Pedro Chagas Freitas desmonta ideias sobre o amor: “Não normalizem o amor que faz doer e não faz voar”

Pedro Chagas Freitas desmonta ideias sobre o amor: “Não normalizem o amor que faz doer e não faz voar”, pediu.

Pedro Chagas Freitas voltou a usar as palavras para falar de relações, mas desta vez sem suavizar aquilo que muitas vezes se confunde com amor. Numa reflexão partilhada nas redes sociais, o escritor parte de uma ideia simples para separar afeto de sofrimento: amar não deveria significar suportar tudo.

“O amor não é nada fodido. É espantoso, maravilhoso, incrível, espectacular”, começa por escrever.

A dureza, explica, aparece quando se percebe que determinada relação afinal pouco tinha de amor. Pedro Chagas Freitas fala de gritos, silêncios, sofrimento e dependência, deixando uma distinção clara entre aquilo que une duas pessoas e aquilo que apenas as mantém presas uma à outra.

“O que é fodido é saber que aquilo que pensávamos ser amor não é amor nenhum. O amor fodido, o que desgasta, o que mói, o que magoa, o que dá cabo de nós, não é amor nenhum. É uma contrafacção que nos venderam, que nos disseram que era real.”

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Mais à frente, o escritor reforça a mesma ideia ao lembrar quantas relações sobrevivem através da habituação à dor.

“Fodido é descobrir que suportámos gritos, silêncios, sofrimentos, em nome de uma palavra que nunca foi aquilo. Há tantas pessoas que confundem dependência com ternura, posse com afecto, rotina com eternidade, amor com dor.”

E é precisamente contra essa normalização que deixa o apelo mais direto.

“Não normalizem o amor que faz doer e não faz voar. O amor é o que acende a lâmpada; nunca o que apaga as luzes.”

Pedro Chagas Freitas fala ainda do medo de ficar sozinho e da forma como esse receio pode levar alguém a permanecer numa relação que já deixou de fazer sentido.

“Muitos preferem um amor fodido a nenhum amor. O desespero é o grande cúmplice da mentira. O amor é a suspensão do desespero, é a pausa do medo.”

A reflexão termina com uma última ideia, dirigida também para dentro: “Não ter amor (sobretudo amor próprio) é que é.”

O texto surge associado ao livro O Hospital de Alfaces, atualmente disponível em livrarias e hipermercados.

Veja a publicação AQUI.

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