Julgamento de António Pedro Cerdeira avança: testemunhas falam em discussões, mas dizem “não vi agressões”, sobre o caso.
Testemunhos marcam nova fase do julgamento
O julgamento de António Pedro Cerdeira, acusado de violência doméstica agravada contra Susana da Silva, continua no Tribunal de Sintra com novos depoimentos.
De acordo com relatos das últimas sessões, várias testemunhas indicadas pelo Ministério Público apresentaram uma posição semelhante. A expressão repetida foi clara: “Não vi agressões”.
Marina Mota fala em relação “normal”
Entre os testemunhos mais mediáticos, destacou-se o de Marina Mota. A atriz começou por mostrar surpresa com a sua presença em tribunal.
“Não percebo porque estou aqui”, afirmou.
Sobre o que presenciou, descreveu uma convivência aparentemente tranquila:
“Vi sempre uma relação normal”.
Ainda assim, recordou um momento de tensão durante uma viagem:
“Fui no carro com eles e lembro-me de terem uma discussão, já no regresso a casa. Lembro-me do António dizer: ‘Susana estás bêbada, como sempre’. Não consigo lembrar-me de mais nada, mas essa frase ficou-me na memória. Tentei até dizer-lhes para terem calma, mas são coisas vagas na minha memória. Não era um monólogo, era uma discussão entre duas pessoas. Não conheço a Susana o suficiente para saber se bebia ou não com frequência. Não a vi a vomitar, cambalear, nada. Foi a única situação. De resto, vi sempre uma relação normal.”
Outros relatos apontam conflitos verbais
Por outro lado, outras testemunhas confirmaram a existência de discussões, mas sem violência física.
Ana Cristina Barros referiu um encontro com o casal:
“Vi que não tinham um relacionamento fantástico, mas não vi nada que possa ser relevante”.
E acrescentou:
“Nunca vi marca nenhuma”.
Apesar disso, revelou ter recebido uma mensagem da queixosa a denunciar alegadas agressões.
Episódio com malas expõe momento de tensão
Um dos momentos mais detalhados surgiu com o relato de Odília Bento, que descreveu uma noite particularmente tensa.
“Quando chegámos, o António não estava e ela tinha as malas no jardim”, começou por dizer.
Segundo a testemunha, a situação agravou-se rapidamente:
“Partiu os vidros para entrar. Ela estava fora de si. Nunca vi ninguém assim. Liguei ao António, que voltou e chamou a GNR. Ele não entrou em casa enquanto ela lá esteve. Entretanto a GNR chegou e conseguiu ficar com a Susana dentro do quarto deles. Nunca vi nenhuma agressão nem ofensa verbal. Este foi um episódio assustador, mas nunca vi nada de mal.”
Testemunhas reforçam ausência de agressões físicas
Também Carlos Alexandre descreveu uma discussão relacionada com consumo de álcool:
“Foram apenas palavras, não vi ninguém bater em ninguém”.
Por fim, um amigo da queixosa relatou um momento de tensão, mas sem agressão direta:
“O António Pedro pegou na cara dela – não bateu, só segurou – e disse: ‘Estou farto disto. Estou cansado de ver-te assim’”.
Ainda assim, este testemunho levantou dúvidas ao acrescentar que Susana “fazia alguns filmes”.
Processo continua com versões contraditórias
Desta forma, o julgamento segue marcado por relatos divergentes. Enquanto surgem referências a conflitos e discussões, várias testemunhas afastam a existência de agressões físicas.
Assim, o caso continua a desenvolver-se em tribunal, com novos depoimentos a poderem influenciar o desfecho do processo.

