João Moura Caetano prepara encerrona no Redondo: «É dar tudo para fechar com chave de ouro», afirmou o cavaleiro.
Entrevista e fotografia: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador
João Moura Caetano viveu duas histórias completamente diferentes na Praça de Touros do Sítio da Nazaré. Primeiro, encontrou aquele que classificou como o touro mais complicado das cerca de 35 corridas que já leva esta temporada. Depois, teve pela frente um exemplar que lhe permitiu regressar ao seu toureio, sentir-se mais cómodo e terminar a noite com outro sabor.
No final das duas lides, o cavaleiro falou ao Infocul.pt sobre as dificuldades que encontrou na arena nazarena, explicou a opção pelo Gallo diante do primeiro touro e levantou também o véu sobre um dos grandes compromissos que ainda tem pela frente: a encerrona de 5 de outubro, no Coliseu de Redondo, onde enfrentará seis touros em solitário e deverá colocar um ponto final na temporada.
«Foi de longe o touro mais complicado que me saiu»
Moura Caetano não procurou suavizar aquilo que sentiu na primeira atuação. O exemplar de Manuel Veiga colocou-lhe problemas desde cedo e às dificuldades do touro juntaram-se as condições do piso naquela fase inicial da corrida.
«Foram completamente distintos. O primeiro touro foi muito complicado. Das 35 corridas que tenho este ano, foi de longe o touro mais complicado que me saiu. E o piso da arena, no primeiro touro, enquanto ainda não estava mexido, também estava complicado, porque havia uma determinada parte que estava dura.»
Numa praça de dimensões reduzidas, explicou, não existia grande margem para fugir aos terrenos menos favoráveis.
«Como é uma arena pequena, nós não nos podemos desviar do sítio que escorrega. Então, ele fez-me passar ali umas dificuldades grandes nas saídas. Depois, acho que nos curtos lhe dei a volta e pus os ferros como pude, mas era um touro bastante desluzido e perigoso.»
Foi uma lide em que o chamado Príncipe do Temple teve de trocar grande parte da estética que habitualmente procura pela necessidade pura de resolver problemas. Na Nazaré, naquele primeiro touro, houve menos seda e bastante mais armadura.
Gallo entrou para ajudar a resolver um problema sério
A entrada do Gallo durante a lide também não foi casual. João Moura Caetano explicou que procurou no cavalo precisamente aquilo que as circunstâncias exigiam: experiência e segurança.
«É o cavalo com mais ofício e com mais touros toureados. Era o cavalo que podia, mais do que sacar alguma coisa ao touro, defender-me um bocadinho, porque o touro realmente tinha sentido. Se não fosse um cavalo com muita experiência e um toureiro com experiência, era perigoso a sério.»
A afirmação ajuda a perceber aquilo que, visto das bancadas, já parecia evidente. Não se tratava apenas de procurar melhorar artisticamente a lide. Havia primeiro que garantir que a equação permanecia controlada.
No segundo touro, voltou a haver espaço para tourear
Se o primeiro foi um exercício de resistência, o segundo permitiu-lhe respirar de outra forma.
Moura Caetano encontrou um touro de características bastante diferentes e pôde recuperar alguns dos argumentos que mais facilmente se associam ao seu conceito de toureio.
«O segundo touro era um touro sem problema nenhum, mansote, mas nobre. Acho que tanto a Panamera, de saída, como o Campo Pequeno estiveram bem com ele e pus aqui quatro ou cinco ferros bons e a gosto.»
A diferença entre os dois exemplares foi, para o cavaleiro, evidente.
«Foi um touro completamente diferente, deixou-me praticar mais o meu toureio. Portanto, no segundo fiquei contente.»
E foi precisamente nessa segunda passagem que se viu um Moura Caetano mais templado, pausado e estético, depois de uma primeira lide em que as circunstâncias lhe exigiram uma versão muito mais combativa.
Uma temporada exigente que pode chegar às 50 corridas
Com cerca de 35 atuações já realizadas, João Moura Caetano fez também um balanço de uma temporada marcada pela diversidade de praças, touros e desafios.
«Tem sido uma temporada muito exigente, em todas as praças, com todo o tipo de touros, todo o tipo de pisos e todo o tipo de cartéis. Portanto, com muitos desafios diários. Acho que tenho dado a volta a cada touro que vai saindo, com algumas atuações inspiradas pelo meio.»
O número final pode ainda crescer consideravelmente.
«É uma temporada em que pode ser que alcance as 50 corridas. Vamos ver.»
Antes disso, porém, há uma data já marcada a vermelho.
Seis touros, sozinho, para fechar a temporada
A 5 de outubro, João Moura Caetano estará em solitário no Coliseu de Redondo para enfrentar seis touros, numa encerrona que o próprio assume como um dos compromissos mais especiais da temporada.
«Tenho muita expectativa, porque é uma praça de que gosto muito. O Redondo tem uma categoria à parte, é uma praça com uma sonoridade diferente e com uma categoria muito própria.»
A escolha dos seis touros ainda está em curso e o cavaleiro admite que existem várias possibilidades em cima da mesa.
«Ainda estou numa fase de escolher os touros para levar. Vão ser várias ganadarias, mas ainda não sei se vão ser das ganadarias de casa, se vou levar um de cada. Ainda estamos a tentar ver os touros no campo, para escolher todos os que vão para lá. Mas tenho muita expectativa.»
Não será apenas mais uma corrida no calendário. Se os planos se mantiverem, será também a despedida da temporada.
«Vai ser a última da temporada. Acho que não vou tourear mais nenhuma depois dessa. Portanto, é dar tudo para fechar com chave de ouro.»
Depois de uma noite na Nazaré em que teve de lidar primeiro com o perigo e depois com a possibilidade de voltar a desfrutar, Moura Caetano já olha para outubro.
No Redondo não haverá possibilidade de repartir responsabilidades. Serão seis touros, um cavaleiro e uma última oportunidade para deixar a temporada fechada exatamente como pretende: com a chave de ouro bem rodada na fechadura.
