Pedro Chagas Freitas escreve carta contra a pirataria: «Nunca será só um PDF», assinalou o escritor, nas redes sociais.
O escritor lembrou que a publicação de um livro envolve dezenas de profissionais e famílias que dependem da compra das obras.
Pedro Chagas Freitas dirigiu uma carta a quem descarrega livros ilegalmente. Numa publicação nas redes sociais, o escritor procurou mostrar que a pirataria não prejudica apenas o autor, mas toda a estrutura profissional e familiar que existe por trás de uma obra.
«Não escrevo em meu nome. Eu sou um privilegiado. Escrevo pelos que trabalham na indústria dos livros, pelas famílias que têm comida na mesa porque alguém comprou um livro», começou por explicar.
Dezenas de pessoas por trás de cada livro
Pedro Chagas Freitas recordou que, antes de uma obra chegar às livrarias, existe um trabalho que começa no autor, passa pela revisão e pelo editor que decide apostar no projeto.
Ao processo juntam-se profissionais responsáveis pela paginação, capa, imagens, tradução, preparação dos ficheiros e impressão. Há ainda operadores de máquinas, pessoas que cortam, dobram, cosem e colam o papel, embalam os livros e colocam as caixas dentro de outras caixas.
A cadeia continua através de motoristas, distribuidores, funcionários de armazém, comerciais, administrativos e contabilistas. «Há pessoas que emitem faturas. Até a poesia tem número de contribuinte», observou.
O escritor destacou também o trabalho de quem assegura a comunicação, prepara cartazes, contacta os jornais e organiza apresentações, além dos técnicos e dos livreiros que abrem as lojas de manhã, fecham as caixas ao final do dia e arrumam os exemplares que não foram vendidos.
«Está a sacar muito mais do que isso»
Por trás de todos esses profissionais, sublinhou, existem filhos, prestações, despesas no supermercado, contas da água e a preocupação de chegar ao final do mês.
«Quando alguém diz ‘eu só saquei um PDF’, está a sacar muito mais do que isso. ‘Download concluído’. Não roubamos o pão, não saímos do restaurante sem pagar», escreveu.
Pedro Chagas Freitas defendeu que apoiar a cultura implica reconhecer financeiramente quem a produz: «Gostar da cultura é, no mínimo, pagar a quem a produz».
A terminar, pediu que o descarregamento ilegal não seja tratado como um ato sem vítimas.
«Por favor, não digas que não faz mal a ninguém. Não transformes a pessoa que prejudicaste numa pessoa que não existe. Se descarregares ilegalmente um livro, não esqueças que há alguém do outro lado», afirmou.
O escritor encerrou a carta com um apelo à empatia: «Há sempre alguém do outro lado. Empatia é olhar para quem está do outro lado, mesmo quando não conseguimos vê-lo. Nunca será só um PDF».
