O último adeus de Alan Jackson: uma noite que fez Nashville chorar e celebrar uma lenda, e pode saber tudo aqui.
O fim de uma era
Foram quase quatro décadas de canções que contaram histórias de amor, família, fé e da América profunda. Na noite de 27 de junho, o palco do Nissan Stadium, em Nashville, recebeu aquele que foi o último concerto de carreira de Alan Jackson. E, para muitos, não foi apenas o fim de uma digressão: foi o encerramento de um dos capítulos mais importantes da história da música country.
Uma despedida marcada pela emoção
Perante mais de 50 mil fãs, Jackson surgiu visivelmente emocionado. A luta contra a doença neurológica hereditária Charcot-Marie-Tooth, tornada pública em 2021, limitou-lhe os movimentos, mas nunca lhe roubou a voz nem a dignidade. Cada passo no palco parecia carregar o peso de uma carreira construída sem atalhos e de uma despedida que ninguém queria testemunhar.
As estrelas que prestaram homenagem
A homenagem esteve à altura da dimensão do artista. Nomes como Carrie Underwood, Luke Combs, Luke Bryan, Miranda Lambert, Eric Church, Thomas Rhett, Lainey Wilson, Cody Johnson e George Strait subiram ao palco para interpretar alguns dos maiores êxitos de Jackson, partilhando memórias e agradecimentos ao homem que inspirou várias gerações de artistas.
O dueto dos duetos
“Poderão reconhecer este homem”, disse Jackson a meio do espetáculo.
De seguida, George Strait entrou em palco, sendo recebido com uma enorme ovação do público.
Os dois interpretaram, alternando os versos, o êxito “Designated Drinker”, lançado em 2002.
Ao unirem as vozes no refrão, cantaram:
“Acabei de perder aquela que me tinha completamente apaixonado / Sim, preciso de chegar a um lugar onde deixe de pensar nela / Por isso, esta noite, sou o ‘bebedor designado’.”
No final da música, Strait entregou um copo a Jackson e brincou: “Trouxe-te uma água Jack Daniel’s. É um prazer estar aqui com esta lenda, o senhor Alan Jackson.” Jackson respondeu de imediato: “Vamos tocar aquela outra música que costumávamos fazer juntos.”
Os dois seguiram então para “Murder on Music Row”, tema lançado em 1999 que utiliza uma metáfora para lamentar o afastamento da música country das suas raízes tradicionais.
Strait também já se despediu e faz aparições espontâneas como a lenda fantasma
O cantor de 73 anos, conhecido por temas como “Amarillo By Morning”, conheceu Alan Jackson em Nashville no final da década de 1980.
Ao longo dos anos, os dois tornaram-se amigos e dividiram o palco em inúmeros momentos marcantes da música country.
Em 2014, George Strait despediu-se das grandes digressões com a “The Cowboy Rides Away Tour”, cuja última atuação decorreu no AT&T Stadium, em Arlington, Texas. Nesse concerto, Alan Jackson juntou-se ao amigo em palco para interpretar “Murder on Music Row” e “Amarillo By Morning”, num momento que ficou gravado na memória dos fãs da música country.
O tributo de Carrie Underwood
Um dos momentos mais emotivos aconteceu quando Carrie Underwood recordou que o primeiro grande concerto da sua vida foi precisamente um espetáculo de Alan Jackson, ainda na adolescência. Anos depois, regressou ao palco para lhe dizer “obrigado” diante de milhares de pessoas, fechando um círculo que emocionou artistas e público.
Uma banda sonora de memórias
Ao longo da noite ouviram-se clássicos como Gone Country, Livin’ on Love, Remember When, Where Were You (When the World Stopped Turning) e, naturalmente, Chattahoochee, que encerrou a atuação entre fogo de artifício, aplausos intermináveis e lágrimas nas bancadas.
Uma despedida com um propósito
Mas a despedida foi também um gesto de esperança. Parte da receita do espetáculo foi para a investigação da doença Charcot-Marie-Tooth, permitindo angariar mais de 2,25 milhões de dólares para ajudar a investigação científica e ampliar a consciencialização da doença rara.
“Esta tem sido uma noite absolutamente incrível para mim. Estive aqui sentado a assistir a muitas destas atuações e a todas estas coisas bonitas que as pessoas disseram. É tudo muito avassalador. Dá-me vontade de deitar uma lágrima, para ser sincero”, disse ele, com um sorriso.
“Nem tenho palavras para descrever o que sinto esta noite”
“Agradeço imenso a todos vocês por estarem aqui esta noite e a todos os artistas que tiraram do seu tempo para vir aqui cantar algumas das minhas músicas para vocês… Alguns cantaram-nas tão bem que até gostava de as ter cantado assim. Foi mesmo incrível. Nem tenho palavras para descrever o que sinto esta noite. Tem sido completamente avassalador.”
A atuação de Jackson foi também acompanhada em direto por milhares de pessoas para lá do interior da casa dos Tennessee Titans. Transmissões em direto no Fisher Center da Universidade de Belmont e no CMA Theater do Country Music Hall of Fame juntaram várias centenas de pessoas, enquanto vários milhares assistiram ao concerto de despedida de Jackson em ecrãs instalados no centro da Broadway.
A rua foi encerrada e ficou cheia de público, com pessoas a ocupar também os telhados dos bares de música country que alinham a avenida. Ainda mais fãs acompanharam o espetáculo e cantaram em conjunto a partir da ponte pedonal sobre o rio Cumberland, que liga o estádio ao centro da cidade.
O último concerto de longa duração de Alan Jackson vai ser lançado em formato áudio
A MCA vai lançar este outono o álbum em CD “Alan Jackson – Last Call: One More for the Road – The Finale (Live from Nashville, TN)”.
O ícone do Country Music Hall of Fame, compositor e superestrela construiu uma das carreiras mais celebradas da música country, marcada por uma autenticidade emotiva, composições intemporais e uma firme vontade de se manter fiel a si próprio.
O álbum ao vivo que será editado preserva “Last Call: One More for the Road – The Finale”, o último concerto completo da carreira em digressão de Alan Jackson. Gravado perante mais de 80 mil fãs em Nashville, no sábado, 27 de junho, o disco capta uma noite inesquecível dedicada às canções, às histórias e à voz inconfundível que marcaram várias gerações de fãs de música country.
Um legado eterno
Alan Jackson despediu-se das grandes digressões, mas deixou muito mais do que um catálogo de sucessos. Deixou um legado de autenticidade, de respeito pelas raízes da música country e de canções que atravessaram gerações sem perderem a capacidade de emocionar.
Naquela noite, em Nashville, não se ouviu apenas a última nota de um concerto. Ouviu-se o adeus de um dos maiores contadores de histórias que a música country alguma vez conheceu.

