«V+ Fama» recorda Diana 29 anos após a morte e debate novo livro do irmão sobre a princesa do povo.
O painel revisitou o impacto da princesa, a relação com os media, as causas humanitárias e as consequências da exposição pública nas vidas de William e Harry.
O «V+ Fama» dedicou parte da emissão desta segunda-feira, 31 de agosto, à memória da princesa Diana e ao novo livro que Charles Spencer prepara sobre a irmã. Embora durante a conversa tenha sido referido que passaram 30 anos sobre a tragédia, a efeméride assinala, na realidade, o 29.º aniversário da morte: Diana perdeu a vida a 31 de agosto de 1997, aos 36 anos.
Adriano Silva Martins conduziu o debate com Pimpinha Jardim, António Leal e Silva e Guilherme Castelo Branco, começando por recordar a dimensão mundial da figura de Lady Di.
“Faz 30 anos que morreu a princesa do povo, a princesa Diana, a mãe de William e Harry. Uma mulher que, de qualquer das maneiras, alguns mais, outros menos, alguns positivos, alguns negativos, também nos marcou a todos”, afirmou o apresentador, apesar do lapso na contagem dos anos.
Pimpinha Jardim recordou o impacto da notícia: “Acho impossível uma pessoa esquecer-se do dia em que, infelizmente, Lady Di morreu. Foi um grande choque para toda a gente.” Adriano Silva Martins concordou, descrevendo-o como “um choque gigantesco”.
Pimpinha Jardim recorda Diana enquanto mãe
Para Pimpinha Jardim, a memória da princesa não ficou limitada à imagem pública ou à influência que exerceu na moda.
“Era a princesa do povo, toda a gente a admirava. Era um ícone da moda, do estilo, mas sobretudo uma mãe muito dedicada aos seus dois filhos”, considerou.
A comentadora recordou fotografias e imagens televisivas de Diana com William e Harry, nomeadamente durante viagens, que ainda lhe provocam “um certo saudosismo”.
Pimpinha lembrou também como as notícias eram acompanhadas em 1997, numa época em que a internet ainda não tinha a presença atual. “Foi uma notícia chocante para toda a gente. Acompanhávamos através da rádio e dos programas que davam na televisão”, explicou.
António Leal e Silva protagonizou um momento de humor ao tentar perceber como recebeu a notícia quando seguia de automóvel pela Marginal. “Lembro-me perfeitamente de que alguém me ligou. Mas como é que me ligaram se não havia telemóveis? Só se as pessoas estivessem à janela aos gritos e eu ouvisse do carro”, brincou.
Adriano Silva Martins corrigiu: “Telemóveis havia, não havia era com internet.”
A relação de Diana com os media
António Leal e Silva descreveu Diana como uma mulher inteligente, carismática e consciente da força da comunicação social. Na sua leitura, a princesa percebeu que os media poderiam ser utilizados para enfrentar a estrutura rígida da Casa Real britânica.
“Soube e percebeu qual era a maneira de fazer tudo para poder, entre aspas, alegadamente combater contra o sistema, contra a Casa Real, que era através dos media”, afirmou.
O comentador defendeu ainda que Diana conquistou aliados em diferentes setores da sociedade, recorrendo a uma expressão controversa para caracterizar o apoio recebido junto da comunidade LGBT.
“Arranjou aliados fortíssimos, arranjou o maior lobby do mundo, que é o lobby mais poderoso, que é o lobby gay. Quem tem o apoio do lobby gay fica garantido para o resto da vida”, declarou.
António Leal e Silva destacou também a forma como Diana retomou a vida pessoal depois da separação do então príncipe Carlos. Recordou as imagens da princesa ao lado de Dodi Al-Fayed, em Saint-Tropez, e considerou que “fez muito bem” em não abdicar da própria liberdade.
A conversa abordou ainda as várias teorias da conspiração surgidas depois do acidente em Paris, incluindo as especulações, nunca comprovadas, de que Diana estaria grávida de Dodi Al-Fayed.
Exposição deixou marcas em William e Harry
O impacto da exposição pública na vida dos filhos da princesa foi outro dos temas debatidos. Adriano Silva Martins recordou que William e Harry cresceram perante a divulgação permanente dos problemas conjugais dos pais.
“A vida deles era completamente exposta, a vida marital dos pais exposta até ao tutano, os amantes do pai, os amantes da mãe e, depois, a morte prematura da mãe. Obviamente, isto é para deixar uma pessoa abalada”, analisou.
Guilherme Castelo Branco considerou que a ausência de Diana continua a ser uma questão dolorosa para os dois irmãos, embora entenda que William tem gerido essa memória de forma diferente de Harry. Na sua opinião, o duque de Sussex carrega ressentimentos da infância que ajudam a explicar os confrontos com a imprensa.
António Leal e Silva lembrou, contudo, que Diana também tinha uma vida própria e que os filhos passavam períodos em colégios internos e com os avós. O comentador procurou, assim, afastar uma imagem idealizada de presença materna permanente.
Charles Spencer prepara retrato pessoal da irmã
A aproximação do 30.º aniversário da morte, que será assinalado em 2027, motivou Charles Spencer a escrever Swan Song: Diana, My Sister. A obra será publicada em inglês no dia 22 de setembro de 2026, segundo a informação oficial da editora Penguin.
Guilherme Castelo Branco entende que o irmão de Diana está a aproveitar de forma legítima o interesse que continua a existir em torno da princesa.
“Ele está a capitalizar isto de uma forma muito positiva. Estamos quase nos 30 anos, portanto faz sentido. O público ainda gosta muito desta história”, afirmou.
O comentador considerou que Diana foi uma das primeiras personalidades a utilizar a enorme atenção mediática em benefício próprio, embora essa exposição também tenha contribuído para a perseguição que marcou os seus últimos anos.
Adriano Silva Martins defendeu igualmente a publicação do livro: “Acho que ele faz muito bem, porque as pessoas têm sempre interesse em ver as coisas de uma forma mais pessoal. Ele vem prometer falar da vida da Diana como alguém que cresceu com ela e a acompanhou ao longo destes processos.”
A editora apresenta a obra como um retrato íntimo da infância partilhada pelos irmãos, da transformação de Diana numa figura mundial e da semana da sua morte.
Trabalho humanitário permanece no legado
Na parte final da conversa, o painel destacou as causas defendidas por Diana. A princesa ajudou a combater o estigma em torno do VIH e da sida ao aproximar-se publicamente de doentes numa altura marcada pelo medo e pela desinformação.
António Leal e Silva recordou ainda o trabalho contra as minas antipessoais, com particular destaque para a visita de Diana a Angola.
Adriano Silva Martins resumiu essa dimensão do percurso da princesa: “É um facto que Diana tinha um lado extraordinário. Usou o seu mediatismo para grandes causas. Tinha um carisma fora do normal.”
Apesar de reconhecer que a princesa terá dado “passos em falso”, o apresentador destacou os “posicionamentos interessantíssimos e maravilhosos à época”, concluindo que Diana permanece “um ícone que nos acompanha até aos nossos dias”.
