Tânia Laranjo reagiu nas redes sociais a uma disputa familiar por uma criança que, segundo relatou, levou ao corte da A4 durante várias horas. Numa publicação no Facebook, a jornalista defendeu que a proteção dos filhos e a aplicação da lei não podem depender de justificações baseadas em costumes ou tradições.
O texto partiu do episódio na autoestrada para uma reflexão sobre os limites da autoridade dos pais e o respeito pelos direitos das crianças. As circunstâncias do caso e as explicações alegadamente dadas às autoridades foram apresentadas pela própria jornalista na publicação.
Jornalista descreve confronto entre os pais
Tânia Laranjo começou por relatar uma sucessão de confrontos em torno da criança, incluindo uma alegada colisão provocada pelo pai.
“Ontem, a A4 esteve cortada durante horas porque uma família decidiu resolver à força uma disputa por uma criança. A mãe tirou-a ao pai, o pai tirou-a à mãe e, pelo meio, ainda lançou o carro contra aquele onde seguia o filho. Uma criança no meio de uma guerra de adultos e uma autoestrada transformada em cenário de ajuste de contas.”
A jornalista referiu depois a explicação que, segundo escreveu, terá sido apresentada à Polícia Judiciária.
“A explicação que deram à PJ foi esta: são ciganos, a mãe foi infiel e, pela tradição, quem trai perde os filhos.”
Na continuação do texto, alargou a crítica a outras práticas que associou a justificações tradicionais: “E há mais tradições. Miúdas de 15 anos a engravidar, mulheres a quem cortam o cabelo porque se portaram mal, filhos prometidos quando ainda são adolescentes.”
Estas referências correspondem às afirmações de Tânia Laranjo na publicação, que não identifica outros casos concretos para além do episódio relatado na A4.
“Há coisas que não se tornam aceitáveis”
A jornalista afirmou que não pretende generalizar comportamentos, mas questionou a utilização da cultura como argumento para aceitar práticas que considera prejudiciais.
“Eu não gosto de generalizações. Mas não entendo porque é que o respeito por uma cultura há-de obrigar-nos a aceitar tudo o que se faz em nome dela. Uma mulher trai e perde os filhos? Uma miúda tem 15 anos e engravida, mas temos de respeitar porque é tradição? Um filho é prometido como quem combina a venda de um carro?”
A resposta que deixou centrou-se na autonomia e nos direitos das crianças, rejeitando que sejam tratadas como parte de uma disputa entre adultos.
“Não. Há coisas que não se tornam aceitáveis só porque alguém lhes chama tradição. E uma criança não é propriedade dos pais, muito menos um prémio que se entrega a quem se portou melhor.”
Apelo à igualdade perante a lei
Na parte final, Tânia Laranjo defendeu a aplicação das mesmas regras a todas as pessoas, independentemente da origem ou da religião.
“A lei tem de ser igual para todos. Ciganos, não ciganos, católicos, ateus ou quem quer que seja. Caso contrário, deixamos de ter uma lei para passar a ter um conjunto de regras à escolha, conforme os costumes de cada um.”
A jornalista terminou distinguindo o respeito pelas pessoas da concordância com os seus comportamentos: “E não, isto não é generalizar. É perceber que respeitar pessoas não significa aceitar tudo o que fazem.”
