Tragédia de 1998 marcou família de Filipe Delgado: avô morreu em explosão que chocou o país, segundo foi revelado.
Um passado pesado por detrás da leveza no programa
Na 1.ª Companhia, Filipe Delgado tem sido associado a momentos de boa disposição e empatia. No entanto, fora do registo televisivo, o cantor carrega uma perda familiar profundamente marcante.
O avô materno de Filipe Delgado morreu na sequência de uma explosão ocorrida em 1998, um acidente que teve forte impacto mediático e que ficou gravado na memória coletiva dos portugueses.
Explosão aconteceu em Lisboa e fez várias vítimas
O acidente ocorreu a 6 de novembro de 1998, na Fábrica da Pólvora Paulo Inácio, unidade dedicada ao fabrico e armazenamento de produtos explosivos, como cartuchos.
O avô do cantor, já reformado, tinha regressado ao ativo cinco anos antes, após aceitar um convite de um amigo para ali trabalhar. Essa decisão acabou por ser fatal.
A explosão provocou a morte de três pessoas e causou danos extensos em edifícios num vasto perímetro.
Relato da mãe expõe choque e silêncio inicial
Em declarações exclusivas à TV 7 Dias, a mãe do artista, Teresa Delgado, recordou o impacto devastador da notícia. Segundo explicou, soube do sucedido enquanto trabalhava no seu salão.
Relatou: “Foi um choque muito grande mesmo. Quando eu recebi a notícia estava a trabalhar no meu salão”, acrescentando que, inicialmente, nem sequer lhe explicaram o que tinha acontecido.
A confirmação começou a surgir de forma indireta, através das notícias na rádio, já no regresso a casa.
Crianças protegidas da dimensão da tragédia
Na altura, Filipe Delgado e a irmã encontravam-se em casa a fazer os trabalhos da escola, com a televisão ligada. Para os proteger da violência das imagens, os pais optaram por desligar o aparelho.
Segundo Teresa Delgado, disseram-lhes apenas que o avô tinha sofrido um acidente, mantendo a esperança de que tudo terminasse bem. As crianças foram depois encaminhadas para casa de familiares, enquanto os pais se dirigiram ao local.
Corpo encontrado apenas no dia seguinte
O desfecho foi particularmente doloroso. O avô de Filipe Delgado não foi encontrado no próprio dia da explosão, tendo ficado soterrado.
Teresa recordou: “O meu pai não foi encontrado nesse dia, ficou soterrado, foi só encontrado no dia seguinte perto do meio-dia. Foi um drama muito grande”.
Violência da explosão sentida a quilómetros
A força da explosão foi tal que causou estragos significativos em habitações num raio de cerca de dois quilómetros. Um morador relatou que o seu “pobre cão (que estava na varanda) foi projetado contra a porta”.
Houve janelas destruídas, paredes com rachas e viaturas danificadas a centenas de metros do local.
Justiça apontou falhas graves de segurança
De acordo com um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, datado de 2003, o acidente terá sido provocado por violações graves das normas de segurança.
No documento, é referido que as máquinas continham mais de 50 quilos de pólvora nos alimentadores, quando a lei apenas permitia dois quilos. Além disso, os depósitos encontravam-se demasiado próximos entre si, em clara violação da legislação em vigor.
O sócio-gerente maioritário da empresa foi acusado de três crimes de homicídio por negligência.
Processo sem desfecho conhecido
Apesar do caso ter seguido para tribunal, Teresa Delgado afirmou que nunca chegou a existir uma conclusão clara.
Segundo garantiu, “ficou tudo sem haver conclusão”, deixando em aberto um processo que marcou profundamente a família e que continua a ser uma ferida emocional.
Assim, por detrás da presença leve de Filipe Delgado no programa da TVI, existe uma história de perda, trauma e memória ligada a uma das explosões industriais mais marcantes dos anos 90 em Portugal.
