Morreu João Milagre, realizador, docente e figura ligada a várias gerações do cinema português, um vulto na cultura.
Morreu João Milagre, realizador, docente e profissional com um percurso ligado ao cinema, à televisão, ao teatro, à música e à criação contemporânea.
A morte foi anunciada esta segunda-feira pela Academia Portuguesa de Cinema, que destacou o contributo deixado pelo realizador e professor na formação de várias gerações de profissionais.
Natural de Lisboa, João Milagre construiu um percurso marcado pela passagem por diferentes linguagens artísticas, sem abandonar a ligação ao ensino e à experimentação.
Do cinema ao trabalho com realizadores internacionais
Licenciado em Realização pela Escola Superior de Teatro e Cinema, João Milagre desenvolveu uma carreira que atravessou várias áreas da criação audiovisual.
Enquanto assistente de realização, trabalhou com alguns dos mais reconhecidos cineastas portugueses e internacionais.
Do seu percurso fizeram parte colaborações com Manoel de Oliveira, José Fonseca e Costa e Francisco Manso.
Também trabalhou com Bille August, Patrice Chéreau, Charles Sturridge e Tom Clegg.
A atividade profissional não ficou, porém, limitada à realização. João Milagre passou igualmente pela produção, pela escrita para televisão e pela criação teatral.
Ligação à Galeria Zé dos Bois e à criação contemporânea
João Milagre esteve também envolvido em projetos ligados à experimentação artística.
Entre eles contou-se a Akademya Lusoh-Galáktika, dirigida por Edgar Pêra.
Além disso, foi um dos fundadores da Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, participando ativamente na dinamização da criação artística contemporânea.
A música ocupou igualmente um lugar importante no seu percurso. João Milagre integrou vários projetos como baixista, somando essa dimensão ao trabalho desenvolvido no audiovisual e nas artes performativas.
«2084 Imagine» passou do CCB para a RTP3
Em colaboração com Graça Castanheira, João Milagre concebeu o ciclo de entrevistas «2084 Imagine».
A iniciativa foi apresentada no Centro Cultural de Belém e reuniu personalidades das artes, da cultura e da ciência em torno de uma reflexão sobre o futuro.
Mais tarde, o projeto deu origem a uma série televisiva emitida pela RTP3.
A passagem de uma iniciativa cultural para o espaço televisivo refletiu a capacidade de João Milagre para cruzar diferentes formatos e públicos ao longo da carreira.
Ensino ocupou lugar central no percurso de João Milagre
Paralelamente à atividade artística, João Milagre dedicou uma parte significativa da vida à docência.
Na Escola Superior de Teatro e Cinema, lecionou nas áreas da Produção e do Argumento.
O trabalho desenvolvido no ensino tornou-o também uma figura ligada diretamente à preparação de novos profissionais do setor audiovisual.
À data da morte, desempenhava as funções de Presidente do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Teatro e Cinema.
Integrava ainda o Centro de Desenvolvimento e Inovação Pedagógica do Instituto Politécnico de Lisboa.
Entre cinema, televisão, teatro, música e ensino, João Milagre deixa um percurso transversal à criação artística portuguesa e à formação de profissionais do audiovisual.
