Sérgio Godinho leva “Canções de Amor” ao Campo Pequeno e ao Coliseu do Porto

Sérgio Godinho leva “Canções de Amor” ao Campo Pequeno e ao Coliseu do Porto, em concertos pensados ao detalhe.

Concertos integrados no Festival Montepio Às Vezes o Amor acontecem a 13 e 15 de fevereiro

Sérgio Godinho prepara dois concertos especiais dedicados ao amor, integrados no Festival Montepio Às Vezes o Amor.

Assim, o músico sobe ao palco do Campo Pequeno, em Lisboa, a 13 de fevereiro. No dia 15, atua no Coliseu do Porto.

Contudo, não serão concertos habituais. A promessa é de renovação no alinhamento e nos arranjos.

Repertório dedicado ao amor… em sentido lato

Desde logo, o espetáculo parte de uma base específica. Há uma seleção de temas associados ao universo das canções de amor, incluindo temas já editados e outros recuperados.

“O que está a ser preparado é um espetáculo que é muito renovado, visto que é concentrado numa recolha das Canções de Amor, por um lado que estavam no meu disco Biografias do Amor, mas que tem acrescentos, inclusive a canção Às Vezes o Amor, que é de 2006.”

Ainda assim, o próprio conceito de “canção de amor” é elástico para o artista.

“Isto é atenção, é um termo muito lato, porque não é… Muitas vezes estou no limite daquilo que é uma Canção de Amor, além de que o desamor também está incluído nisso, mas também em outras canções.”

Destacou que muitas das suas canções podem ser encaradas como sendo de amor, mas também sobre outras temáticas da vida.

Por conseguinte, o alinhamento cruza romance, desilusões e até reflexões sociais.

Canções antigas ganham nova vida

Além disso, Sérgio Godinho quis revisitar músicas menos tocadas ao vivo. Algumas ficaram anos fora dos palcos.

Agora regressam com novos arranjos.

“Mas eu gosto de mexer nessa oportunidade toda, e sobretudo revitalizar, não é? E o que acontece é que havia muitas canções que eu nunca cantava… Não cantava há muito tempo, ou que cantei uma ou duas vezes, e que tenho um grande prazer em trazê-las à tona, chamamos-lhe assim.”

Consequentemente, o espetáculo assume um caráter de redescoberta, tanto para o público como para o próprio músico.

Banda renovada e ensaios intensivos

Entretanto, há também mudanças na equipa. A formação é parcialmente nova, o que obrigou a um processo mais intenso de preparação.

“E, portanto, ainda por cima, estamos a ensaiar intensivamente, porque tenho um grupo, uma banda renovada, o Nuno Rafael e o Sérgio Nascimento. O Nuno Rafael é um dos… Enfim, um dos que está à frente da banda inteira, e depois o outro que está à frente é o António Quintino, que é alguém com quem eu já interagi, que é um contrabaixista de origem, mas que é um multi-instrumentista, e vários outros elementos.”

E reforça:

“Portanto, estamos a ensaiar uma coisa que para mim é muito estimulante, que é uma coisa nova, com as minhas canções, muitas vezes com arranjos um pouco diferentes, e isso também para mim é muito estimulante, porque eu não gosto de ficar sempre na rotina.”

Assim, a novidade funciona como combustível criativo.

O palco como verdadeira casa das canções

Por outro lado, questionado sobre a energia dos concertos, Sérgio Godinho fala numa transformação quase mágica quando sobe ao palco.

Para si, é ali que as músicas atingem a plenitude.

“Não, eu acho que é uma coisa mágica no palco, aquela transposição de um ser privado para um ser público, porque é quando as canções estão realmente acontecendo na sua plenitude. Eu acho que a canção… Eu tem uma relação muito ambígua com a gravação.”

E acrescenta:

“Quando está feito já estamos fortes das canções, antes de recuperar o prazer delas, e depois quando vamos para o palco, aí sim. Aí pode-se dizer que é a verdadeira função da canção. Aí não há repetições. Aí não há repetições, mas pode haver enganos e também tem que ser assumido quando acontece”, disse divertido.

Deste modo, cada concerto torna-se irrepetível.

Futuro aberto e foco na escrita

Por fim, o músico prefere não fazer grandes planos a longo prazo. O futuro, diz, constrói-se à medida que acontece.

“Eu não sei, futuro é futuro. Eu vou sendo surpreendido com aquilo que vai acontecendo. Eu próprio vou-me surpreendendo.”

Entretanto, mantém-se ativo na literatura, com novos projetos em desenvolvimento.

Em suma, Lisboa e Porto recebem dois concertos pensados ao detalhe, mas abertos ao risco. Entre memórias, amor e reinvenção, Sérgio Godinho volta a provar que o palco continua a ser o seu território natural.

Foto: João de Sousa / Infocul.pt

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