Fátima Campos Ferreira terá o seu primeiro natal sem o marido e abordou o tema.

Fátima Campos Ferreira esteve à conversa com Júlia Pinheiro e falou sobre o lançamento do seu livro cerca de um mês depois do falecimento do seu marido.
“Ele queria! Tinha lido o livro de trás para a frente. Com a generosidade dele, achava que eu até nem escrevia mal, que escrevia muito bem”, disse sobre o livro “O infinito está nos olhos do outro”.
“O livro estava feito há muito tempo”, acrescentou Fátima Campos Ferreira, referindo que, entretanto, foi contactada por uns editores.
“Eu apresentei o livro. Era mais uma missão que eu tinha de fazer até porque era uma resposta para a minha mãe”, destacou, explicando que o livro homenageia os pais e as raízes.
“Eu tinha noção de que ele quereria que eu, realmente, de uma vez por todas, publicasse o livro. Quando nós temos perdas, eu tenho a noção de que é preciso ir para a frente, porque, se eu me deixo ir para trás, então, acabo ali. Se me entregar, tenho a noção que fico por ali”, disse Fátima Campos Ferreira, contou, tendo feito o mesmo na altura dos seus pais.
“Essa é a minha saída para as coisas”, justificou.
“Claro que agora no final do ano está um bocadinho mais complicado, mas a vida é para viver e também há coisas muito positivas e sabemos que quem parte a coisa que mais quer é que nós nos mantenhamos cá enquanto pudermos, porque essa é a finalidade do amor. É querer que o outro esteja bem, que fique bem”, continuou.
“As coisas importantes não se falam. Digamos que há muitos silêncios cúmplices, portanto, até porque eles [filhos] têm a noção de que não foi fácil para mim escrever, deitar cá para fora estas memórias. A memória é a única grande vitória sobre o tempo. (…) A transmissão da memória tem de ser feita. Eu gosto da memória. É uma coisa que nos projeta para o futuro porque é a partir dessa memória que eu vou construir o futuro”, rematou Fátima Campos Ferreira.

