Maninho: ‘Sem limites’ é ouro e luz e antes do lançamento do novo disco, falámos com o artista sobre este novo trabalho.
Entrevista: Rui Lavrador / Fotografia: Diogo Nora
Phelipe Ferreira, conhecido artisticamente como Maninho, é um talentoso músico brasileiro que se estabeleceu em Portugal há vários anos.
Inicialmente reconhecido como um dos melhores guitarristas do país, colaborou com artistas de renome como Mariza, Héber Marques e Bárbara Bandeira.
Porém, durante a pandemia, Maninho decidiu explorar suas habilidades vocais, o que resultou numa rápida transição para a carreira solo.
Em menos de três meses, assinou contrato com a Warner Music e lançou o single “Pode Tentar”, em 2021.
A canção tornou-se um dos maiores sucessos nos últimos anos, alcançando o galardão de Dupla Platina e permanecendo por um ano entre as músicas mais ouvidas nas plataformas digitais e mais tocadas nas rádios.
Maninho: A gargalhada e o Abraço
De gargalhada e abraço fácil, feito de afectos e música, Maninho veio para ficar e acaba de lançar um disco intitulado ‘Sem Limites’, em que qualquer uma das canções tem potencial para tornar-se um ‘hit’. Algo raro, mas – analisando friamente o seu percurso – nada surpreendente. Se o talento ajuda, e muito, é a capacidade de trabalho que o levará ao topo. Maninho, ou Phelipe Ferreira, tem ambos em doses generosas.
Ontem, um dia antes do lançamento do disco, o músico concedeu uma entrevista ao Infocul.pt na qual abordou o disco e também falou do lado mais pessoal.
Este disco demorou-te algum tempo a fazer. Foi-te criando algumas inseguranças, aliás revelaste isso também nas tuas redes sociais. Agora que ele deixa de ser teu e passa a ser de todo um público, como é que te sentes?
Sinto-me completamente feliz e realizado. Ou seja, este foi um disco com muita entrega, muito amor, muito carinho também. E foi longo o processo, mas eu acho que tudo valeu a pena e agora passou a ser do mundo e não só meu. Isso é uma honra e uma benção.
Numa publicação que fizeste, falaste da importância da família, dos filhos, da tua companheira. E houve aqui uma parte de um tema que eu achei profundamente bonito, “Eu sei que a vida te fez para mim, a minha ausência quase que foi o nosso fim”. Isto faz parte do tema Fica Comigo.
Certo.
A Mulher e as filhas são a inspiração de tudo
A tua mulher, além de ser o suporte da família, de estar mais próximo dos filhos também devido à tua ausência em trabalho, acaba por ser uma inspiração para a música?
Claro que sim, ela e as minhas filhas são a inspiração de tudo. Elas são o meu pilar, são a minha base e eu passo tanto tempo fora e depois quando volto a casa tenho esta alegria de elas me receberem e isso para mim faz tudo valer a pena.
Neste disco, qual é a tua principal mensagem? Porque, por exemplo, em termos melódicos, tu tens ali várias influências… Isso também é devido a todo o teu percurso e aos músicos com quem tu foste cruzando ao longo do caminho?
Não só, mas também. Ou seja, eu quando me lancei a solo, eu comecei com o Pode Tentar e depois lancei Vem Pra Cá, que é uma vibe mais ou menos semelhante. A música correu muito bem também, o Vem Pra Cá, mas não foi assim tão grande, mas eu não quero ter um rótulo, ou seja, de um estilo só.
Eu quero ser o Maninho que canta várias canções e que faz a canção pela canção, não pela vibe de um só estilo musical.
Maninho: “o amor é a base de tudo”
No teu percurso, qual é a importância do amor para aquilo que é o teu trabalho? Porque, acima de tudo, há muitos bons artistas, há pessoas que escrevem bem, há outras que compõem bem, mas tu acabas por ser quase uma espécie de tudo e este disco sai-te francamente muito bem. Aquilo que eu pergunto é qual é a importância do amor nisto tudo, porque obviamente tens de fazer concertos, também acompanhas instrumentalmente a Mariza, depois tens de ser pai, tens de ser marido, e no meio disto tudo, onde é que fica o Maninho?
O Maninho ou o Phelipe Ferreira?
Falemos então do Phelipe.
Estou a brincar.
Então responde como Phelipe.
O Phelipe é uma pessoa comum, como as outras, mas que se baseia muito na família e eu acho que o amor é a base de tudo e é uma verdade que eu acho que eu consegui transportá-lo para o melhor meio de transporte que existe para chegar às pessoas, que é a música.
E eu acho isso uma benção enorme, porque o amor contado em várias histórias diferentes e em vários momentos, eu acho que as pessoas vão se identificar em vários momentos da vida, em cada canção, com relações diferentes, com pessoas diferentes, ou mesmo com amizades, com qualquer coisa. Eu acho que o amor baseia-se em tudo.
Para 2025, este disco que já está cá fora, já conhecemos alguns temas, como por exemplo Até ao Fim, inclusive já o interpretaste na maior sala de espetáculos do país.
É verdade.
Mas já lá vamos. Para 2025, como é que está a tua agenda de concertos e o que é que podemos esperar? Agora garantidamente vão sair várias canções deste disco. Lembra Você vai ser o single?
Sim.
Lembra Você: “Se calhar é a canção do disco com mais verdade, e eu acho que isso vai chegar às pessoas”
Por que esta canção para single?
É assim, Lembra Você é uma música que eu comecei a fazer para a Inês, para a minha mulher, e na altura não saberíamos se ia ser single ou não, mas eu acho que a canção tem uma vibe tão incrível, tão esperançosa, tão nostálgica até também, e decidimos que fosse o single, e até o videoclipe a Inês também vai aparecer, posso já revelar isso, e é uma canção com muita verdade. Se calhar é a canção do disco com mais verdade, e eu acho que isso vai chegar às pessoas dessa maneira, com verdade.
Estas canções são facilmente identificáveis por várias pessoas, e de diferentes idades e diferentes estratos sociais.
Muito obrigado.
As histórias que tu contas são muito quotidianas, isto não é negativo de todo, antes pelo contrário.
E são bem visuais, não é, até?
São muito visuais, é muito fácil tu identificares-te com a letra, além de que as partes melódicas, considero que são muito orelhudas.
Obrigado. Que honra. Obrigado mesmo.
Agora, aquilo que eu te queria perguntar é, quando estás a compor, a escrever, quando estás a gravar um disco, tu pensas na forma como os outros vão reagir, e na forma como aquilo pode ser aceite ou não, ou simplesmente a base é aquilo que tu sentes e aquilo que tu queres transmitir?
É aquilo que eu sinto e aquilo que eu quero transmitir. Mas eu também consigo-me colocar do lado do público e perceber como é que o público vai receber a canção. Mas principalmente o fazer e o criar é por aquilo que eu sinto.
Alguma canção que tenhas lançado até hoje, que agora olhando para trás, não tivesses feito?
Não. Acho que não. Eu não me arrependo, só me arrependo daquilo que não fiz.
Para remate, tiveste um momento extraordinário em dezembro passado, na MEO Arena.
Sim.
A importância de Mariza: “para mim é uma bênção e uma honra acompanhá-la”
Interpretaste dois temas no concerto da Mariza, e aquilo que eu te pergunto é, por norma quando há um convidado especial, nem sempre é fácil manter a vibe de todo o concerto. Há sempre ali uma diferença. Tu não só conseguiste manter a vibe como conseguiste meter as pessoas todas a cantar contigo. Aquilo que eu te pergunto é, como é que durante um concerto estás na parte instrumental, portanto atrás da artista principal, depois passas para a frente, manténs a vibe, depois voltas atrás, e emocionalmente, como é que tu geriste todo aquele momento?
É assim, eu estava muito nervoso. Para já admito isso. Estava muito nervoso, porque para já, entrar assim a meio de um concerto da Mariza, que é uma senhora, é uma rainha, e todos nós sabemos, na música nacional ela é um nome completamente sonante para todo o mundo. É a maior, completamente. E para mim é uma bênção e uma honra acompanhá-la, e ela convidar-me para ir ao concerto dela cantar, eu não tenho palavras para descrever, e agradecer, mas foi um momento assim, arrebatador mesmo.
Quem é o doutor [nome de uma das canções] do disco?
O doutor? O doutor não é o meu sogro, mas é para um sogro qualquer.
Se tivesses de te definir só numa única palavra, qual é que seria?
Persistência.
