Varandas pede silêncio sobre arbitragens e Villas-Boas responde com “santa aliança” entre Sporting e Benfica, esta tarde.
Frederico Varandas e André Villas-Boas chegaram aos Portugal Football Globes com discursos diferentes sobre o momento do futebol português. A arbitragem acabou por aproximar as duas intervenções, mas apenas no tema: o presidente do Sporting defendeu que prefere ver Rui Borges afastado desse tipo de polémica; pouco depois, o líder do FC Porto respondeu-lhe e recuperou uma expressão particularmente forte para descrever a relação entre os rivais de Lisboa.
Tudo aconteceu esta segunda-feira, 21 de setembro, à entrada para a segunda edição dos Portugal Football Globes, na Cidade do Futebol, em Oeiras.
Varandas começou por falar essencialmente sobre o Sporting e, em particular, sobre Rui Borges. Desmentiu qualquer reunião de emergência para discutir o futuro do treinador e garantiu que a sua continuidade nunca esteve em causa.
Mas foi quando falou sobre a postura que exige ao técnico que entrou num terreno mais abrangente.
“Era tão fácil o meu treinador nas duas últimas jornadas ir para a conferência de imprensa agarrar-se a coisas externas do clube, como outros treinadores e outras figuras fazem, com as quais não me identifico. Peço ao treinador para não o fazer e ele não faz. Tiro-lhe o chapéu.”
Varandas reforçou depois a ideia:
“Não quero ter o meu treinador a fazer as figuras que outros fazem.”
E concretizou a posição do Sporting sobre o tema da arbitragem: “Elogio muito o meu treinador, peço-lhe para não falar de arbitragem e ele não fala. Entendemos que este é o caminho para onde o futebol português deve ir. É fácil? Não. É justo? Não.”
Villas-Boas responde a Varandas
André Villas-Boas chegou depois aos jornalistas e foi confrontado com as declarações do presidente do Sporting.
O líder portista rejeitou a ideia de que o FC Porto deva deixar de expor publicamente aquilo que considera serem problemas relacionados com a arbitragem.
“O FC Porto tem de expor os problemas quando acha relevante. Quando há suspeitas nas nomeações, parece suficiente para pedir a suspensão do presidente do Conselho de Arbitragem.”
Villas-Boas lembrou ainda que o plenário do Conselho de Arbitragem manifestou apoio a Luciano Gonçalves e acrescentou: “Não vi mais nenhuma indignação. Temos o futebol português envolvido em histórias de suspeição e corrupção e parece que está tudo normal.”
Sobre a postura agora defendida por Frederico Varandas, deixou uma observação dirigida ao presidente leonino:
“É uma novidade da época 2026/2027, porque nas outras não foi assim que se comportou.”
A distância entre os dois discursos ficou, assim, exposta no mesmo evento: Varandas entende que treinadores devem evitar alimentar publicamente as discussões sobre arbitragem; Villas-Boas considera que os clubes devem falar quando entendem existir matéria que o justifique.
“Há uma santa aliança entre Benfica e Sporting”
O presidente portista alargou depois o discurso às relações entre os três grandes.
Villas-Boas recordou a tentativa de criar canais de comunicação entre FC Porto, Benfica e Sporting, mas afirmou ter abandonado esse caminho quando concluiu que existia um desequilíbrio entre os clubes.
“Pouco mudou. O primeiro a chegar e o único a tentar fui eu. Promovi a via de comunicação entre os três grandes, mas quando percebi que era mais um dois contra um, rapidamente me afastei.”
E deixou então a acusação:
“Se há algo verdadeiro e presente é uma santa aliança entre Benfica e Sporting que não posso aceitar.”
Questionado sobre onde encontra sinais dessa alegada aproximação, Villas-Boas apontou um “alinhamento na comunicação contra o FC Porto” e posições assumidas em matérias relacionadas com a Liga. Referiu ainda a centralização dos direitos audiovisuais e lembrou a posição contrária do Benfica no processo.
“Dois contra um é sempre mais fácil”, resumiu.
A referência a uma “santa aliança” corresponde à interpretação de André Villas-Boas sobre a atuação dos dois rivais e não a uma posição assumida por Benfica ou Sporting.
Villas-Boas responde às críticas do Benfica no Dragão
O clássico de domingo também entrou inevitavelmente na conversa.
Depois da vitória do FC Porto por 3-1, Marco Silva e Rui Costa contestaram sobretudo o critério disciplinar de Miguel Nogueira. Villas-Boas rejeitou as críticas.
Sobre as palavras do treinador do Benfica, respondeu:
“São frustrações normais de um treinador que chega ao futebol português e perde o primeiro clássico. Enquadra-se na frustração de um jogo que não correu bem.”
Quanto à “dualidade de critérios tremenda” denunciada por Rui Costa após o encontro, o presidente portista recuperou um episódio da temporada anterior no Estádio D. Afonso Henriques e respondeu que não sabia se seria a esse tipo de critério que o dirigente benfiquista se referia.
Villas-Boas afastou também qualquer influência da arbitragem no resultado do clássico:
“Não, de todo. Foi uma grande arbitragem.”
As declarações deixaram, portanto, três presidentes envolvidos na discussão que se prolongou para lá do FC Porto-Benfica: Rui Costa criticou a atuação disciplinar do árbitro no Dragão; Varandas defendeu nos Portugal Football Globes que os treinadores devem afastar-se das polémicas de arbitragem; e Villas-Boas respondeu aos dois, defendendo a atuação de Miguel Nogueira e acusando Sporting e Benfica de uma “santa aliança” contra o FC Porto.
