Pedro Chagas Freitas critica comentários sobre os corpos de Fanny Rodrigues, Zé Lopes e Carolina Deslandes

Pedro Chagas Freitas critica comentários sobre os corpos de Fanny Rodrigues, Zé Lopes e Carolina Deslandes, nas redes sociais.

Pedro Chagas Freitas voltou a recorrer às redes sociais para deixar uma reflexão sobre os julgamentos dirigidos à aparência física de figuras públicas.

O escritor mencionou Fanny Rodrigues, Zé Lopes e Carolina Deslandes como exemplos de pessoas que, durante anos, receberam comentários sobre o peso. Agora, depois de terem emagrecido, passaram a ser criticadas pelo motivo contrário.

Numa carta dirigida a quem comenta o corpo dos outros, Pedro Chagas Freitas começou por associar esse comportamento à insatisfação pessoal.

“Meu caro,

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uma pessoa feliz não perde tempo a medir o corpo de um desconhecido.

Durante anos disseram à Fanny Rodrigues, ao Zé Lopes, à Carolina Deslandes e a tantas outras pessoas que eram gordos. Agora emagreceram. As mesmas pessoas descobriram que afinal estavam demasiado magros.

Há quem nunca encontre o peso certo dos outros.”

“Há tanta gente convencida de que os outros lhes devem explicações”

Pedro Chagas Freitas alargou depois a reflexão para além das mudanças físicas. Para o escritor, existe uma exigência constante de justificações sobre decisões que pertencem apenas à vida de cada pessoa.

“Há tanta gente convencida de que os outros lhes devem explicações, não há?

Emagreceu? Explica.
Engordou? Explica.
Separou-se? Explica.
Apaixonou-se? Explica.
Publicou uma fotografia? Explica.”

O autor criticou ainda quem transforma a observação das vidas alheias numa espécie de fiscalização permanente. Corpos, relações e emoções tornam-se, assim, temas sujeitos à avaliação de desconhecidos.

“Por todo o lado há fiscais: fiscalizam corpos, emoções, vidas, o que não lhes pertence, o que nunca lhes pertenceu. Há quem passe tanto tempo a olhar para a pele dos outros que nunca chega à própria alma.”

“Ver não é conhecer”

Na publicação, Pedro Chagas Freitas lembrou também que uma fotografia não permite conhecer o estado físico, emocional ou pessoal de alguém.

O escritor deixou como exemplo os comentários dirigidos a quem aparenta ter perdido peso, sublinhando que uma opinião feita em poucos segundos pode ter consequências.

“Ver não é conhecer.

Quando vês uma fotografia durante três segundos, não sabes nada. Quando escreves ‘estás demasiado magra’, talvez estejas apenas a dizer: ‘preciso desesperadamente de sentir que a minha opinião tem algum peso.’”

“Liberdade de expressão não é obrigação de expressão”

Na parte final da carta, Pedro Chagas Freitas defendeu que a possibilidade de expressar uma opinião não obriga ninguém a partilhá-la, sobretudo quando está em causa o corpo de outra pessoa.

Para o autor, saber permanecer em silêncio pode revelar mais respeito do que um comentário não solicitado.

“Nem tudo o que pensamos merece existir: liberdade de expressão não é obrigação de expressão. A elegância, muitas vezes, não está no que dizemos; está no que optamos por não dizer.

O corpo dos outros não precisa da tua opinião.”

Com esta reflexão, Pedro Chagas Freitas contestou a facilidade com que se analisam mudanças físicas a partir de imagens, sem conhecer as circunstâncias vividas por quem está do outro lado.

Veja a publicação AQUI.

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