Benfica dá seis ao Hearts e confirma subida de forma na Luz

Benfica dá seis ao Hearts e confirma subida de forma na Luz, na noite desta quinta-feira, em jogo da Liga Europa.

Fotografias: Rui Pereira

O Benfica continua a crescer na temporada e, desta vez, deixou uma imagem difícil de ignorar. Os encarnados venceram o Hearts por 6-1, na Luz, num encontro em que foram muito superiores durante largos períodos e onde começaram a tornar mais visível aquilo que Marco Silva procura para a equipa.

A diferença relativamente ao encontro menos conseguido diante do St. Gallen é acentuada. Depois dos cinco golos marcados aos suíços, o Benfica voltou a apresentar poder ofensivo, mas o resultado não foi o único dado positivo da noite. Houve pressão alta, maior rapidez na recuperação da bola, capacidade para mudar o corredor de jogo e uma atitude agressiva sempre que o Hearts tentou sair desde trás.

Ainda há arestas por limar e o próprio encontro mostrou alguns momentos de quebra. Ainda assim, nesta fase da preparação, a evolução coletiva começa a ganhar consistência.

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O reencontro com o Hearts aconteceu 66 anos depois de os dois clubes se terem cruzado no percurso que conduziu o Benfica ao primeiro título europeu. A equipa escocesa, que discutiu o campeonato do seu país até muito perto do fim na última temporada, encontrou agora uma formação encarnada claramente superior.

Rafa abriu cedo uma primeira parte quase toda encarnada

Marco Silva viu a equipa entrar no jogo exatamente com a intensidade que procura.

Aos três minutos, Rafa colocou o Benfica em vantagem e deu expressão a um início em que praticamente só se jogava perto da baliza escocesa. Os encarnados recuperavam rapidamente a posse e não permitiam que o Hearts tivesse tempo para organizar a saída.

O adversário apresentou-se em 4x4x2 e tentou pressionar em zonas adiantadas, mas encontrou dificuldades para acompanhar a circulação do Benfica. Tomás Araújo e Lenglet tiveram importância no início da construção e recorreram várias vezes a passes diagonais para encontrar espaço no lado contrário.

Nas faixas, Bah e Samuel Dahl deram largura e apareceram frequentemente associados a Rafa e Prestianni. O argentino voltou a assumir protagonismo pela mobilidade e pela forma como procurou espaços entre linhas.

O domínio podia ter resultado numa vantagem maior muito mais cedo. O Hearts apenas conseguiu construir uma situação ofensiva com alguma continuidade já depois do primeiro quarto de hora.

O segundo golo apareceu posteriormente através de Tomás Araújo. Na sequência de um pontapé de canto cobrado por Sudakov, o defesa-central ganhou o duelo aéreo e cabeceou para o fundo da baliza.

O regresso de Tomás Araújo deixou, aliás, sinais muito positivos. Para além do golo, o central revelou qualidade com bola e capacidade para acelerar a construção a partir de zonas recuadas.

O Benfica também mostrou o que ainda precisa de corrigir

Nem tudo correu sem falhas.

Depois do 2-0, o ritmo baixou e o Hearts conseguiu finalmente aproximar-se da área de Samuel Soares. Aos 34 minutos, uma saída menos conseguida do guarda-redes benfiquista deixou Mendy em posição para cabecear à barra.

Foram minutos que voltaram a revelar uma tendência que Marco Silva certamente quererá eliminar: quando a intensidade diminui, a equipa ainda recorre demasiadas vezes à circulação para trás e perde capacidade para romper linhas através da primeira receção.

A resposta, ainda assim, chegou antes do intervalo.

Sudakov e Prestianni combinaram junto da área, o argentino acabou derrubado e o árbitro assinalou grande penalidade. Pavlidis assumiu a cobrança e fez o 3-0.

O resultado ao intervalo traduzia a superioridade do Benfica, embora também escondesse alguns minutos em que o Hearts conseguiu respirar quando os encarnados deixaram de pressionar com a mesma agressividade.

Prestianni voltou a deixar argumentos

O início da segunda parte foi mais equilibrado.

A alteração promovida pelo Hearts permitiu aos escoceses ter mais bola, enquanto o Benfica perdeu alguma proximidade entre setores. Sudakov também não conseguiu dar sempre a velocidade necessária à circulação e o jogo entrou numa fase de menor domínio encarnado.

Foi precisamente aí que Prestianni voltou a aparecer.

Um passe arriscado de Renaud foi intercetado pelo argentino, que aproveitou o erro e concluiu a jogada com um remate de enorme qualidade para o 4-0.

Mais do que o golo, a exibição de Prestianni voltou a reforçar a ideia de que o extremo quer aproveitar esta pré-temporada para reclamar espaço. Esteve ligado a vários dos melhores momentos ofensivos, sofreu a grande penalidade convertida por Pavlidis e acrescentou um golo à atuação.

Marco Silva começou então a mexer na equipa. Ríos entrou para o lugar de Barrenechea, Schjelderup substituiu Sudakov e Durán rendeu Pavlidis.

As mudanças alteraram também algumas posições. Schjelderup apareceu pela esquerda, Prestianni passou para o corredor direito e Rafa aproximou-se de Durán, enquanto Ríos se juntou a Leandro Barreiro no meio-campo.

A adaptação não foi imediata.

O Benfica perdeu alguma organização sem bola e o Hearts aproveitou para reduzir aos 72 minutos. Pouco depois, os escoceses ainda ameaçaram através de um livre direto, naquele que acabou por ser o último período verdadeiramente favorável à equipa visitante.

Schjelderup entrou e mexeu no final do encontro

Com o passar dos minutos, os jogadores lançados por Marco Silva começaram a encontrar posições e o Benfica recuperou o controlo.

Durán ainda desperdiçou uma ocasião em que poderia ter servido Schjelderup, melhor colocado, mas acabaria por marcar pouco depois.

A jogada do quinto golo foi uma das melhores construções coletivas da noite. O Benfica saiu rapidamente para o ataque, Schjelderup apareceu no momento certo para assistir e Durán concluiu para o 5-1 aos 87 minutos.

O norueguês ainda voltaria a assumir protagonismo.

Já perto dos 90 minutos, lançou Rafa com um passe que deixou o internacional português em posição para rematar ao poste. Nos descontos, uma mão de McEntee originou nova grande penalidade e Schjelderup assumiu a responsabilidade, fechando o resultado em 6-1.

Marco Silva recebe boas respostas, mas o plantel ainda não parece fechado

A goleada deixou indicadores positivos, mas também algumas pistas relativamente às decisões que podem marcar as próximas semanas.

Trubin e Lukebakio permaneceram no banco e a utilização dos dois internacionais continuará a ser acompanhada num momento em que o mercado ainda pode provocar alterações no plantel.

No centro da defesa, o regresso de Tomás Araújo foi uma das melhores notícias da noite. Ainda assim, a entrada de Manu Silva para o lugar de Lenglet voltou a mostrar que Marco Silva não dispõe de muitas soluções naturais para o eixo defensivo.

A chegada de mais um central continua, por isso, a fazer sentido na construção do plantel.

Também no meio-campo existe margem para acrescentar experiência. Leandro Barreiro, Richard Ríos, Aursnes e Barrenechea oferecem diferentes características, mas uma opção com maior autoridade e capacidade de controlar diferentes momentos do jogo poderia acrescentar outras soluções ao treinador.

Há ainda decisões individuais por tomar, entradas que poderão acontecer e jogadores cuja situação dependerá do mercado. O que já parece bastante mais definido é a identidade que Marco Silva tenta implementar.

Este Benfica quer recuperar a bola depressa, jogar perto da baliza adversária e manter a equipa subida durante largos períodos. Quando consegue fazê-lo, como aconteceu durante grande parte da partida com o Hearts, torna-se difícil de travar.

Quando baixa a intensidade ou perde distâncias entre setores, ainda concede demasiado espaço.

É precisamente essa diferença entre os melhores e os piores minutos que terá de diminuir antes de começarem os jogos que contam.

O 6-1 não transforma uma pré-temporada numa garantia para aquilo que vem a seguir. Mas, depois de uma preparação iniciada com algumas dúvidas, o Benfica começa a apresentar futebol suficientemente consistente para que Marco Silva possa elevar a exigência.

E, olhando para aquilo que já conseguiu melhorar, também terá legitimidade para pedir à SAD as peças que ainda considera necessárias.

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