Helena Sacadura Cabral defendeu a criação de um “Mercado Único Empresarial” que facilite a expansão das empresas portuguesas na Europa, com menos burocracia e regras mais simples. Numa publicação no Facebook, a economista colocou as pequenas empresas no centro da proposta e desafiou Portugal a olhar para o crescimento dos seus negócios além-fronteiras.
“Uma empresa portuguesa não deveria ter de se transformar numa multinacional para conseguir vender em vários países. Deveria bastar ser uma boa empresa”, escreveu, numa reflexão em que apresentou medidas para simplificar a atividade empresarial no espaço europeu.
Sob o título “Mercado Único Empresarial” e a indicação “Uma espécie de proposta”, Helena Sacadura Cabral partiu de uma ideia que atravessa todo o texto: “Uma empresa europeia deve poder trabalhar na Europa como se a Europa fosse o seu mercado.”
Pequenas empresas no centro da proposta
A diferença de recursos entre grandes e pequenos negócios ocupa um lugar central na reflexão. Para Helena Sacadura Cabral, um sistema que facilite a entrada noutros mercados deve ser pensado, em primeiro lugar, para quem não dispõe de equipas especializadas para tratar desses processos.
“Esta parte é essencial. As grandes empresas conseguem contratar advogados, contabilistas e especialistas para entrar em novos mercados. Uma pequena empresa não consegue. Por isso, o Mercado Único Empresarial deveria ser pensado primeiro para quem tem 5, 10, 20 ou 50 trabalhadores”, sustentou na sua página de Facebook.
A economista defendeu também que a dimensão de uma empresa ou a sua localização em Portugal não deveriam limitar a possibilidade de chegar a clientes de outros países.
“Uma pequena empresa de Braga, Beja ou Faro deveria poder vender os seus produtos ou serviços em qualquer país da União Europeia com regras claras e fáceis de compreender”, exemplificou.
Um sistema digital único e menos documentos repetidos
Entre as soluções apresentadas está a criação de uma única porta de entrada digital para tratar de uma parte significativa dos procedimentos necessários à expansão europeia.
“Uma empresa constituída legalmente em Portugal deveria poder tratar grande parte da sua expansão para outros países europeus, através de um único sistema digital europeu. Não deveria ter de aprender um sistema diferente em cada país”, escreveu.
Outro dos pontos da proposta é a redução da entrega repetida de informação às autoridades. Sob a expressão “Menos papelada”, Helena Sacadura Cabral questionou a necessidade de reproduzir procedimentos relativos a dados já disponibilizados.
“Se uma informação já foi entregue ao Estado português, não deveria ser necessário voltar a entregá-la cinco vezes noutro país europeu.”
A simplificação deveria ainda abranger a contratação de trabalhadores noutros Estados europeus, permitindo às empresas responder às suas necessidades sem processos excessivamente complexos.
“Uma empresa portuguesa que precise de contratar alguém noutro país europeu deveria encontrar um processo simples para o fazer, sem uma montanha de burocracia”, defendeu.
“Como levar as empresas portuguesas para a Europa?”
Ao abordar especificamente o caso português, Helena Sacadura Cabral destacou o potencial de crescimento das pequenas e médias empresas se o acesso ao mercado europeu se tornar mais fácil.
“Aqui está, julgo, a parte mais interessante. Portugal tem muitas empresas pequenas e médias que poderiam crescer muito mais se fosse mais fácil chegar aos 450 milhões de consumidores europeus”, considerou.
Na sua perspetiva, a discussão não deve ficar limitada à captação de investimento estrangeiro. A capacidade de levar os negócios portugueses a outros mercados merece igualmente atenção.
“Em vez de pensarmos apenas: ‘Como trazer empresas estrangeiras para Portugal?’, também deveríamos pensar: ‘Como levar as empresas portuguesas para a Europa?’”, questionou.
A publicação terminou com uma síntese do modelo que propõe: “Um país para criar a empresa. Uma Europa para a fazer crescer.” Uma formulação que recupera o princípio inicial da reflexão: permitir que uma empresa europeia encontre no conjunto da Europa condições para desenvolver a sua atividade.
