Ariana Grande enfrenta Casa Branca após uso de música em vídeo sobre imigração de Trump, segundo foi revelado.
Ariana Grande voltou a colocar a música no centro de uma disputa política nos Estados Unidos. A cantora reagiu com dureza depois de a Casa Branca ter usado um dos seus temas num vídeo associado à política migratória de Donald Trump.
O caso envolveu a canção “Bye” e reacendeu o debate sobre a utilização de músicas em mensagens políticas sem o acordo dos artistas.
Vídeo da Casa Branca usou tema de Ariana Grande
A polémica começou com um vídeo divulgado a 10 de junho de 2025 na conta oficial da Casa Branca no TikTok. Nas imagens, surgiam agentes do Serviço de Imigração e Controlo Alfandegário, o ICE, a deter várias pessoas em diferentes operações.
Como banda sonora, foi usado o tema “Bye”, de Ariana Grande. A publicação surgia acompanhada por uma mensagem política sobre a fronteira norte-americana.
No vídeo, lia-se: “𝗕𝘆𝗲-𝗯𝘆𝗲. 𝗢 𝗽𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗧𝗿𝘂𝗺𝗽 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗲𝗴𝘂𝗶𝘂 𝗮 𝗳𝗿𝗼𝗻𝘁𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗮 𝗵𝗶𝘀𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗮”.
Assim, a canção foi associada a uma mensagem de elogio à política migratória de Trump, o que levou a uma resposta pública da artista.
Cantora respondeu com críticas ao ICE
Ariana Grande não deixou passar o episódio em silêncio. A cantora, que já se posicionou contra Trump e contra políticas migratórias da sua administração, comentou directamente a publicação.
A artista escreveu: “𝗣𝗼𝗿 𝗳𝗮𝘃𝗼𝗿, 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝘂𝘁𝗶𝗹𝗶𝘇𝗲𝗺 𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗺𝘂́𝘀𝗶𝗰𝗮 𝗲𝗺 𝗿𝗲𝗹𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗮𝘁𝗿𝗼𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗯𝗮́𝗿𝗯𝗮𝗿𝗮, 𝗱𝗲𝘀𝘂𝗺𝗮𝗻𝗮 𝗲 𝘀𝗲𝗺 𝘀𝗲𝗻𝘁𝗶𝗱𝗼. 𝗤𝘂𝗲 𝘀𝗲 𝗹𝗶𝘅𝗲 𝗼 𝗜𝗖𝗘”.
Depois, o comentário acabou por ser apagado e o áudio retirado da publicação oficial. Ainda assim, a controvérsia já tinha ganhado força nas redes sociais e na imprensa norte-americana.
Casa Branca respondeu à cantora
Entretanto, a administração Trump não ignorou a crítica. Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca na altura, respondeu à artista em declarações citadas por publicações como o Los Angeles Times e a Variety.
Segundo Jackson, o que era “𝗩𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲𝗶𝗿𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗯𝗮́𝗿𝗯𝗮𝗿𝗼, 𝗱𝗲𝘀𝘂𝗺𝗮𝗻𝗼 𝗲 𝗮𝘁𝗿𝗼𝘇” eram os crimes cometidos por imigrantes em situação irregular contra cidadãos norte-americanos.
Deste modo, a resposta da Casa Branca afastou a discussão apenas dos direitos musicais. A polémica passou também a tocar na forma como o governo comunicava o endurecimento da sua política migratória.
Debate cresce em torno da música e da política
A divulgação do vídeo coincidiu com a aprovação de uma nova legislação proposta por Trump. O texto previa mais de 70 mil milhões de dólares em financiamento para agências de imigração durante o resto do mandato.
Além disso, o episódio não surgiu isolado no percurso de Ariana Grande. A cantora já tinha criticado a administração republicana e apoiado figuras democratas, incluindo Kamala Harris, na campanha presidencial de 2024.
Em setembro de 2025, Ariana também denunciou rusgas do ICE e criticou posições do governo sobre direitos das pessoas trans. Na altura, a Casa Branca chegou a ironizar com títulos de canções da artista para responder às críticas.
Outros artistas também recusaram usos políticos
O caso de Ariana Grande junta-se a outros confrontos entre artistas e o universo político de Donald Trump. Sabrina Carpenter também pediu que a sua música deixasse de ser usada em vídeos ligados a operações do ICE.
Beyoncé emitiu uma ordem de cessação quando pessoas próximas de Trump utilizaram “Freedom” nas redes sociais. Já Celine Dion recusou o uso de “My Heart Will Go On” num comício republicano e questionou, em tom irónico, a escolha da canção.
Também Bruce Springsteen criticou o uso de “Born in the U.S.A.” em actos eleitorais. A estes nomes juntaram-se Nancy Sinatra, ABBA e Johnny Marr, que se opuseram ao uso das suas composições em iniciativas políticas.
Cultura pop no centro da disputa pública
No fundo, a polémica mostra como a música passou a ocupar um lugar sensível na comunicação política. Uma canção pode transportar prestígio, identidade e ligação emocional com milhões de pessoas.
Por isso, quando é usada em vídeos institucionais ou mensagens partidárias, também pode ser vista como uma apropriação da imagem do artista.
No caso de Ariana Grande, o confronto com a Casa Branca foi além de um comentário apagado no TikTok. A discussão abriu mais um capítulo sobre quem controla a narrativa pública e até onde pode ir a política quando recorre ao poder simbólico da cultura pop.

