Pedro Chagas Freitas emociona leitores com mensagem de gratidão: “Quem me lê salva-me tantas vezes sem saber”

Pedro Chagas Freitas emociona leitores com mensagem de gratidão: “Quem me lê salva-me tantas vezes sem saber”, disse.

Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para deixar uma mensagem de profunda gratidão aos leitores. Num texto íntimo, o escritor falou da relação que mantém com quem o acompanha, das sessões de autógrafos e do modo como esse carinho o tem ajudado em momentos difíceis.

A publicação, dirigida “aos que me amam assim”, transforma a ligação entre autor e público numa espécie de família construída através dos livros, das feridas e do amor.

Uma declaração aos leitores

Na publicação partilhada nas redes sociais, Pedro Chagas Freitas começou por recusar o lugar de alguém que merece agradecimentos. Pelo contrário, assumiu-se pequeno perante a dimensão do afeto que recebe.

“AOS QUE ME AMAM ASSIM:
Não me agradeçam, por favor. Sou minúsculo para isso, para isto. Tenho uma ternura quase insuportável por cada um de vós. Tenho em mim a ternura insustentável, e linda e maravilhosa, de ser amado assim.”

Depois, o escritor explicou que não olha para quem o acompanha apenas como leitores. Para Pedro Chagas Freitas, há rostos que se repetem em várias cidades e acabam por ganhar outro lugar na sua vida.

“Quando olho para esta imagem, não consigo ver leitores. O que vejo é pessoas da minha vida, pessoas da minha história. Há quem apareça numa sessão em Braga, depois noutra em Faro, depois noutra em Guimarães, e ainda noutra em Coimbra. Encontro-os como quem reencontra família.”

“Uma família improvável”

A partir dessa ideia, o autor aproximou a experiência literária da noção de reencontro familiar. Não se trata apenas de livros, filas ou assinaturas. Trata-se, segundo o próprio, de uma ligação humana.

“Há poucos instantes mais belos do que aquele em que reencontramos família, não há?”

Em seguida, Pedro Chagas Freitas definiu essa comunidade de leitores como uma família improvável, unida pelo amor e pelas feridas de cada um.

“Acho que é isso que somos todos: uma família improvável, ligada por feridas, por amor. Quem me lê caminha ao meu lado. Quem me lê salva-me tantas vezes sem saber. Já estive quase desistido, sabem? Achava que não tinha mais nada para dar. Sentia-me esmagado.”

A confissão trouxe também um reconhecimento de fragilidade. O escritor falou de momentos em que se sentiu no limite, aproximando a sua experiência da de muitos leitores.

“Todos estamos às vezes profundamente esmagados, não estamos?”

Mensagens, abraços e histórias que seguram

Pedro Chagas Freitas revelou ainda que, nos dias mais difíceis, foram muitas vezes os leitores a segurá-lo. Podia ser uma mensagem, uma história partilhada ou uma dedicatória guardada durante anos.

“Nesses dias, aparecia sempre um de vocês, ou alguns de vocês, a dar-me a mão. Era uma mensagem, uma história, um abraço, uma fotografia, uma dedicatória minha guardada durante anos. Aquilo segurava-me; aquilo segurou-me.”

Logo depois, o escritor deixou uma pergunta que resume o tom emocional da publicação.

“Todos precisamos às vezes de quem nos segure, não precisamos?”

A mensagem ganha força precisamente por essa reciprocidade. Pedro Chagas Freitas não se coloca apenas como autor que oferece palavras. Assume também que recebe dos leitores uma forma de amparo.

“O mundo continua cheio de gente bonita”

Ao longo do texto, o escritor recordou ainda as histórias que escuta nos encontros com o público. Muitas delas, escreveu, nascem de feridas profundas e de lugares íntimos.

“A vida magoou tanta gente desta fila. Eu sei. Vocês contam-me. Dizem-me o que se calhar não dizem aos amigos, ou até a vocês próprios. Sentam-se à minha frente, deixam-me entrar em lugares muito íntimos do vosso medo. Saio do vosso abraço com muito mais do aquilo que dei.”

Depois, Pedro Chagas Freitas deixou nova interrogação, desta vez sobre a beleza que ainda existe nas pessoas.

“O mundo continua cheio de gente bonita, não continua?”

A frase surge como contraponto à dor mencionada antes. Mesmo entre histórias difíceis, o autor encontra no encontro com os leitores uma forma de esperança.

Imperfeitos, mas juntos

No fecho da publicação, Pedro Chagas Freitas afastou qualquer ideia de perfeição. Para o escritor, o que une aquela comunidade não é uma imagem idealizada, mas a possibilidade de serem imperfeitos em conjunto.

“O que nos junta é o contrário da perfeição; o que nos junta é sermos imperfeitos juntos.”

Por fim, o autor explicou o sentido dos abraços que dá aos leitores. Não os vê como obrigação pública, nem como gesto de simpatia protocolar.

“Quando me abraço a vocês, não pensem que estou a cumprir um protocolo, não pensem que estou a ser simpático. Estou a agradecer.
Obrigado.”

Assim, Pedro Chagas Freitas transformou uma publicação nas redes sociais numa carta aberta aos leitores. Uma carta sobre gratidão, fragilidade e a força silenciosa de quem acompanha um escritor para lá das páginas dos livros.

Veja a publicação AQUI.

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