dizer de ninguém, nós calaríamos porque eles eram encostados à parede e fuzilados (…) Fizemos esse pacto. Nós não abriríamos a boca“, disse em conversa com Júlia Pinheiro.
“Rigorosamente ninguém se meteu connosco. Não temos isto para dizer de ninguém“, garantiu.
“Ai, agora pôs-me uma pedra dentro… Que horror pensar numa coisa dessas. E era tão novinha“, reagiu Júlia Pinheiro.
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