Villas-Boas e Varandas sobem o tom: FC Porto, Sporting, Benfica, mercado e direitos televisivos agitam futebol português

Villas-Boas e Varandas sobem o tom: FC Porto, Sporting, Benfica, mercado e direitos televisivos agitam futebol português, entre ontem e hoje.

O futebol português viveu um dia carregado de declarações fortes, recados entre rivais e temas de mercado. André Villas-Boas marcou presença na 4.ª Conferência Bola Branca, da Rádio Renascença, e abordou vários dossiês ligados ao FC Porto, desde a relação com Frederico Varandas até à centralização dos direitos televisivos.

Entretanto, o presidente do Sporting respondeu às críticas, assumiu falhas na final da Taça de Portugal e garantiu a continuidade de Rui Borges. Pelo meio, houve ainda espaço para falar de Benfica, José Mourinho, Bad Bunny no Estádio da Luz, remodelações em Alvalade, formação, mercado internacional e novos projetos no SC Braga.

Villas-Boas assume animosidade com Varandas

A relação entre André Villas-Boas e Frederico Varandas foi um dos temas mais fortes da Conferência Bola Branca. Questionado sobre quem lhe dava mais trabalho, Rui Costa ou o presidente do Sporting, o líder do FC Porto não fugiu ao confronto.

Villas-Boas foi direto: “Aqui não posso negar que o Frederico me dá mais trabalho. Temos uma animosidade particular entre um e outro, não gostamos um do outro. Eu não confio nele, ele não confia em mim. O Rui é um senhor do futebol, um dos melhores talentos portugueses de sempre. Uma pessoa, digna, humana, que lidera o Benfica, o nosso maior rival, um rival histórico do FC Porto. Com muito orgulho, somos o clube com mais títulos do futebol nacional. Eu com o Rui tenho uma ligação estreita, direta, de certa forma também não fui agradável com ele. Não terei sido agradável com ele quando disse que estava no bolso do Frederico. Um alinhamento entre Benfica e Sporting parece cada vez mais evidente, com o objetivo de calcar os calcanhares do FC Porto. Com o Frederico temos uma animosidade pessoal, porque me ataca no campo pessoal e não posso permitir, no familiar também. No campo profissional partilhámos alguma visão, na questão da centralização, que está ameaçada pelo Nacional e Marítimo com uma ideia que pode implodir o futebol português”.

Mais à frente, o presidente portista voltou a insistir na diferença entre os líderes dos dois rivais: “Não confio em Varandas, ele não confia em mim. O Rui [Costa] é um senhor do futebol, um dos melhores talentos portugueses de sempre, uma pessoa digna”.

Assim, Villas-Boas deixou clara a distância pessoal em relação a Varandas, mas também manteve respeito institucional por Rui Costa.

Centralização dos direitos televisivos ameaça guerra judicial

Outro tema sensível foi a centralização dos direitos televisivos. Villas-Boas avisou que o FC Porto poderá avançar para tribunal caso siga em frente a proposta do Nacional.

O presidente portista enquadrou o assunto com dureza: “A centralização está cada vez mais ameaçada pelo Nacional da Madeira, com uma ideia que me parece que pode explodir o futebol português. E digo isto com toda a sinceridade em frente ao presidente da Liga. Portanto, trabalhámos dois anos numa chave de repartição — e bem — em sede de direção da Liga. Como bem sabem, o FC Porto não foi apoiante da candidatura de Reinaldo [Teixeira]. Ainda no outro dia escrevi a dar-lhe os parabéns pelo seu grande trabalho, com que cumpriu o mandato, principalmente no campo da liga centralização. Noutros momentos, fiz as minhas críticas, às quais responderá se achar oportuno”.

Depois, reforçou o peso económico dos três grandes no futebol nacional: “80% ou 90% da demografia de adeptos no futebol nacional está concentrada nos três grandes, que são, em realidade, o grande motor económico do futebol português, sem desrespeito pelos demais e pelos diferentes clubes e sociedades desportivas. A realidade é essa: Sporting, FC Porto e Benfica dominam a demografia associativa do futebol português. Se são 90% ou 80%, vocês podem discordar comigo nesse ponto, mas até 80% será seguramente. E isso significa que os grandes portugueses são os dinamizadores económicos do futebol português e merecem ter respeito. Já no alinhamento FC Porto-Sporting concedemos a perder dinheiro com a centralização para que haja mais dinheiro para os outros clubes…”.

Ainda assim, Villas-Boas recusou uma perda abrupta de receitas: “Agora, não podemos perder tudo de uma vez, porque temos de continuar a conquistar o nosso lugar no ranking europeu, temos que continuar a competir. Temos esta demografia muito específica associativa e, com todo o respeito, o Nacional da Madeira, mesmo com os jogos dos três grandes, tem o seu estádio ocupado em 50% dos jogos, o que se traduz numa média de 2500 pessoas a ver por jogo..”.

Por fim, deixou o aviso judicial: “Eu não sei o posicionamento do Sporting, penso que será o mesmo do FC Porto, que atuará judicialmente caso a proposta do Nacional seja aprovada em sede de Assembleia Geral da Liga. Portanto, não iremos colaborar de forma alguma com qualquer operador relativamente aos nossos ativos, horas extra de transmissão, etc. É preciso um devido enquadramento. Há um primeiro ciclo a ser cumprido que é justo com todos, sendo que os três grandes já perdem dinheiro. Há aqui clubes, é verdade, que saem altamente valorizados desta nova chave de repartição. O SC Braga, o Vitória de Guimarães e o Famalicão veem os seus direitos audiovisuais a serem altamente valorizados. Todos os restantes também, mas é preciso um pouco de noção e consciência. Primeiro ciclo sim, o FC Porto colaborará enquanto esta chave de repartição para a qual trabalhámos dois anos for aprovada. Se for aprovada qualquer outra, o FC Porto atuará judicialmente contra a mesma”.

Rui Alves, presidente do Nacional, acusou a Liga de violar o Decreto-Lei n.º 22-B/2021, relativo à titularidade e comercialização dos direitos de transmissão.

Cardoso Varela, Deco e conversas com o Barcelona

André Villas-Boas voltou também ao caso Cardoso Varela. Depois de negar conversas com o Barcelona por Kiwior, o presidente do FC Porto explicou que os contactos com Deco tiveram outro tema central.

Segundo Villas-Boas, o assunto foi o alegado envolvimento do clube catalão no processo de Cardoso Varela. O dirigente afirmou: “Houve discussões sobre um possível envolvimento do Barcelona que me foi negado pelo Deco. As nossas conversas têm sido sobre isso e alguns jogadores do Barcelona que podem interessar ao FC Porto, jogadores da La Masia. No caso do Cardoso Varela foram-lhe vendidos sonhos falsos. Acabou por se mudar para um clube amador na Croácia ao abrigo de uma lei de exceção. O pai do Cardoso Varela foi instalado na Croácia, numa gráfica, tudo muito dúbio e estranho. Entretanto, o miúdo está relegado ao Dínamo Zagreb e tenta encontrar um futuro. Infelizmente o seu futuro não é no FC Porto. Não tem toda a culpa no processo, mas foram-lhe vendidos sonhos”.

Desta forma, Villas-Boas afastou um regresso do jovem ao FC Porto, mas deixou críticas ao caminho que lhe terá sido apresentado.

Rodrigo Mora, Diogo Costa e o futuro do plantel

O mercado foi outro dos temas centrais da intervenção do presidente portista. Sobre Rodrigo Mora, Villas-Boas explicou que o jovem talento está a desempenhar funções diferentes com Farioli.

O líder do FC Porto afirmou: “O Rodrigo encontrou-se numa posição diferente. Na era Anselmi era um avançado com liberdade e isso potenciou a criatividade do Mora. O sistema de Farioli joga na posição 8 avançado ou 10 e isso obrigado a outra intensidade defensiva e provavelmente não consegue colocar em campo toda a criatividade, mas que trabalha mais para a equipa e para a ambição do treinador. Em golos não como foi a meio temporada anterior, mas o talento está lá. É um dos grandes talentos, dos melhores do mundo”.

Questionado sobre uma eventual saída, deixou claro que o clube conta com o jogador: “Na construção do plantel correspondem as decisões do treinador e neste momento contamos com ele. Há sempre jogadores que sonham com outros voos, mas neste momento está nos nossos planos mantê-lo. No ano passado foi abordado pelo Ittihad, mas o Porto não chegou a acordo. Deve continuar no FC Porto, para bem dos nossos olhos”.

Diogo Costa também entrou na análise. Villas-Boas admitiu que o guarda-redes tem mercado, mas assumiu o desejo de o manter.

O presidente dos dragões disse: “É um guarda-redes muito requisitado, que pode ter convites e que tem ambição de jogar noutros campeonatos. No entanto, é um jogador muito bem cotado, capitão do FC Porto a quem pedi que utilizasse a camisola número 2. A camisola 2 para o FC Porto traz muito peso, memória, peso e carga… por isso gostava que estivesse em campo para o ano”.

Vitinha, Rúben Neves e o sonho dos regressos

Entre desejos de mercado e gestão realista do plantel, Villas-Boas admitiu que gostaria de ver Vitinha regressar ao FC Porto. Ainda assim, o próprio jogador não parece considerar esse passo para já.

O dirigente revelou: “Gostaria. Chateio-o muitas vezes e ele diz ‘caro presidente, ainda não é altura’. Gostava muito de o ter de volta. Os bons filhos à casa tornam e espero que assim um dia seja, com Vitinha, Ruben Neves”.

No mercado mais discreto, João Afonso foi apresentado como uma aposta de futuro.

Villas-Boas explicou: “João Afonso? É uma aposta, sem dúvida. Um guarda-redes em quem depositamos grandes esperanças de conquistar o seu espaço. No que analisamos a nível técnico achamos que tem grandes condições de ser um grande guarda-redes e de futuro da Seleção. “Sobretudo na Liga Revelação, mas anteriormente nas camadas jovens. É o terceiro açoriano no FC Porto e pode ser o segundo a estrear-se, porque o Pauleta nãos e estreou. Temos grandes esperanças”.

FC Porto vai ao mercado por um ponta de lança

A ausência de Samu obriga o FC Porto a procurar um novo avançado. Villas-Boas explicou que o regresso do jogador está previsto para outubro, mas a plena recuperação deverá chegar mais tarde.

Por isso, os dragões vão agir no mercado. O presidente afirmou: “Vamos ao mercado por um ponta de lança. A previsão do regresso de Samu é em outubro. Meados de novembro estará a 100 por cento e o FC Porto tem que se reforçar. Os alvos estão identificados. Jovens ou com experiência, um pouco de tudo. Temos uma lista dos melhores talentos por posição, depois por escalões, por contrato, com quem podemos negociar de forma mais aberta. O maio é uma altura má para negociar, os clubes pedem muito dinheiro. O grande mercado movimenta-se em agosto. Tentar identificar, encurtar distâncias e depois aproximamo-nos na devida altura”.

Ainda sobre o mercado, Villas-Boas deixou uma nota sobre a estabilidade do plantel: “Ainda ontem neguei uma abordagem do Barcelona. Tudo isto gera expectativa, ansiedade. A verdade é que da parte dos jogadores mais consagrados temos tido poucas abordagens e é bom sinal. Queremos manter a base. Temos modificações a fazer, poucas, mas temos que ter noção que os clubes portugueses vivem de movimentos de mercado”.

Além disso, reconheceu que a dívida obriga o clube a agir com cuidado: “Temos que ter capacidade de ter tesouraria para fazer face a esses pagamentos, salários, etc. portanto, é nesse aspeto que temos que operar mercado para que possamos que fazer frente a responsabilidades financeiras”.

Farioli, Vítor Bruno e a estabilidade no Dragão

Villas-Boas foi também questionado sobre o futuro de Farioli. O presidente garante não temer perder o treinador.

Segundo explicou: “Não. O que se passa atualmente no futebol, europeu sobretudo, com as mudanças abruptas de treinador… são cada vez mais projetos instáveis e o Farioli sentiu-se em casa, agarrado a uma visão. Fizemos as nossas mudanças. Infelizmente já senti na pele a necessidade das mudanças. O que Farioli encontrou no Porto foi estabilidade, comunicação direta. Essa estabilidade é muito dificil de encontrar”.

Sobre a dispensa de Vítor Bruno, o dirigente recordou o contexto de resultados que levou à mudança.

Villas-Boas afirmou: “Estávamos numa situação difícil a nível de resultados. O FC Porto apanhou-se na possibilidade de ficar em primeiro, após mil dias, quando fomos jogar à Madeira, num jogo que terminou mais cedo pelo famoso nevoeiro. Deu-se a meia-final da Taça da Liga com o Sporting, deu-se uma derrota em Barcelos e com o Nacional. Optámos depois por um treinador que achávamos que nosia levar ao topo, que jogava num 3x4x3 dinâmico, que nos deu vontade de explorar…. e correram as duas mal. E foi por isso que mudámos. E por isso investir o dinheiro que adquirimos em janeiro”.

Quanto à direção desportiva, Villas-Boas valorizou as mudanças internas: “Fizemos mudanças. No departamento de scouting também e a direção desportiva foi entregue ao Tiago Madureira com muito sucesso. Trouxe uma linha de decisão clara e toda esta mescla com o José Tavares tem-se tranformado num perfeito ano do Dragão em que nos falta apenas os sub-15. Era um desejo conquistar todos os ecalões, título nacional”.

Dragão pode esperar por ampliação até depois de 2035

A ampliação do Estádio do Dragão também foi abordada. Villas-Boas reconheceu a forte ocupação, mas afastou obras de aumento de lotação para breve.

O presidente explicou: “É dífícil. Tivemos 91 por cento de taxa de ocupação. Tivemos muitos jogos cheios, tocamos os 50 mil no jogo com o Santa Clara. Gostávamos muito, mas não nos vejo com condições económicas para fazer isso tão cedo. Estamos a refazer as áreas de corporate, serviços, catering, restaurantes, mas aumentar a lotação do Dragão é muito cedo. Para lá de 2032 seguramente. Ainda chegamos a dezembro e janeiro e temos assistências de 30/35 mil. Temos uma oscilação muito grande. Temos finalmente lugares anuais em espera. São bons sinais, mas talvez para lá de 2035”.

Além disso, o presidente falou do significado de ser portista em Lisboa: “Leitura política não. Sempre um gosto… no outro dia visitei os deputados na AR e disse-lhes que ser portista em Lisboa é um desporto de alta competição. Sempre que um portista chega aqui recebe a alma portista, de resistência. Os clubes de Lisboa têm grande poder demográfico. Ser campeão é um prazer. Grandes mudanças, estruturais, direção desportiva, treinador, jogadores que nos levaram ao sucesso. É dessa transformação que me dá muito gosto falar. 2024/25 foi um ano difícil e neste tivemos um sucesso estrondoso”.

Mourinho, Benfica e Real Madrid entram na conversa

A iminente saída de José Mourinho do Benfica também foi tema. Villas-Boas foi questionado sobre se a eventual partida do treinador seria uma perda de excelência para o futebol português.

A resposta foi elogiosa, mas sem dramatismo: “Penso que não. É o referente do treinador do futebol português, um ídolo de gerações. Foi um homem que ao não ser jogador – ele diz que foi, um bocadinho menos fraco que do que eu era (risos) -, sempre foi a referência para nós treinadores. Se há miúdos que querem ser treinadores foi por culpa do fenómeno Mourinho. Da transição de um aluno de escola para as faculdades. Isso permitiu-nos estar num campo de referência no sistema educativo e isso facilita com que a qualidade do talento seja de excelência máxima e por isso geramos mais talento. O seu desaparecimento será para um clube de topo. Perde-se a sua proximidade”.

Sobre Marco Silva no Benfica, Villas-Boas não quis comentar: “Isso terá de perguntar ao presidente do Benfica. Não me cabe a mim”.

Entretanto, Florentino Pérez foi questionado pela CMTV sobre a possibilidade de Mourinho ser o próximo treinador do Real Madrid. O presidente dos merengues respondeu com ironia: «Estou a pensar ser eu». Depois, reforçou: «Se quero Mourinho? Vou ser eu!».

Benfica lucra com Bad Bunny e Estádio da Luz reforça estatuto

Fora do relvado, os dois concertos de Bad Bunny no Estádio da Luz foram também notícia. Segundo o CM, o Benfica encaixou mais de um milhão de euros com os espetáculos realizados na terça e quarta-feira.

O Estádio da Luz voltou a confirmar-se como o principal anfiteatro nacional para grandes concertos. Mesmo com parte das bancadas inutilizadas, permite receber confortavelmente mais de 60 mil pessoas.

Além disso, a infraestrutura oferece condições logísticas, tecnológicas e de acesso que a tornam atrativa para grandes digressões internacionais.

No meio da romaria ao concerto, Martim Fernandes, lateral do FC Porto, também marcou presença e deixou uma provocação ao Benfica nas redes sociais. O defesa escreveu: “+1 no salão de festas”, acompanhado por um coração azul.

A frase surgiu como alusão aos títulos recentemente festejados pelo FC Porto no Estádio da Luz.

Benfica valoriza formação no Seixal

Ainda no universo encarnado, Guilherme Muller, diretor-geral do Benfica Campus, defendeu na Conferência Bola Branca a qualidade da formação portuguesa e do trabalho feito no Seixal.

O dirigente começou por afirmar: “O jogador português e a qualidade da formação deve estar ao nível da cortiça e do vinho e temos todos obrigação de tratar um bocadinho melhor este produto”.

Sobre a evolução do Benfica, sublinhou o aproveitamento de jovens na equipa principal: “Há uma média superior aos concorrentes europeus de aproveitamento dos jovens formados. O Benfica tem tido muitos desses nos últimos 10 anos que acabaram por dar muito rendimento desportivo e financeiro”.

Ainda assim, reconheceu que a retenção dos talentos é complexa: “Até quando? É uma pergunta mais difícil. O mercado português não é igual aos estrangeiros. Os clubes têm de vender para alimentar projetos desportivos. A muita qualidade de jogadores formados cá tem sido muito apetecível… Mas o Benfica forma os jogadores para chegarem à equipa A, não forma para vender. Tentamos que a maioria dos nossos jogadores cheguem ao fim do processo formativo na equipa B”.

Quanto a nomes concretos para o futuro, preferiu não individualizar: “Temos muitos jogadores com muito talento, com uma idade muito jovem e sujeitos a estímulos muito intensos e que, num curtíssimo espaço de tempo, vão ter oportunidade de ver estrelas a aparecer”.

Varandas critica jogadores e segura Rui Borges

Do lado do Sporting, Frederico Varandas fez um balanço duro da final da Taça de Portugal perdida frente ao Torreense. Para o presidente leonino, o problema não foi tático nem físico.

Varandas declarou: “O Sporting perde a final por cansaço, por ausência de jogadores, por incapacidade tática? Não. O Sporting perde a final porque não competiu. Não teve a atitude de quem quer ganhar um título nacional. Aquele grupo de jogadores já ganhou muito. Conquistaram muitos títulos, mas o Sporting quer um grupo que queira continuar a ganhar muito. O Sporting quer jogadores que queiram jogar Champions, participar no Mundial, mas o Sporting exige que os jogadores queiram ganhar troféus internos, nomeadamente contra equipas de escalão inferior. Percebo que um jogador tenha os seus objetivos pessoais, como participar em campeonatos do Mundo, fazer grandes campanhas europeias. O objetivo principal de um jogador do Sporting é ganhar títulos pelo Sporting, entidade patronal. Se a motivação não for a mesma, não terá espaço no Sporting”.

Apesar das críticas após a derrota no Jamor, o presidente garantiu que Rui Borges continua no comando técnico.

Varandas afirmou: “O mais importante para um clube é a forma como um presidente reage na derrota. Desde domingo até hoje. Já vi Rui Borges fragilizado, pressionado, mas foi nas capas de jornais e nas redes sociais. Todas estas variáveis contam zero para a decisão do Sporting. Rui Borges é treinador do Sporting. No ano passado, levou a equipa a todas as decisões, ganhou todas as decisões. Agora voltou a levar-nos a todas as decisões. O assunto de Rui Borges está encerrado”.

Sporting fala em objetivos mínimos cumpridos

Frederico Varandas fez ainda uma leitura da época em duas fases. Apesar da ausência de troféus, valorizou a presença nas decisões e a manutenção na Liga dos Campeões.

O presidente leonino explicou: “O balanço da época tem de ser feito em duas fases: o início do campeonato até à final de domingo e depois a final de domingo. Sobre a primeira fase, o Sporting fez uma época muito positiva. Chegou a todas as decisões. Não conseguiu o objetivo principal que era ser campeão. Terminou em segundo lugar, com 82 pontos, os mesmos com que foi campeão em 2024/25. Fez a melhor campanha europeia da história do clube. Fez grandes jogos contra os finalistas da prova. Qualificou-se com muito mérito para a final da Taça. O Sporting acabou por atingir todas as decisões. Mas ao contrário da época passada, chegámos às decisões e não conquistamos qualquer título. Ficou atingido o objetivo mínimo, muito na visão do adepto, que tem ausência de troféu. Para a Direção, o segundo lugar é um objetivo de grande importância, pois é um objetivo que permite ao Sporting continuar na Champions League”.

Depois, comparou o presente do clube com o momento em que chegou à presidência: “É essa a participação que permite ao Sporting ter capacidade financeira para continuar a fazer crescer o clube e continuar a ter armas para poder estar ans decisões e conquistar títulos. Até 2018, éramos um clube de Liga Europa e agora somos um clube de Champions League. Cumprimos os objetivos mínimos”.

Varandas responde a Villas-Boas e acusa rivais

Frederico Varandas também respondeu a André Villas-Boas, depois de o presidente do FC Porto classificar como “patéticas” algumas propostas apresentadas pelo Sporting na Liga.

O líder leonino devolveu o ataque: “O maior elogio que se pode fazer ao Sporting é que cada vez que o presidente do FC Porto fala, fala no Sporting. Já não é a primeira vez que o presidente do FC Porto não é rigoroso. Já veio a público dizer que o presidente do Sporting tinha chamado ladrão ao presidente da FPF, João Capela e Nuno Almeida. Disse uma mentira. Em relação ao que foi dito hoje, é uma inverdade. Pode ser ignorância. O IFAB, há umas semanas, permitiu as mudanças nas leis de jogo para a utilização do VAR na revisão de cantos, mas não obriga à aplicação da lei. Dá a possibilidade aos campeonatos de poderem adotar esta possibilidade. Onde se propõe alterações? Numa AG. O Sporting agarrou num lance que deu tanto ruído o ano inteiro. Houve um canto. O Sporting, que foi beneficiado por esse canto, propôs que a Liga pusesse isto em vigor. O FC Porto votou contra. Foi apenas uma proposta do Sporting. Além desta, o Sporting propôs que o banco mude de posição com banco visitante para a equipa da casa não pressionar o fiscal de linha. Propusemos que a pena aumentasse 4 vezes para um clube que fale de arbitragem antes ou depois do jogo, condicionando arbitragens. O Sporting pediu punições severas quando se verifica uma consertação de apanha-bolas para atrasar o jogo e propôs que os administradores sejam responsabilizados por publicações nas redes sociais dos clubes a condicionar árbitros. Foi chumbado”.

Depois, acusou Benfica e FC Porto de condicionarem arbitragens: “Benfica e FC Porto têm a estratégia de condicionar a arbitragem ao máximo. Fazem tweets, comunicados. Colocam lances onde são hipoteticamente prejudicados, nunca dizem os lances onde são beneficiados. Mostram lances onde os rivais são beneficiados, mas não quando são prejudicados. Só contam metade da história. Saem tweets, newsletters e é uma pressão enorme sobre as arbitragens. O Sporting não vai ganhar esta guerra. Os clubes pequenos querem continuar que os grandes continuem a fazer tudo o que querem. O Sporting podia ter feito uma época muito boa. Fez resultados mínimos, porque não conseguiu vencer troféus. À imagem dos últimos 7 anos, nunca foi por culpa de arbitragem. Foi por incompetência nossa”.

Obras em Alvalade geram polémica entre adeptos

O Sporting iniciou a segunda fase das obras no Estádio José Alvalade. O projeto inclui o “Lion’s Corner”, novo espaço lounge exclusivo para sócios, localizado entre as bancadas poente e sul.

O clube descreve o espaço como «uma experiência inédita em Portugal» e promete um ambiente de «elegância, conforto e pensado ao detalhe».

No entanto, os preços geraram contestação nas redes sociais. O valor anual será de 2.100 euros, com descontos para contratos mais longos: 7,5% a três anos e 12,5% a cinco.

Outro ponto de revolta está relacionado com a prioridade de venda, sobretudo quando lugares de leão se sobrepõem a sócios com mais de 20 anos de filiação.

Bruno Sá critica época sem títulos do Sporting

Bruno Sorreluz, conhecido como Bruno Sá, candidato derrotado por Frederico Varandas nas últimas eleições do Sporting, também criticou a época leonina.

Numa mensagem pública, escreveu: «Acabou a época. Zero títulos no futebol e uma derrota no Jamor. No Sporting, a atitude não é negociável. Mas é urgente olhar para além das vitórias e derrotas, e sim para o modelo e para o rumo. O clube está dividido. Sócios de primeira e de segunda, um caminho cada vez mais empresarial, e isso sente-se nos jogos, no futebol e no pavilhão. Vendem-nos frases bonitas e sonhos com sofás que pouco têm a ver com futebol. E a essência vai-se perdendo».

Depois, apontou falhas no planeamento e no mercado: «As pessoas, a cultura, a história, a família Sportinguista.Perdemos o tri com um amadorismo completo em três mercados e lesões nunca explicadas. Vendemos o Alisson, que desequilibrava vindo do banco. Que falta fez. Na Champions fizemos a melhor época de sempre, mas com ambição e bom mercado de inverno podíamos ter ido mais longe».

Por fim, deixou uma lista de preocupações: «No feminino, zero títulos. Na formação, zero títulos e zero investimento em academia, numa altura em que todos os clubes apostam no coração dos clubes. Saídas de Tiago Santos, Essugo, Afonso Moreira, Travassos e Mateus Fernandes por valores baixos. Que mensagem deixamos aos miúdos? Renovado o Rui Borges, não há desculpas. Não há pré da Champions, não há Supertaça. Não se atrasem outra vez. É urgente rever a bilhética. É urgente devolver ao Sporting a cultura de clube. É urgente pôr o ego de parte por um bem comum. É por amor, não por moda. Altruísmo, não altivez.»

Ruben Amorim custou milhões ao Manchester United

No plano internacional, o Manchester United revelou no mais recente relatório de contas o valor pago para despedir Ruben Amorim e a sua equipa técnica.

A indemnização do treinador português e dos elementos Carlos Fernandes, Adélio Cândido, Emanuel Ferro e Jorge Vital custou 19,3 milhões de euros aos cofres dos red devils.

Amorim esteve 14 meses em Manchester, depois de chegar em novembro de 2024, vindo do Sporting, para suceder a Erik Ten Hag.

Sob o comando do técnico português, o United terminou em 15.º lugar na Premier League, a pior classificação da sua história. Ainda nessa época, chegou à final da Liga Europa, perdida por 1-0 frente ao Tottenham.

A passagem ficou marcada por resultados irregulares, críticas ao estilo de jogo e terminou depois de uma conferência de imprensa tensa, após um empate a uma bola com o Leeds.

SC Braga muda coordenação técnica

O SC Braga anunciou José Violante como novo coordenador técnico. O treinador, de 38 anos, substitui António José Pereira e inicia funções na segunda-feira.

Segundo o clube minhoto, José Violante terá um papel «determinante na coordenação técnica de todo o ecossistema da Cidade Desportiva».

A mudança surge depois de duas temporadas difíceis na formação bracarense. José Violante esteve mais de uma década ligado ao FC Porto e treinou os sub-15 azuis e brancos entre 2022 e 2025. Depois rumou ao Sporting.

No SC Braga B, Rúben Teles vai continuar como treinador, apesar da descida ao Campeonato de Portugal. O objetivo para 2026/27 será regressar à Liga 3.

Rúben Teles fará a ligação direta entre a formação e a equipa principal de Carlos Vicens. O técnico já tinha passado 15 anos nas camadas jovens do SC Braga antes de rumar ao Gil Vicente.

Futebol feminino, atletismo e ambição portista

Ainda na Conferência Bola Branca, Villas-Boas falou sobre o futebol feminino do FC Porto. O presidente mostrou ambição, mas pediu tempo.

O dirigente afirmou: “Foram duas épocas de sonho. Disputaram o jogo até final com o Benfica [na Taça de Portugal] e muito nos orgulharam no caminho até final. Quero um projeto consolidado e formativo. Os 3 grandes colaboram muito socialmente com a prática do desporto. As modalidades custam 12 milhões de euros ao FC Porto, ao Benfica custam 20 M€ e ao Sporting devem custar 16 M€. Quero que o meu futebol feminino e futsal sejam formativos. Apostas muito vincadas aportam custos para clubes que têm situações financeiras financeiras. Título no feminino? Destronar o Benfica é sempre uma obsessão para qualquer adepto do FC Porto e um sonho que queremos cumprir. Ainda é muito prematuro”.

No atletismo, revelou outro objetivo: “O nosso objetivo é através da fundação do FC Porto, em cada sócio haver um atleta. Queremos um formato em que os adeptos corram com as cores do FC Porto, não no nível profissional, mas amador”.

CIES deixa três grandes fora do top-50

O CIES – Observatório do Futebol publicou o ranking dos clubes mais populares, tendo por base o número de seguidores nas redes sociais.

O Real Madrid surge na liderança, seguido por Barcelona e Manchester United.

Apesar da dimensão interna, Benfica, FC Porto e Sporting ficaram fora do top-50 desta lista.

Um dia de recados, tensão e mercado

Entre a intervenção de Villas-Boas, a resposta de Varandas, os temas de mercado e a centralização dos direitos televisivos, o futebol português voltou a mostrar as suas fraturas.

Além disso, Benfica, Sporting e FC Porto estiveram ligados a temas muito diferentes, da formação aos concertos, da bilhética às obras, da arbitragem à gestão financeira.

No fundo, foi um dia em que os três grandes voltaram a dominar a agenda, dentro e fora das quatro linhas.

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