Coliseu de Lisboa rendido a António Zambujo, Camané e Ricardo Ribeiro com ‘E Agora Fado’

Coliseu de Lisboa rendido a António Zambujo, Camané e Ricardo Ribeiro com ‘E Agora Fado’, realizado na noite de ontem.

Fotografias: Diogo Nora

Uma noite que devolveu ao fado o lugar de espetáculo absoluto

Na noite desta quinta-feira, 13 de novembro, o Coliseu dos Recreios voltou a provar porque é um dos palcos mais emblemáticos do país. O espetáculo “E Agora Fado”, que assinalou o reencontro ao vivo de António Zambujo, Camané e Ricardo Ribeiro, encheu a sala até ao último lugar e transformou Lisboa numa verdadeira casa de fados de luxo.

Desde os primeiros acordes que se percebeu que não seria apenas mais um concerto, mas sim uma celebração profunda da alma fadista, construída a três vozes que há muito fazem parte da história viva da música portuguesa.

Três vozes, uma mesma emoção

Logo nos primeiros minutos, o público percebeu a força do reencontro. Depois do sucesso dos concertos dedicados à música brasileira em 2023, os artistas surgiram agora unidos pelo género que os tornou incontornáveis.

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Em palco, a cumplicidade foi evidente. E, ainda antes da metade do concerto, já o ambiente estava totalmente entregue às vozes que conduziam esta viagem pela tradição e pela modernidade do fado.

Com eles estiveram José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Bernardo Saldanha (viola de fado) e Daniel Pinto (baixo), que acrescentaram textura e profundidade a um alinhamento pensado ao detalhe.

Um alinhamento que atravessou o fado de ponta a ponta

Assim que o primeiro silêncio se abriu na sala, uma sucessão de fados clássicos e composições originais começou a desenhar uma noite memorável. Cada interpretação arrancou aplausos espontâneos, e houve momentos em que o silêncio foi tão completo que se escutavam apenas as respirações presas do público.

Entre as interpretações que mais marcaram a noite, estiveram:

  • Nasceu Assim
  • Nem às Paredes Confesso
  • Rosinha dos Limões
  • Porta do Coração
  • Pechincha
  • Senhora do Livramento
  • Súplica
  • Flagrante
  • Fadinho Alentejano
  • Pica do 7
  • Mondadeiras
  • Sei de um Rio
  • Meu Alentejo
  • Saudades Trago Comigo
  • Abandono
  • Fado da Tristeza
  • Tirai os Olhos de Mim
  • Lenda das Rosas
  • Medley de Marchas
  • Mouraria

Cada tema trouxe uma emoção diferente. Uns fizeram da sala um espaço de recolhimento quase íntimo. Outros transformaram-na numa festa popular, com o público rendido, a acompanhar ritmos e histórias que fazem parte da memória coletiva portuguesa.

Uma homenagem ao fado que emocionou gerações

Por todas estas razões, o concerto “E Agora Fado” não foi apenas um reencontro entre três grandes artistas ligados ao fado. Foi, sobretudo, um reencontro do público com o fado na sua essência mais profunda: aquela que une tradição, verdade, emoção e entrega total.

E, para quem assistiu, uma certeza ficou: Lisboa viveu ontem uma noite que ficará na história do Coliseu — e no coração de todos os que testemunharam esta viagem pelo fado em todas as suas formas.

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