Duarte Fernandes revela palavras de Rui Fernandes após alternativa no Campo Pequeno

Duarte Fernandes revela palavras de Rui Fernandes após alternativa no Campo Pequeno, na noite de ontem, em Lisboa.

Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador

Duarte Fernandes viveu, esta quinta-feira, 6 de agosto, um dos momentos mais marcantes da carreira ao tomar a alternativa no Campo Pequeno, precisamente 28 anos depois de Rui Fernandes ter vivido o mesmo momento.

A ligação entre tio e sobrinho esteve presente muito para lá da cerimónia. Duarte entrou em praça com a mesma casaca usada por Rui Fernandes quando tomou a alternativa, a 6 de agosto de 1998, e, pouco depois da lide do primeiro touro, falou ao Infocul.pt sobre a emoção de uma noite que começou com uma forte ovação do público lisboeta.

“Muito feliz, muito feliz. É inexplicável. Agradeço a todas as pessoas que estão e que estiveram hoje aqui em Lisboa. Mais feliz é impossível.”

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As palavras de Rui Fernandes num momento vivido “à flor da pele”

A alternativa foi concedida por Rui Fernandes, com Diego Ventura como testemunha, num momento que Duarte descreveu como particularmente emotivo.

Questionado pelo Infocul.pt sobre aquilo que o tio lhe disse durante a cerimónia, o novo cavaleiro de alternativa revelou que as palavras foram poucas, mas carregadas de significado.

“É um momento sempre muito emotivo, não é? Em que estão sempre os sentimentos à flor da pele. As palavras do meu tio foram bastante curtas, porque nós nunca nos queremos deixar levar muito pela emoção, não é? Muito resumidamente, desejou-me a maior sorte do mundo, disse-me o que eu significava para ele e que vai estar sempre aqui por mim.”

Duarte não escondeu que a componente familiar tornou tudo ainda mais intenso.

“Estou muito feliz, muito feliz. São sempre momentos muito sentimentais, em que temos todos os sentimentos à flor da pele.”

A mesma casaca de Rui Fernandes 28 anos depois

Um dos detalhes mais simbólicos da noite passou precisamente pela indumentária escolhida por Duarte Fernandes.

A casaca de champanhe e ouro não foi apenas uma estreia para o jovem cavaleiro. Tinha sido usada por Rui Fernandes no dia em que tomou a alternativa, também a 6 de agosto, mas de 1998.

“É uma estreia para mim, mas foi também a casaca com que o meu tio tomou a alternativa, no dia 6 de agosto de 1998. E a verdade é que me sinto orgulhoso por a poder usar.”

O gesto reforçou a continuidade de uma ligação familiar ao toureio a cavalo que, naquela noite, ganhou oficialmente um novo capítulo no Campo Pequeno.

“Permitiu-me tourear como eu gosto”

Depois da cerimónia, Duarte Fernandes enfrentou um touro de Maria Guiomar Cortes de Moura com 592 quilos e aproveitou as condições do animal para construir uma atuação de forte ligação com o público.

No final da lide, mostrou-se satisfeito com o comportamento do touro e com aquilo que este lhe permitiu expressar em praça.

“Permitiu-me tourear como eu gosto. Tinha ritmo. Acho que foi um touro bastante bom e estou muito feliz pelo ganadeiro também.”

A atuação terminou com volta à arena, num primeiro capítulo de uma noite que acabaria por ganhar ainda maior dimensão para Duarte Fernandes no segundo touro do seu lote.

Mas, naquele momento, ainda antes de a corrida terminar, já havia algo que dificilmente poderia ser apagado: a alternativa tinha sido recebida na mesma data, com a mesma casaca e pelas mãos do homem que, 28 anos antes, tinha iniciado exatamente o mesmo caminho.

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