Pedro Chagas Freitas deixa reflexão sobre a felicidade: «É do banal que teremos saudades»

Pedro Chagas Freitas deixa reflexão sobre a felicidade: «É do banal que teremos saudades», considerou o escritor.

O escritor dirigiu uma carta a quem acredita que os outros estão a viver um verão melhor e alertou para as ilusões criadas pelas redes sociais

Pedro Chagas Freitas voltou a usar as redes sociais para refletir sobre a vida quotidiana e a forma como as imagens partilhadas pelos outros podem criar uma sensação enganadora de insuficiência.

Numa publicação intitulada Carta a quem acha que toda a gente está a ter um verão melhor do que o seu, o escritor contrapôs os destinos paradisíacos e as fotografias perfeitas à felicidade que pode existir dentro de casa, nos momentos mais simples e junto de quem se ama.

«Parece que toda a gente está a viver dias irrepetíveis»

Pedro Chagas Freitas começou por descrever o impacto de olhar para o telemóvel e encontrar uma sucessão de imagens aparentemente perfeitas.

«Meu caro,

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olhas para o telemóvel e parece que toda a gente está a viver dias irrepetíveis. Há uma ilha azul, um hotel caro, uma mesa bonita, uma fotografia luminosa, uma família que parece nunca discutir, um casal que parece nunca se cansar de se amar.

Tu estás em casa, olhas para a tua sala, está tudo um caos, o teu filho está sentado no chão a brincar com uma caixa de cartão há meia hora. Durante alguns segundos, quase tens pena dele.

É extraordinário, e é sobretudo estúpido.

Conseguimos sentir pena de uma criança feliz só porque ela não está numa piscina infinita.»

O escritor sublinhou, de seguida, que são as pessoas e os momentos partilhados que permanecem na memória, e não necessariamente os cenários onde aconteceram.

«A felicidade não precisa de cenário»

«A felicidade não precisa de cenário.
A memória guarda pessoas.

Aos oitenta anos, não vais fechar os olhos para voltar ao hotel; vais fechar os olhos para voltar ao colo, ao abraço, à voz que já não existe, à gargalhada quando o jantar queimava, à torre de Legos que demoraste horas a construir e que o teu filho vai destruir em vinte segundos, à cabeça de quem amamos encostada ao nosso ombro.»

Pedro Chagas Freitas defendeu ainda que o amor se constrói através do tempo dedicado aos outros, mesmo quando esse tempo é vivido em circunstâncias aparentemente banais.

«O amor não exige um local de sonho; exige duas pessoas a gastar tempo uma com a outra, exige gastar juntos o tempo que nunca recuperaremos. É do banal que teremos saudades.

A felicidade não é um acontecimento; é uma permanência. É estar.»

«O lugar mais paradisíaco do mundo é aquele onde estás»

Na parte final da reflexão, o escritor deixou um apelo para que a banalidade não seja vista como algo menor, mas como o espaço onde a vida realmente acontece.

«Não tenhas vergonha da banalidade; lambuza-te dela. A vida que interessa não traz fogo-de-artifício; traz um sorriso, entra descalça, senta-se ao teu lado no sofá, pede-te que olhes para o teu filho, para o teu marido, para a tua mulher, para quem amas. Não tens de ir a lado nenhum.

Suspeito que o lugar mais paradisíaco do mundo é aquele onde estás. Tenta aproveitá-lo, sim?»

Com a publicação, Pedro Chagas Freitas deixou uma crítica à comparação constante alimentada pelas redes sociais e recordou que a felicidade nem sempre surge associada a viagens, hotéis ou fotografias perfeitas.

Veja a publicação AQUI.

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