Estádio José Alvalade prepara Mundial 2030 com nova visão: turismo, conforto e bancadas mais próximas

Estádio José Alvalade prepara Mundial 2030 com nova visão: turismo, conforto e bancadas mais próximas, segundo o arquiteto.

O Estádio José Alvalade está em transformação e o objetivo vai além do futebol. As obras em curso, pensadas também para o Mundial de 2030, pretendem aproximar adeptos do relvado, criar novas experiências e tornar o recinto num espaço usado durante todo o ano.

O projeto é conduzido pelo arquiteto espanhol Salvador Alonso, que acredita que a casa do Sporting poderá ganhar uma nova centralidade em Lisboa. Em declarações à publicação Arquitetura y Diseño, o responsável pela remodelação deixou clara a ambição.

“O Estádio José Alvalade terá um papel magnífico no Mundial”, afirmou, citado pelo jornal A Bola.

Um estádio pensado para mais do que dias de jogo

A intervenção em Alvalade parte de uma ideia cada vez mais presente nos grandes recintos desportivos. O estádio não deve viver apenas nos dias em que há futebol.

Segundo Salvador Alonso, o desafio passa por transformar o espaço num ponto de passagem regular para visitantes e habitantes da cidade.

“O nosso objetivo passa por fazer com que o Estádio José Alvalade se torne uma visita obrigatória do turismo de Lisboa e, acima de tudo, se transforme num espaço de uso diário para os cidadãos”

Depois, o arquiteto explicou a lógica económica e funcional da remodelação. Para o projetista, há centenas de dias por ano em que o recinto pode servir outros públicos.

“Os estádios continuam a ser espaços dedicados ao futebol mas em dia de jogos. Isto deixa um total de 325 ou 330 dias em que o recinto pode ter outros usos e acolher outros públicos. A tendência nos próximos anos é desenhar estádios que se possam adaptar a diferentes cenários”

Assim, Alvalade entra numa nova fase. O estádio continuará a ser a casa do Sporting, mas quer ganhar vida para lá dos 90 minutos.

O fosso desapareceu e mudou a relação com o relvado

Uma das alterações mais relevantes começou há cerca de um ano, com o fecho do fosso. Para Salvador Alonso, essa mudança teve impacto técnico, visual e emocional.

O arquiteto considera que o fosso criava distância entre as bancadas e o jogo. Também dificultava a manutenção do relvado.

“O fosso era um elemento desnecessário que criava um rutura física emocional do adepto com o espetáculo e ainda gerava grandes problemas técnicos e dificuldades operativas na manutenção do relvado. Com a sua eliminação acabámos com estes inconvenientes e ainda melhorámos o ambiente criando um clima mais intimidante com a aproximação dos adeptos ao relvado que também ajuda a equipa”

Com esta alteração, o estádio ficou mais próximo daquilo que se procura em recintos modernos: bancadas ligadas à ação, melhor ambiente e maior pressão competitiva.

Lion’s Corner chega com foco na experiência premium

Entre as novidades preparadas para a próxima época está o Lion’s Corner. O espaço será um lounge pensado para oferecer uma experiência diferente em dias de jogo.

A aposta encaixa na estratégia de tornar Alvalade mais versátil e mais preparado para receber eventos de natureza distinta.

“Queremos elevar o nível de conforto das áreas premium para que o estádio se converta no melhor local para celebrar eventos corporativos, reuniões de negócios ou simples encontros familiares”

Desta forma, o projeto não olha apenas para o adepto tradicional. Procura também responder a públicos empresariais, familiares e turísticos.

Obras com calendário apertado

Apesar da ambição, a execução do projeto traz dificuldades. Salvador Alonso destacou a necessidade de tornar os espaços “mais eficientes” e explicou a complexidade de trabalhar com prazos curtos.

A janela disponível começa no final de maio e termina no início de agosto. Isso obriga a uma gestão rigorosa entre obra, funcionamento do estádio e preparação da nova época.

“É sem dúvida uma logística muito complexa. Manter o estádio em funcionamento com prazos destes obrigam a uma excelente coordenação e flexibilidade de muita gente”

As obras deverão estar concluídas a tempo do Mundial de 2030, competição que será organizada por Portugal, Espanha e Marrocos.

Com esta remodelação, o Estádio José Alvalade prepara-se para uma nova etapa. Mais próximo do relvado, mais aberto à cidade e com ambição turística, o recinto quer ser mais do que um palco de futebol.

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