Catarina Miranda entra na polémica entre Daniela Santiago e Francisca Laranjo: “Quem tem anos de profissão devia liderar pelo exemplo”, disse.
A discussão em torno da cobertura televisiva do incêndio de Vouzela ganhou uma nova voz. Catarina Miranda decidiu posicionar-se publicamente ao lado de Francisca Laranjo.
A antiga concorrente da TVI criticou a forma como Daniela Santiago expôs a sua análise nas redes sociais e defendeu outra abordagem entre profissionais.
Entretanto, a jornalista da RTP voltou ao assunto e esclareceu que não pretendeu atacar a repórter da CMTV.
Catarina Miranda critica exposição pública
Depois da troca de mensagens entre Daniela Santiago e Francisca Laranjo, Catarina Miranda decidiu intervir através das redes sociais.
A ribatejana considerou que profissionais com mais experiência devem procurar orientar quem está a iniciar ou consolidar o percurso.
“A verdadeira grandeza mede-se pela capacidade de inspirar os que vêm a seguir, não pelo impulso de os diminuir. Quem tem anos de profissão devia liderar pelo exemplo“, começou por escrever.
Para Catarina Miranda, eventuais reparos à reportagem deveriam ter sido feitos de forma privada.
“Se viu erros, bastava uma mensagem privada, um conselho, uma conversa entre colegas. Isso é profissionalismo“, rematou.
Daniela Santiago tinha criticado o direto em Vouzela
A polémica começou no sábado, 4 de julho.
Daniela Santiago analisou um direto de Francisca Laranjo durante o incêndio de Vouzela e fez críticas à forma como a cobertura estava a ser conduzida.
“Acabei de ver um direto de uma jovem, cerca de 10 minutos, que não deu qualquer informação. Apenas dizia que nunca viu nada assim, visivelmente assustada, no meio do fogo. Fazer Jornalismo não é isto”, escreveu.
Francisca Laranjo respondeu nos comentários da publicação e mostrou desagrado com a atitude da colega.
“Lamento se achou que estava nervosa demais, preocupada e assustada. Lamento as minhas emoções como uma miúda de 25 anos. Mas lamento, acima de tudo, a falta de camaradagem. Um beijinho”, respondeu.
Daniela Santiago volta a explicar posição
Depois da resposta de Francisca Laranjo e da intervenção pública de Tânia Laranjo, Daniela Santiago voltou ao tema.
A jornalista da RTP dirigiu-se diretamente à jovem repórter e garantiu que a intenção não tinha sido atacar.
“Agora entendo tudo. Inclusive o post da tua mãe. Não te quis atacar, mas sim proteger. Senti que querias fazer a coisa correta, fechar o direto e procurar um sítio onde pudesses fazer melhor o teu trabalho. Este é um dos temas que discuti com os meus alunos nas aulas de jornalismo”, escreveu.
Depois, explicou que a crítica está ligada a uma reflexão que diz fazer há vários anos sobre a cobertura mediática de incêndios.
“Não é falta de camaradagem, é respeito e preocupação pela nossa função enquanto jornalistas e cidadãos. Tive o cuidado de cortar o nome do canal em cima, não revelei qualquer nome de profissionais. Desde 2013 que escrevo sobre a forma como ‘abordamos as chamas e transformamos o fogo num espetáculo mediático, muitas vezes sem carácter noticioso ou utilidade, serviço público’”, acrescentou.
Jornalista recorda experiência em Espanha
Daniela Santiago explicou ainda que o debate sobre a cobertura dos incêndios não começou com este episódio.
A profissional recordou um artigo escrito durante o período em que esteve em Espanha, no qual comparou a cobertura mediática realizada nos dois países.
“Quando estava em Espanha escrevi um artigo, contestado por uns e aplaudido por outros, sobre a diferença da cobertura mediática de incêndios nos dois países. O que escrevi assenta em todos, principalmente chefias que muitas vezes insistem em manter no ar estas imagens e o sofrimento do outro”, contou.
No final, Daniela Santiago voltou a dirigir-se a Francisca Laranjo e afirmou que a repórter foi apenas o exemplo usado para sustentar uma reflexão mais ampla.
“Foste apenas um caso que naquele momento sustentou a que escrevo há mais de uma década. Não personalizei. Espero que tenhas o maior sucesso ao longo da tua carreira. Nunca será necessário estar em cima de uma chama, de uma onda, de um telhado, para noticiar um incêndio, uma tempestade ou um vendaval”, frisou.
A discussão passou, assim, de uma crítica a um direto para um debate mais amplo sobre exposição pública, camaradagem profissional e os limites da cobertura televisiva em cenários de risco.
