Júlio Iglesias Jr. no Casino Estoril: Uma Experiência que Ficou a Meio Caminho, infelizmente e ao contrário do que seria esperado.
Texto: Rui Lavrador / Fotografias: Diogo Nora
O Casino Estoril recebeu ontem o espetáculo “Julio Iglesias Experience”, protagonizado por Júlio Iglesias Jr., num tributo à vasta e intemporal discografia do seu pai.
A proposta, à partida ambiciosa, tinha como ponto de partida um alinhamento que percorreu algumas das canções mais emblemáticas do legado de Julio Iglesias, cruzando línguas, décadas e geografias afetivas.
Enorme banda!
O espetáculo contou com uma banda de excecional qualidade, composta por músicos experientes como Hélder Godinho, David Jerónimo, Pedro Pinto, Eduardo Faustino, Paulo Bispo, Ruca Rebordão, André Conde, Zequinha e Sérgio Charrinho, cujo trabalho elevou substancialmente a dimensão musical da noite. Tecnicamente rigorosos e equilibrados, foram eles os verdadeiros pilares da apresentação.
Os momentos de maior solidez musical aconteceram, em grande parte, graças ao suporte vocal de Diana Silveira, Joana Silva, Rita Rice e Francisco Vicente, que garantiram alguma consistência em interpretações como “All of You”, “Fragile” e “Can’t Help Falling in Love”.
[Best_Wordpress_Gallery id=”7981″ gal_title=”Julio Iglesias Jr-CasinoEstoril-2025″]Julio Iglésias Jr!
No entanto, a prestação de Júlio Iglesias Jr. ficou aquém do esperado. A distância vocal entre pai e filho é significativa, não apenas em termos de timbre ou expressividade, mas sobretudo na capacidade de sustentação interpretativa. A sua performance revelou dificuldades recorrentes no inglês, falhas de compasso e episódios de instabilidade na afinação que afetaram a fluidez do espetáculo.
Num alinhamento extenso, que incluiu temas como “Por el amor de una mujer”, “Manuela”, “To All the Girls” e “Me Olvidé de Vivir”, as falhas tornaram-se particularmente evidentes nos momentos em que se exigia maior entrega emocional ou domínio técnico.
Julio Iglesias Jr. no Casino Estoril: Aquém!
Não se tratou de um concerto desastroso, mas foi notório que o espetáculo viveu mais do que o rodeava do que do seu centro. O público pôde ouvir músicas queridas, bem tocadas e respeitadas pela banda, mas a ligação entre o intérprete e o repertório pareceu, em vários momentos, forçada.
No final, o concerto acabou por valer sobretudo pela excelência dos músicos em palco. O resto, não tendo comprometido por completo a experiência, ficou muito longe de honrar com autenticidade o legado de quem lhe deu nome.
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