Miguel Sousa Tavares defende trabalho obrigatório nos apoios sociais e critica Ventura e Passos Coelho, num podcast.
Miguel Sousa Tavares voltou a usar o podcast “Miguel Sousa Tavares de Viva Voz”, do Expresso, para traçar um diagnóstico duro sobre Portugal. Desta vez, o cronista juntou três temas que, na sua visão, estão ligados: natalidade, imigração e sustentabilidade do Estado social.
Além disso, deixou críticas diretas a André Ventura, ao Governo de Luís Montenegro e a Pedro Passos Coelho. Pelo meio, apoiou a proposta de criação de uma prestação social única com obrigações laborais.
Natalidade no centro das preocupações
Miguel Sousa Tavares começou por olhar para a demografia. Para o cronista, a quebra da natalidade deixou de ser apenas um problema estatístico e passou a ser uma ameaça ao futuro do país.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝘀𝘂𝗯𝗹𝗶𝗻𝗵𝗼𝘂: “𝗔 𝗯𝗮𝗶𝘅𝗮 𝗻𝗮𝘁𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 é 𝘂𝗺 𝗳𝗮𝗰𝘁𝗼, é 𝘂𝗺 𝗳𝗮𝗰𝘁𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘁í𝘀𝘁𝗶𝗰𝗼, 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗮𝗱𝗼”.
O jornalista recordou que a taxa de fecundidade portuguesa está nos 1,1%, abaixo dos 2,1% necessários para renovar gerações.
Depois, ligou esse cenário à Segurança Social.
𝗢 𝗰𝗿𝗼𝗻𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗮𝘃𝗶𝘀𝗼𝘂: “𝗡ó𝘀 𝗮𝗿𝗿𝗶𝘀𝗰𝗮𝗺𝗼𝘀, 𝗺𝗲𝘀𝗺𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗼𝘀 𝗶𝗺𝗶𝗴𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝗻𝗼 𝗮𝗻𝗼 𝟮𝟬𝟱𝟬 𝗮 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮𝗻ç𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗻ã𝗼 𝘁𝗲𝗿 𝘀𝘂𝘀𝘁𝗲𝗻𝘁𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗳𝗶𝗻𝗮𝗻𝗰𝗲𝗶𝗿𝗮”.
Miguel Sousa Tavares rejeitou ainda cenários que atribui a André Ventura, por anteciparem o colapso para 2040.
Ainda assim, não suavizou a preocupação.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿ç𝗼𝘂: “É 𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗺 𝗳𝗶𝗹𝗵𝗼𝘀 𝗲 𝗶𝘀𝘀𝗼 é 𝗱𝗿𝗮𝗺á𝘁𝗶𝗰𝗼 𝗮 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗼𝘀 𝗻í𝘃𝗲𝗶𝘀”.
Apoios sociais com trabalho obrigatório
Foi neste contexto que o cronista defendeu a proposta do Governo de Luís Montenegro para criar uma prestação social única. A medida prevê que os beneficiários desenvolvam trabalho de solidariedade social.
Miguel Sousa Tavares não se colocou ao lado da proposta com meias palavras.
𝗢 𝗷𝗼𝗿𝗻𝗮𝗹𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗮𝗳𝗶𝗿𝗺𝗼𝘂: “𝗤𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼 𝗮𝗼𝘀 𝗽𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝘂𝗲𝘀𝗲𝘀 𝗻ã𝗼 𝗴𝗼𝘀𝘁𝗮𝗿𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗮𝗿, é 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘂 𝗺𝗲 𝗱𝗲𝗽𝗮𝗿𝗼 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗼𝘀 𝗱𝗶𝗮𝘀”.
Depois, concretizou o apoio à medida.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲: “𝗘𝘂 𝗲𝘀𝘁𝗼𝘂 𝗱𝗲 𝗮𝗰𝗼𝗿𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗼 𝗴𝗼𝘃𝗲𝗿𝗻𝗼, 𝗱𝗼𝘀 𝗯𝗲𝗻𝗲𝗳𝗶𝗰𝗶á𝗿𝗶𝗼𝘀 𝗱𝗮 𝗳𝘂𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘀𝘁𝗮çã𝗼 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹 ú𝗻𝗶𝗰𝗮 𝘁𝗲𝗿𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲𝘀𝗲𝗻𝘃𝗼𝗹𝘃𝗲𝗿 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝘀𝗼𝗹𝗶𝗱𝗮𝗿𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗮𝘁é 𝟭𝟱 𝗵𝗼𝗿𝗮𝘀 𝗽𝗼𝗿 𝘀𝗲𝗺𝗮𝗻𝗮.”
Para o cronista, a questão não é apenas financeira. É também social e comportamental.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗮𝗿𝗴𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘂: “𝗘𝘀𝘁𝗼𝘂 𝗮𝗯𝘀𝗼𝗹𝘂𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝗮𝗰𝗼𝗿𝗱𝗼, 𝗻ã𝗼 𝗮𝗽𝗲𝗻𝗮𝘀 𝗽𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 𝗵á 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮 𝗴𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲 𝗳𝗮𝗰𝘁𝗼 𝘀𝗲 𝗲𝗻𝗰𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗮𝗼𝘀 𝘀𝘂𝗯𝘀í𝗱𝗶𝗼𝘀 𝗲 𝗻ã𝗼 𝗳𝗮𝘇 𝗻𝗮𝗱𝗮, 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝘀𝘀𝗮 𝗴𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗱𝗲 𝗵á𝗯𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼, 𝗵á𝗯𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝗲𝗺 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗱𝗲 𝗮 𝗻𝗼çã𝗼 𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗮 𝗰𝗼𝗹𝗲𝘁𝗶𝘃𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 é 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝗼𝘀 𝗱á, 𝗺𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗮𝗺𝗯é𝗺 𝘁𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗲𝗯𝗲𝗿 𝗱𝗮 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗲”.
Miguel Sousa Tavares apontou ainda o exemplo do Reino Unido, onde, segundo referiu, existem pessoas com mais de 50 anos que nunca trabalharam. Classificou essa realidade como “𝗮𝗹𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗻𝗶𝗰𝗶𝗼𝘀𝗮”.
Imigração vista como pilar da economia
O tema do trabalho levou o cronista à imigração. A partir de dados divulgados pelo Expresso, Miguel Sousa Tavares falou da saída de 45 mil pessoas no último ano e de uma quebra de 40% nos pedidos de entrada para fins laborais.
A situação, disse, é “𝘃𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲𝗶𝗿𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗮𝘀𝘀𝘂𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼𝗿”.
Depois, acusou o Governo de seguir o discurso da direita radical.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗼𝘂: “𝗡ó𝘀 𝘀𝗲 𝗰𝗮𝗹𝗵𝗮𝗿, 𝗰𝗼𝗺 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝘁𝗼𝗱𝗮 𝗱𝗼 𝗴𝗼𝘃𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗼 𝗟𝘂í𝘀 𝗠𝗼𝗻𝘁𝗲𝗻𝗲𝗴𝗿𝗼 𝗶𝗿 𝗮𝘁𝗿á𝘀 𝗱𝗼 𝗱𝗶𝘀𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗲 𝗔𝗻𝗱𝗿é 𝗩𝗲𝗻𝘁𝘂𝗿𝗮, 𝗻ó𝘀 𝗮𝗿𝗿𝗶𝘀𝗰𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗮 𝗱𝗲𝗶𝘁𝗮𝗿 𝗳𝗼𝗿𝗮 𝗮 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗻ç𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗮 á𝗴𝘂𝗮 𝗱𝗼 𝗯𝗮𝗻𝗵𝗼”.
Para sustentar a ideia, o cronista apresentou números sobre o peso dos trabalhadores imigrantes em vários setores.
𝗢 𝗷𝗼𝗿𝗻𝗮𝗹𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗲𝘁𝗮𝗹𝗵𝗼𝘂: “𝟳𝟬% 𝗱𝗮 𝗮𝗴𝗿𝗶𝗰𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮 é 𝗮𝘀𝘀𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮𝗱𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝗶𝗺𝗶𝗴𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝟴𝟬% 𝗱𝗮𝘀 𝗽𝗲𝘀𝗰𝗮𝘀 𝘀ã𝗼 𝗮𝘀𝘀𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗽𝗼𝗿 𝗶𝗺𝗶𝗴𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝟲𝟬% 𝗻𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂çã𝗼 𝗰𝗶𝘃𝗶𝗹 (…), 𝟯𝟱% 𝗻𝗮 𝗵𝗼𝘁𝗲𝗹𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗲 𝗿𝗲𝘀𝘁𝗮𝘂𝗿𝗮çã𝗼 𝗲 𝟴𝟬% 𝗻𝗼 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼 𝗻𝗼𝘀 𝗹𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝘁𝗲𝗿𝗰𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲”.
Perante estes dados, Miguel Sousa Tavares deixou perguntas diretas.
𝗢 𝗰𝗿𝗼𝗻𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁𝗶𝗼𝗻𝗼𝘂: “𝗦𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗴𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗳𝗼𝗿 𝗲𝗺𝗯𝗼𝗿𝗮, 𝗾𝘂𝗲𝗺 é 𝗾𝘂𝗲 𝗼𝘀 𝘃𝗮𝗶 𝘀𝘂𝗯𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗶𝗿? 𝗤𝘂𝗲𝗺 𝘀ã𝗼 𝗼𝘀 𝗽𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝘂𝗲𝘀𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁ã𝗼 𝗱𝗶𝘀𝗽𝗼𝘀𝘁𝗼𝘀, 𝗽𝗼𝗿 𝗲𝘅𝗲𝗺𝗽𝗹𝗼, 𝗮 𝗳𝗮𝘇𝗲𝗿 𝗼 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗲 𝗳𝗮𝘇 𝗻𝗼𝘀 𝗰𝗮𝗺𝗽𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗕𝗲𝗷𝗮?”
Depois, levou a questão para os cuidados aos mais velhos.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗶𝗻𝘀𝗶𝘀𝘁𝗶𝘂: “𝗤𝘂𝗲𝗺 é 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝘂𝗶𝗱𝗮𝗿á 𝗱𝗼𝘀 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗶𝘀, 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮𝘀 𝗮𝘃ó𝘀 𝗲 𝗱𝗲 𝗻ó𝘀 𝗽𝗿ó𝗽𝗿𝗶𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗹á 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮𝗿𝗺𝗼𝘀?”
Ventura acusado de contradição
O cronista dirigiu depois críticas a André Ventura. Miguel Sousa Tavares considerou “𝗲𝘅𝘁𝗿𝗮𝗼𝗿𝗱𝗶𝗻á𝗿𝗶𝗼” que o líder do Chega defenda cortes na idade da reforma e aumentos de pensões, contando com o saldo positivo gerado pela imigração.
Esse saldo foi apontado como estando avaliado em quatro mil milhões de euros anuais.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗿𝗲𝗺𝗮𝘁𝗼𝘂: “𝗣𝗼𝗿 𝘂𝗺 𝗹𝗮𝗱𝗼, 𝗲𝗹𝗲 𝗻ã𝗼 𝗾𝘂𝗲𝗿 𝗰á 𝗶𝗺𝗶𝗴𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝗽𝗼𝗿 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼 𝗹𝗮𝗱𝗼, 𝗲𝗹𝗲 𝗴𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗼𝗱𝗲𝗿 𝗱𝗲𝗶𝘁𝗮𝗿 𝗮 𝗺ã𝗼 𝗮𝗼 𝗱𝗶𝗻𝗵𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗱𝗲𝗹𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗳𝗶𝗻𝗮𝗻𝗰𝗶𝗮𝗿 𝗮𝘀 𝗽𝗲𝗻𝘀õ𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮 𝗮𝘁𝘂𝗮𝗶𝘀”.
Para Miguel Sousa Tavares, a incoerência é evidente: o país precisa dos imigrantes, mas o debate político continua a tratá-los como problema.
Passos Coelho também foi alvo de críticas
Pedro Passos Coelho foi outro dos nomes visados no podcast. O cronista reagiu às intervenções públicas recentes do antigo primeiro-ministro e não escondeu surpresa com o tom usado.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗮𝘁𝗶𝗿𝗼𝘂: “𝗘𝘂 𝗮𝗰𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘂𝘀𝗮𝗿 𝘂𝗺𝗮 𝗲𝘅𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀ã𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗶𝘇𝗶𝗮 𝗻𝗼 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼 𝗱𝗶𝗮, 𝗲𝗹𝗲 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗼𝘂-𝘀𝗲, 𝗼 𝗣𝗲𝗱𝗿𝗼 𝗣𝗮𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗖𝗼𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗼𝘂-𝘀𝗲, 𝗽𝘂𝗿𝗮 𝗲 𝘀𝗶𝗺𝗽𝗹𝗲𝘀𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲”.
O jornalista censurou a linguagem usada por Passos Coelho no debate político.
𝗢 𝗰𝗿𝗼𝗻𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗮𝗰𝗿𝗲𝘀𝗰𝗲𝗻𝘁𝗼𝘂: “𝗢𝘂𝘃𝗶𝗿𝗺𝗼𝘀 𝘂𝗺 𝗽𝗼𝗹í𝘁𝗶𝗰𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗳𝗼𝗶 𝗣𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼-𝗠𝗶𝗻𝗶𝘀𝘁𝗿𝗼, 𝗮 𝗰𝗵𝗮𝗺𝗮𝗿 𝗽𝗿𝗼𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝘁𝗼𝘀 𝗮𝗼𝘀 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀, 𝗮𝗶𝗻𝗱𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝗰𝗶𝗺𝗮 𝗱𝗼 𝘀𝗲𝘂 𝗽𝗿ó𝗽𝗿𝗶𝗼 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗱𝗼, é 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗻ã𝗼 𝘀𝗲 𝗲𝘀𝗽𝗲𝗿𝗮”.
Contudo, a crítica foi além da forma. Miguel Sousa Tavares contestou a imagem de Passos Coelho como reformista.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗮𝗳𝗶𝗿𝗺𝗼𝘂: “𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗮 𝗹𝗶𝗻𝗴𝘂𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗲𝘀𝗯𝗿𝗮𝗴𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗣𝗲𝗱𝗿𝗼 𝗣𝗮𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗖𝗼𝗲𝗹𝗵𝗼, 𝗮 𝗺𝗶𝗺 𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗲 𝗶𝗻𝗰𝗼𝗺𝗼𝗱𝗮 é 𝘃ê-𝗹𝗼 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿-𝘀𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗼 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗲 𝗼 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲 𝗵𝗲𝗿𝗮𝗹𝗱𝗼 𝗱𝗮𝘀 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀”.
E deixou uma pergunta direta.
𝗢 𝗷𝗼𝗿𝗻𝗮𝗹𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁𝗶𝗼𝗻𝗼𝘂: “𝗤𝘂𝗲 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀 𝗳𝗲𝘇 𝗣𝗲𝗱𝗿𝗼 𝗣𝗮𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗖𝗼𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗳𝗼𝗶 𝗣𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼-𝗠𝗶𝗻𝗶𝘀𝘁𝗿𝗼?”
Miguel Sousa Tavares recusou ainda o argumento de que a intervenção da Troika impediu reformas.
𝗢 𝗰𝗿𝗼𝗻𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗲𝗳𝗲𝗻𝗱𝗲𝘂: “𝗝𝘂𝘀𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁á𝘃𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗳𝗮𝗹𝗶𝗱𝗼𝘀, 𝗽𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 𝗯𝗮𝘁𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗻𝗼 𝗳𝘂𝗻𝗱𝗼, 𝗲𝘀𝘀𝗲 é 𝗼 𝗺𝗼𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼𝘀 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗶𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗮𝘃𝗮𝗻ç𝗮𝗿𝗲𝗺 𝗰𝗼𝗺 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀, 𝗽𝗲𝗿𝗰𝗲𝗯𝗲𝗿𝗲𝗺 𝗽𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 é 𝗾𝘂𝗲 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹 𝗳𝗼𝗶 à 𝗳𝗮𝗹ê𝗻𝗰𝗶𝗮”.
“O país não tem saudades dele”
Para Miguel Sousa Tavares, Passos Coelho estará a laborar num erro político: acreditar que existe desejo nacional pelo seu regresso.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝘀𝘂𝗯𝗹𝗶𝗻𝗵𝗼𝘂: “𝗘𝘂 𝗮𝗰𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗵á 𝗮𝗾𝘂𝗶 𝗱𝗼𝗶𝘀 𝗲𝗿𝗿𝗼𝘀, 𝗲𝘂 𝗮𝗰𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗣𝗲𝗱𝗿𝗼 𝗣𝗮𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗖𝗼𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗲𝘀𝘁á 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗲𝗻𝗰𝗶𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗼 𝗣𝗮í𝘀 𝘁𝗲𝗺 𝘀𝗮𝘂𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗱𝗲𝗹𝗲, 𝗻ã𝗼 𝘁𝗲𝗺, 𝗻ã𝗼 𝘁𝗲𝗺, 𝗶𝘀𝘀𝗼 é 𝘂𝗺 𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝗹𝗲 𝗲𝘀𝘁á 𝗮 𝗹𝗮𝗯𝗼𝗿𝗮𝗿”.
Na leitura do comentador, o antigo primeiro-ministro perdeu a imagem de reserva serena que tinha construído.
𝗠𝗶𝗴𝘂𝗲𝗹 𝗦𝗼𝘂𝘀𝗮 𝗧𝗮𝘃𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗹𝘂𝗶𝘂: “𝗡𝗲𝘀𝘁𝗲 𝗺𝗼𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 é 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗻ã𝗼 𝘀𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗮, 𝗾𝘂𝗲 𝗳𝗮𝗹𝗮 𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗽ó𝘀𝗶𝘁𝗼 𝗲 𝗮 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗿𝗼𝗽ó𝘀𝗶𝘁𝗼, 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗶𝘇 𝗮 𝗽𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗹𝗵𝗲 𝘃𝗲𝗺 à 𝗰𝗮𝗯𝗲ç𝗮, 𝗲 𝗾𝘂𝗲, 𝗱𝗶𝘇𝗲𝗻𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗼 𝗣𝗦𝗗 𝘁𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗳𝗮𝘇𝗲𝗿 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘁𝗿𝗮𝘃𝗮𝗿 𝗼 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗶𝘀𝗺𝗼 𝗱𝗼 𝗖𝗵𝗲𝗴𝗮, 𝗮𝗳𝗶𝗻𝗮𝗹 𝗲𝘀𝘁á 𝗱𝗲 𝗺ã𝗼 𝗱𝗮𝗱𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗼 𝗖𝗵𝗲𝗴𝗮, 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝘀𝗲 𝘃𝗶𝘂 𝗻𝗮 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮çã𝗼 𝗱𝗲𝗹𝗲 𝗲𝗺 𝗟𝗶𝘀𝗯𝗼𝗮, 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗲𝗹𝗲 𝗱𝗶𝘀𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼𝘂 𝗰𝗼𝗺 𝗔𝗻𝗱𝗿é 𝗩𝗲𝗻𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗮 𝗮𝗽𝗹𝗮𝘂𝗱𝗶𝗿 𝗻𝗮 𝗽𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗳𝗶𝗹𝗮”.
Entre demografia, imigração, apoios sociais e discurso político, Miguel Sousa Tavares deixou uma leitura severa do país. Para o cronista, Portugal precisa de escolhas difíceis, mas também de menos contradições no debate público.

