Miguel Sousa Tavares defende venda total da TAP: “Estou cansado de dar dinheiro”, referiu o comentador, à CNN Portugal.
Miguel Sousa Tavares quer que o Estado venda também a participação que mantém na TAP. Num comentário divulgado pela CNN Portugal no Instagram, o jornalista mostrou-se favorável à privatização e considerou histórica a decisão de escolher a Lufthansa, associando a sua posição ao dinheiro dos contribuintes aplicado na companhia aérea.
“Os outros que pagam, entre os quais me incluo, são a favor. Como contribuinte, para mim foi um dia histórico. Falta a outra metade”, afirmou.
A declaração surgiu a propósito da escolha da proposta da Lufthansa para a aquisição de até 49,9% da TAP, por um valor que pode chegar aos 1,2 mil milhões de euros. A decisão representa uma etapa do processo de privatização, cujo fecho ainda depende das aprovações necessárias.
“Há duas categorias de portugueses”
Na sua análise, Miguel Sousa Tavares estabeleceu uma divisão entre os portugueses que apoiam a operação e os que se opõem, relacionando essas posições com o pagamento de impostos.
“Descobri que há duas categorias de portugueses: há os que não pagam impostos – e há 40 e tal por cento de portugueses que não paga IRS diretamente – e são todos contra. É aquele princípio de que o Estado deve ter cada vez mais despesa. Como é que se paga? Subindo os impostos aos outros que pagam.”
A associação entre a situação fiscal dos cidadãos e a posição sobre a privatização foi apresentada pelo comentador como parte da sua leitura política da operação. Na publicação, a CNN Portugal resumiu a intervenção indicando que Sousa Tavares considera o negócio positivo, embora reconheça que não reúne o acordo de todos os portugueses.
Comentador quer a saída do Estado da companhia
Ao afirmar que falta vender a outra metade, Miguel Sousa Tavares defendeu que a privatização avance para além da participação abrangida nesta fase. O seu argumento centrou-se no encargo que a TAP representou para os contribuintes e na oposição a continuar a financiar a companhia através de dinheiro público.
“Eu estou cansado de dar dinheiro à TAP”, declarou, numa das frases destacadas pela CNN Portugal.
A defesa da venda integral traduz, assim, a posição do comentador sobre o futuro da empresa: considera a escolha da Lufthansa um passo positivo, mas pretende que o Estado deixe também de deter a participação restante.
