Dívidas travam reforços e salários no Al Nassr enquanto Cristiano Ronaldo passa férias em Cascais, segundo foi revelado.
O Al Nassr iniciou a preparação da época 2026/27 sem conseguir avançar para a contratação de novos jogadores. A acumulação de dívidas está a limitar o planeamento da equipa de Cristiano Ronaldo e João Félix.
Ange Postecoglou já orienta os trabalhos de pré-época, mas continua à espera de reforços. O novo treinador encontra um clube condicionado por compromissos financeiros que ultrapassam as receitas disponíveis.
Além do bloqueio no mercado, a situação terá provocado atrasos no pagamento de salários a vários jogadores com contrato. Antes de voltar a contratar, a administração terá de reorganizar as contas e demonstrar capacidade financeira.
Al Nassr já recebeu os fundos previstos pelas entidades sauditas
Uma fonte próxima do processo garantiu ao jornal saudita Arriyadiyah que o problema não resulta de pagamentos em falta por parte das entidades responsáveis pelo apoio aos clubes.
Segundo essa informação, o Al Nassr já recebeu a totalidade dos fundos previstos na estratégia do Ministério do Desporto e da Liga Profissional Saudita.
Contudo, a aplicação desse dinheiro depende da administração do emblema. Simão Coutinho e José Semedo integram atualmente a estrutura dirigente responsável por encontrar uma solução para as dívidas.
Parte das verbas poderá ser utilizada para liquidar os compromissos existentes. Ainda assim, qualquer decisão terá de integrar um plano que garanta a estabilidade financeira do clube.
Sem esse equilíbrio, o Al Nassr continuará impedido de inscrever novas contratações e de reforçar o plantel entregue a Ange Postecoglou.
Direção ainda não terá apresentado documentação financeira
De acordo com o Arriyadiyah, a dívida acumulada é superior às receitas do clube. Esse desequilíbrio explica a ausência de movimentos do Al Nassr no atual mercado de transferências.
A mesma fonte refere que os problemas também atingiram o pagamento de salários. Vários jogadores terão verbas em atraso, aumentando a pressão sobre a direção.
Além disso, a administração ainda não terá entregado às entidades competentes os documentos que comprovem a capacidade financeira necessária para contratar.
O clube terá, por isso, de concluir os procedimentos exigidos antes de regressar ao mercado. Até lá, Postecoglou trabalha com as opções já disponíveis.
A situação poderá condicionar a preparação do campeão saudita, apesar de a nova época já estar em andamento nos bastidores.
Cristiano Ronaldo já tinha demonstrado descontentamento
Os problemas agora conhecidos surgem depois de Cristiano Ronaldo ter manifestado insatisfação com a política de investimento no futebol saudita.
Em fevereiro, o capitão do Al Nassr falhou os encontros das 20.ª e 21.ª jornadas do campeonato. A ausência foi apresentada como um boicote relacionado com o tratamento dado ao clube.
Ronaldo considerava que o Fundo de Investimento Público Saudita investia mais no Al Hilal do que no Al Nassr. Na altura, as duas sociedades estavam sob influência do mesmo fundo.
O descontentamento aumentou depois de o Al Hilal ter contratado Karim Benzema em janeiro. Para o internacional português, o rival beneficiava de condições superiores no mercado.
Entretanto, em abril, uma participação de 70% no capital social do Al Hilal passou para uma empresa detida pelo príncipe saudita Al Waleed bin Talal Al Saud.
PIF poderá reduzir participação no clube
O Fundo de Investimento Público detém 75% do capital social do Al Nassr. Contudo, a intenção poderá passar pela venda total ou parcial dessa posição.
A atual crise surge também num contexto de redução do investimento público no futebol saudita. O objetivo será diminuir a despesa estatal associada aos clubes.
Esta mudança poderá obrigar o Al Nassr a encontrar um modelo financeiro mais autónomo. A direção terá de equilibrar as contas sem depender do mesmo nível de apoio recebido nos últimos anos.
Apesar das dificuldades, a última temporada terminou com a conquista do título saudita. Agora, o clube enfrenta o desafio de defender o troféu com um plantel que ainda não pôde ser reforçado.
Ronaldo aproveita férias na mansão da Quinta da Marinha
Enquanto o Al Nassr procura resolver os problemas financeiros, Cristiano Ronaldo encontra-se de férias em Portugal. O avançado está a aproveitar o intervalo entre a eliminação da Seleção Nacional no Mundial e o regresso à Arábia Saudita.
O jogador tem passado parte do período de descanso na mansão construída na Quinta da Marinha, em Cascais. As obras prolongaram-se durante cerca de três anos.
A propriedade terá custado aproximadamente 35 milhões de euros e conta com oito quartos. Inclui ainda duas piscinas, spa, cinema e uma garagem destinada à coleção de automóveis do futebolista.
Entre os espaços da casa encontra-se também uma pista de bowling. Georgina Rodríguez mostrou nas redes sociais a família a experimentar o equipamento nos últimos dias.
Com vista para o mar, a propriedade tornou-se o refúgio de Cristiano Ronaldo antes do início de mais uma temporada. O regresso encontrará, contudo, um Al Nassr ainda condicionado pelas dívidas, pelos salários em atraso e pelo bloqueio às contratações.
