Marcos Bastinhas emociona Santarém no regresso: “Dei a cara, lutei e dei tudo pelo público”, disse em entrevista ao Infocul.pt by ARDglobal.
Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador
Marcos Bastinhas saiu da corrida de ontem, em Santarém, ainda a tentar arrumar por dentro aquilo que tinha acabado de viver em praça. Depois de duas lides carregadas de significado, o cavaleiro falou de um regresso trabalhado em silêncio, com disciplina e sem alardes.
Mais do que o resultado artístico, foi a ligação às bancadas que marcou o seu discurso. Marcos Bastinhas assumiu que queria tocar o público. E, pelas suas palavras, sentiu que o conseguiu.
Um regresso vivido pelo público
Ainda a quente, Marcos Bastinhas admitiu que precisava de algum tempo para assimilar a tarde. O cavaleiro falou de um ano duro, de luta e de trabalho acumulado até ao regresso a Santarém.
𝗠𝗮𝗿𝗰𝗼𝘀 𝗕𝗮𝘀𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮𝘀 𝗮𝗳𝗶𝗿𝗺𝗼𝘂: “Sinceramente ainda não sei bem. Ainda estou a assimilar tudo. Foi um ano difícil. Foi um ano de muita luta. E hoje era o culminar desse trabalho feito e destes dias maus que temos estado. E sem dúvida consegui estar ao nível que eu queria. Consegui transmitir emoção para as bancadas. Consegui que as pessoas se emocionassem e se levantassem das bancadas. O principal objetivo do meu pai era sempre o público. O público é quem manda. Nós temos de viver pelo público. E acho que foi o que fiz aqui hoje. Dei a cara, lutei e dei tudo pelo público. E vim à morte para dar tudo de mim ao público. E estou extremamente satisfeito.”
A leitura foi simples e frontal. Marcos Bastinhas não fugiu ao peso emocional da tarde, mas colocou o público no centro da sua atuação.
Calma, trabalho e um dia para desfrutar
Apesar da importância do regresso, o cavaleiro garantiu que viveu os dias anteriores com serenidade. A preparação, segundo explicou, foi feita sem ruído e com foco no trabalho.
𝗦𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗴𝗲𝗿𝗶𝘂 𝗼 𝗱𝗶𝗮, 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲: “Foi super tranquilo. Todos os dias que antecederam este dia foram tranquilos. Sou uma pessoa tranquila. Não gosto de muitas confusões. Então foi tudo gerido com calma e com paciência. E com muito trabalho, fundamentalmente. Sempre muito trabalho. E para resultar as coisas como resultaram. Resultaram muito bem. Foi belíssimo. E estou extremamente satisfeito. Quero desfrutar agora durante umas horas desta alegria. E deste dia que consegui aqui hoje em Santarém.”
Assim, a tarde de Santarém teve também esse lado de recompensa. Não apenas pela atuação, mas pelo caminho feito até voltar a pisar uma praça importante.
A casaca nova e a simbologia do momento
O regresso ficou ainda marcado pela estreia de uma casaca nova. Marcos Bastinhas explicou que a escolha teve significado e traduziu uma fase mais interior.
𝗢 𝗰𝗮𝘃𝗮𝗹𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗲𝘅𝗽𝗹𝗶𝗰𝗼𝘂: “Sim, foi uma casaca especial também. Porque é uma casaca muito simples. Sem alardes, com muita simplicidade. E também demonstra um bocado o que eu passei nestes tempos. Que foram tempos também de introspeção, de retrospetiva. De pensamento, de conhecimento. E de saber ler as coisas e de saber aprender também. Mas sempre com a cabeça limpa e consciente. De que podia voltar a pisar os terrenos que já tinha pisado. E isso aconteceu.”
A simplicidade da casaca acabou por acompanhar o tom do próprio discurso. Pouca exibição nas palavras, mas muita carga no que ficou dito.
Quadra completa e novidades para mostrar
Marcos Bastinhas deixou ainda uma nota sobre a sua quadra. O cavaleiro garantiu que tem cavalos em bom plano, embora tenha lembrado que duas lides não chegam para mostrar tudo.
𝗤𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼 à 𝗾𝘂𝗮𝗱𝗿𝗮, 𝗿𝗲𝘃𝗲𝗹𝗼𝘂: “A quadra está muito completa. Está num nível muito grande. É pena que só em dois toiros não somos capazes de mostrar a quadra toda. Nem metade. Mas sem dúvida que haverá tempo para mostrar as novidades. E elas são algumas. Também não vou revelar aqui que é para vocês também irem acompanhando.”
Depois de Santarém, Marcos Bastinhas fechou a tarde com satisfação assumida. O regresso teve trabalho, emoção e público. E foi precisamente aí que o cavaleiro colocou o essencial da sua tarde.
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